Pílula Farmacêutica #64: Medicamentos falsificados podem levar a intoxicações e até a morte

Prática tem aumentado nos últimos tempos, lesando os cofres públicos e colocando a saúde da população em risco

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Jornal da USP
Pílula Farmacêutica #64: Medicamentos falsificados podem levar a intoxicações e até a morte
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Por medo da covid-19, existem pessoas que se arriscam a tomar vacinas falsificadas. O fato preocupa as autoridades, e não só as policiais e econômicas, mas, principalmente, as de saúde. É que a falsificação de medicamentos, apesar de ser uma prática antiga, traz prejuízos aos cofres públicos e expõe a população a produtos de origem duvidosa, oferecendo riscos à saúde que, em casos mais graves, levam à morte.

O que são medicamentos falsificados?

A acadêmica Kimberly Fuzel, orientanda por Regina Andrade, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, conta, nesta edição do Pílula Farmacêutica, que medicamentos falsificados “são aqueles rotulados de forma enganosa, seja com relação à identificação ou a fonte”, segundo define a Organização Mundial da Saúde.

Kimberly diz que a falsificação se dá tanto com produtos de marca quanto com genéricos, seja com fórmula correta ou incorreta, com ausência ou insuficiência de princípios ativos ou ainda com embalagens falsas.

Assim, medicamentos falsificados “não são equivalentes aos originais em qualidade, segurança e eficácia”, lembra a acadêmica. Isso porque não estão cobertos pelas autoridades regulatórias do País, o que impede “detecção de possíveis falhas e reações adversas que possam acontecer, trazendo um risco maior ao usuário”, afirma.

Esses medicamentos podem não conter as substâncias declaradas no rótulo ou até conter outras substâncias. Podem ainda conter potência e quantidade de substâncias ativas diferentes das declaradas. E, ainda muito pior, conter fórmulas adulteradas ou com substâncias tóxicas, “causando danos ainda mais graves para a saúde”, alerta Kimberly.

Como identificar um medicamento falsificado ou adulterado?

Kimberly sugere alguns passos para verificar a autenticidade de um remédio. Primeiro, orienta a procurar na embalagem o número de registro na Anvisa e no Ministério da Saúde, que deve começar com o número 1. Ainda na embalagem, verificar o nome do farmacêutico responsável, com número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia, o número do lote e a data de validade. Estes dois últimos devem ser os mesmos impressos no produto.

A embalagem deve estar bem lacrada, em bom estado de conservação e conter também o número do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e o selo de segurança, que, “ao ser raspado, mostra a palavra qualidade e a marca do fabricante”, destaca a acadêmica.

Diante de falsificações de medicamentos, Kimberly orienta a denúncia aos órgãos competentes. Qualquer pessoa pode recorrer ao Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo através do e-mail: denuncia@crfsp.org.br ou do telefone 08007702273. A Anvisa também recebe denúncias ao Disque Saúde pelo email: ouvidoria@anvisa.gov.br ou pelo telefone 0800611997.


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