Pílula Farmacêutica #78: Prática de receita combinada fere direito à informação sobre medicamento

Resolução da Anvisa enfatiza legislação e códigos de ética vigentes, impedindo que receitas contenham fórmulas em códigos ou ainda indicação de estabelecimento farmacêutico, práticas comuns em “receitas combinadas”

Jornal da USP
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Pílula Farmacêutica #78: Prática de receita combinada fere direito à informação sobre medicamento
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Esta edição do Pílula Farmacêutica trata do direito de qualquer cidadão às informações sobre o medicamento que irá consumir e também da escolha da farmácia para realizar a compra. A questão pode parecer óbvia, já que envolve legislação e ética profissional, mas, adianta a professora Regina Andrade, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, não é tão incomum assim a existência da “receita combinada”.

Segundo a acadêmica Kimberly Fuzel, orientanda da professora Regina na FCFRP, uma receita combinada é aquela que, geralmente, prescreve uma fórmula a ser manipulada, mas que não detalha sua composição, apenas indicando um código: “fórmula emagrecedora” ou “combinado X”. Adianta Kimberly que essas prescrições remetem a uma determinada farmácia que consegue ler o código, o que supõe uma combinação entre o prescritor e o estabelecimento comercial.

Além desse tipo de relacionamento, médico e farmácia, ser vedado por lei, argumenta a acadêmica, este tipo de prescrição pode colocar em risco a saúde do paciente. Como não tem informação sobre a substância receitada, essa pessoa pode sofrer com interação medicamentosa ou alergia a algum componente da fórmula.

Como resposta a este tipo de prática, Kimberly cita a resolução da Anvisa que enfatiza legislação e códigos de ética vigentes, impedindo que receitas contenham fórmulas em códigos ou ainda indicação de estabelecimento farmacêutico. “Tomar medicamentos é coisa séria”, alerta a acadêmica, orientando aos pacientes que peçam todas as informações sobre qualquer novo remédio que for tomar. É necessário saber se pode interagir com outras medicações já utilizadas, qual a dosagem e horários corretos para administrá-lo e se não apresenta alguma reação alérgica.

Por segurança, Kimberly reforça a necessidade de tirar todas as dúvidas sobre o tratamento com o médico e com o farmacêutico que avia a receita. E, lembra também que, ao utilizar o serviços públicos de saúde, o paciente tem direito a “receber gratuitamente os medicamentos receitados” que estão disponíveis no SUS.


Pílula Farmacêutica
 
Apresentação: Kimberly Fuzel e Giovanna Bingre
Produção: Professora Regina Célia Garcia de Andrade e Rita Stella
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão 
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: segunda e quarta, às 10h40
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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