Momento Tecnologia #47: Estudo de fármacos contra covid-19 deve levar em conta eficácia e segurança

Gustavo Henrique Goulart Trossini e Norberto Peporine Lopes falam sobre a complexidade envolvida numa pesquisa virtual cujo objetivo é a busca de um medicamento que atue contra a covid-19

Jornal da USP
Momento Tecnologia #47: Estudo de fármacos contra covid-19 deve levar em conta eficácia e segurança
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Remédios – Foto: Alejandro Baccarat – Flcikr

A pandemia do coronavírus acelerou ainda mais a busca por soluções, tratamentos e vacinas. Apesar de ainda não haver um medicamento ideal para o tratamento da covid-19, os estudos avançam em velocidade recorde. E parte dessa agilidade pode ser atribuída a uma estratégia chamada “reposicionamento de fármacos”. Uma pesquisa da USP realiza esse processo de busca de um medicamento contra a covid-19 virtualmente.

O procedimento utilizado pelos pesquisadores é composto de uma série de softwares. Por exemplo, o Spartan, que é utilizado para projetar virtualmente a geometria molecular dos fármacos, e o Cavity Plus, que examina as estruturas do vírus e do medicamento. A combinação permite encontrar possíveis pontos de interação entre eles. 

“A gente trabalha com a busca de candidatos a fármacos de maneira virtual. Temos uma base de moléculas que podem ou não ter ação contra a protease, nesse caso, uma proteína da covid. Essa busca de fármaco é longa e demanda muito custo. Nós partimos, então, de uma base de moléculas que já são fármacos utilizados, o que é conhecido como reposicionamento de fármacos”, explica Gustavo Henrique Goulart Trossini, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, responsável pelo estudo. Assim, um fármaco que já tem ação comprovada contra alguma outra doença é colocado à prova para verificar se tem ação também contra a covid-19. 

A química computacional, como é chamado o campo de estudo que engloba esse tipo de pesquisa, é, nesse caso, essencial ao realizar uma triagem e adiantar processos da busca pelo medicamento. Mas é preciso relembrar que a etapa virtual não exclui a necessidade da realização de testes biológicos, que comprovarão as evidências apresentadas.

“A questão hoje que a gente tem que se pautar é na eficácia e segurança, tanto para medicamento quanto para vacina. Hoje nós estamos, infelizmente – no mundo, mas no Brasil parece que isso é um pouco mais exacerbado -, levando as discussões do campo da razão para o campo de futebol. Se você deixar de trabalhar com a razão para trabalhar com a emoção, ou seja, apoiando tendências, partidos, ideologias, religião, o que você quiser, você cai em uma margem perigosa. É preciso ter certeza quanto à eficácia de um remédio. Teve eficácia? Perfeito! Qual a segurança dessa eficácia? Olha, ele cura 20% razoavelmente bem, mas ele mata 10% desses 20%. Vale a pena? Para ser razoável, tem que se basear em ciência”, afirma o professor Norberto Peporine Lopes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP.


Momento Tecnologia
Edição de roteiro: Denis Pacheco
Edição de som:  Guilherme Fiori
Edição geral: Cinderela Caldeira
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Horário: Quinzenalmente, terças-feiras, às 8h05

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