Pílula Farmacêutica #113: Sem orientação apropriada, medicamentos para doenças psíquicas podem piorar o transtorno mental

Tratamentos com psicotrópicos podem reduzir internações; mas uso prolongado de psicotrópicos também pode desencadear dependência física e psicológica

Jornal da USP
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Pílula Farmacêutica #113: Sem orientação apropriada, medicamentos para doenças psíquicas podem piorar o transtorno mental
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Usualmente utilizado no tratamento de doenças psíquicas como depressão, ansiedade, esquizofrenia e demências, os psicotrópicos ou psicofármacos são medicamentos que agem no sistema nervoso central produzindo alterações de comportamento, humor e cognição. Nesta edição do Pílula Farmacêutica, a acadêmica Giovanna Bingre, orientada pela professora Regina Andrade da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, explica o que são esses fármacos, como devem ser utilizados e as consequências do uso indiscriminado.

Um dos efeitos da introdução dos psicofármacos na saúde populacional é a diminuição na frequência de admissão hospitalar e ocupação de leitos. Apesar disso, “esta classe de medicamentos pode oferecer vários efeitos adversos, podendo piorar o quadro de um transtorno de saúde mental”, afirma a acadêmica. 

O uso prolongado dessa categoria de medicamentos, se não efetivamente orientado, oferece riscos à dependência física ou psíquica, além de aumentar a procura compulsiva do remédio, levando ao vício. Por conta disso, Giovanna destaca que os psicotrópicos são “produzidos, prescritos e vendidos sob cuidados especiais, obedecendo leis rigorosas e normas de segurança”. De acordo com a acadêmica, é por essa razão que os psicofármacos são prescritos com receitas especiais, por profissionais devidamente capacitados e de acordo com as listas de medicamentos escolhidos pela Anvisa. Mas Giovanna alerta que “o diagnóstico dessas doenças é delicado, sendo de fundamental importância o acompanhamento psiquiátrico”.

Como devem ser usados os psicotrópicos

A acadêmica conta que os psicotrópicos são classificados em oito categorias: ansiolíticos, sedativos, antipsicóticos, antidepressivos, estimulantes psicomotores, psicomiméticos e potencializadores da cognição, e são prescritos conforme o diagnóstico do paciente. “Para muitas doenças, os medicamentos são o tratamento principal, como no transtorno bipolar, em depressões ou no controle de ataques de pânico. Em outras doenças, como nos transtornos de personalidade, o acompanhamento psicológico é preferencial. E em muitas situações o ideal é a combinação dos dois tratamentos”, informa Giovanna.

A forma mais segura e simples de administração dos fármacos, segundo a acadêmica, é a via oral, mesmo que estes apresentem absorção lenta e diminuição da concentração do fármaco depois de passar pelo fígado. Uma alternativa para pacientes que apresentam baixa adesão ao tratamento medicamentoso por via oral é a administração injetável de liberação prolongada. Giovana ainda lembra que os psicofármacos também podem ser administrados por via sublingual, retal e subcutânea.


Pílula Farmacêutica
 
Apresentação: Kimberly Fuzel e Giovanna Bingre
Produção: Professora Regina Célia Garcia de Andrade e Rita Stella
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão 
E-mail: ouvinte@usp.br
Coordenação: Rosemeire Talamone
Horário: segunda e quarta, às 10h40
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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