Pílula Farmacêutica #58: Conservação de vacina contra covid-19 exige processo de “rede de frio”

Temperatura ideal de refrigeração e cuidados no transporte e aplicação das vacinas garantem eficácia e menor desperdício

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Jornal da USP
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Pílula Farmacêutica #58: Conservação de vacina contra covid-19 exige processo de “rede de frio”
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O desenvolvimento recorde de vacinas contra a covid-19 e o início da imunização trouxeram esperança a todo o mundo, mas também muitas incertezas. O momento agora, de ansiedade pela chegada do imunizante, vem com dúvidas sobre seu processo de armazenamento e transporte. Estes são os assuntos tratados pela acadêmica Kimberly Fuzel, orientada pela professora Regina Andrade, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, nesta edição do Pílula Farmacêutica.

Vacina fora da temperatura ideal

Como medicamentos imunobiológicos termossensíveis, conta Kimberly, as vacinas precisam de cuidados especiais no armazenamento para preservar potência e eficácia. Para armazenamento, conservação, manipulação, distribuição e transporte de imunobiológicos, necessita-se de uma “rede de frio ou cadeia de frio” que assegure todas essas etapas em condições adequadas de refrigeração.

“Grande parte das vacinas são produzidas, usando ativos biológicos que exigem uma temperatura entre 2° a 8ºC, conhecidas como vacinas termolábeis e, por conta disso, não podem sofrer alterações de temperatura durante toda a rede de frio”, adianta a acadêmica. Os cuidados com a manutenção da temperatura correta, do laboratório até o momento em que é administrada, “preservam e garantem a qualidade e segurança do produto.”

Segundo Kimberly, apesar de existirem vacinas termoestáveis, com substâncias que se mantêm ativas durante um determinado período fora de refrigeração, a grande maioria é termolábil, necessitando de armazenamento e transporte com rigoroso controle da temperatura, além do respeito aos “procedimentos operacionais padrão muito bem definidos” para o manuseio desses produtos. Todos esses critérios são determinados pela Anvisa, responsável pela qualidade dos medicamentos no Brasil.

Armazenamento de vacinas na geladeira

Kimberly lembra que os erros mais comuns estão relacionados com o local de acondicionamento e manuseio, que não atendem às normas estabelecidas pela Anvisa. Pela resolução RDC 304/2019 ficou estabelecido que as vacinas, como medicamentos termolábeis, devem ser guardadas em equipamentos servidos com fonte de energia alternativa que garanta estabilidade da temperatura.

E essa temperatura precisa ser a ideal para cada medicamento, “já que cada medicamento tem sua particularidade e precisa ser mantido em temperaturas diferentes”. Assim, avisa a acadêmica, não adianta congelar a vacina, pois o excesso de resfriamento também é prejudicial para sua estabilidade e eficácia.

Qual a seringa e a agulha para vacinas?

Vacinas podem ser administradas com agulhas e seringas de diferentes calibres e modelos. Kimberly diz que o calibre da agulha se refere a seu diâmetro e, quanto maior for o número, mais fina é a agulha: “Uma agulha de calibre 27 é mais fina que uma de calibre 24”, exemplifica. As seringas, da mesma forma, diz, também variam de acordo com o volume a ser administrado. Os subcutâneos, como vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, utilizam volume máximo de 1,5 ml, “então as seringas mais indicadas são as de um, dois, dois e meio ou três ml, enquanto a agulha deve ser fina e curta”.

Para a vacina contra covid-19, conta Kimberly, indica-se o uso de agulhas mais finas para não desperdiçar o produto na hora da aplicação. Isso por causa do “espaço morto” existente entre o canhão da agulha e o bico de encaixe da seringa, que pode manter um volume residual do produto. Ao usar agulha com calibre menor, “é possível utilizar o volume residual do espaço morto, evitando que o medicamento seja desperdiçado”.

 


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