Momento Odontologia #94: Envelhecimento dos dentes: causas e prevenção

Especialista comenta a condição, que está cada vez mais presente em pessoas jovens

Jornal da USP
Momento Odontologia #94: Envelhecimento dos dentes: causas e prevenção
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O envelhecimento é algo natural, mas manter uma vida saudável ao longo da vida é um desafio. A chegada da velhice pode trazer vários problemas para o organismo, inclusive para a saúde bucal, especialmente para os dentes. Assim, prevenir problemas mais graves para os dentes implica receber atenção desde a primeira idade. 

Mas o envelhecimento precoce dos dentes é uma condição cada vez mais comum entre os jovens. Por isso, este foi o tema do Momento Odontologia desta semana, que recebeu o professor Ricardo Faria Ribeiro, titular e chefe do Departamento de Materiais Dentários e Prótese da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP.

Primeiro, o professor fala sobre as alterações mais comuns que aparecem nos dentes ao longo da vida, como as fisiológicas e as patológicas; em seguida, sobre o processo natural de envelhecimento da pessoa e suas consequências para a saúde bucal, e finaliza chamando a atenção para o envelhecimento precoce dos dentes, condição que pode ter se agravado no último ano, por condições vivenciadas desde o início da pandemia, como estresse e ansiedade. 

Segundo Ribeiro, alterações fisiológicas são “consideradas normais no processo de envelhecimento”, já as alterações patológicas são “decorrentes de algum processo não tão normal”.  As alterações fisiológicas incluem, por exemplo, mudança de cor devido à pigmentação por agentes externos, como cigarro, tabaco ou café. Já as principais alterações patológicas mais comuns, e que podem levar à perda da estrutura dos dentes, ocorrem na forma de lesões não cariosas.

O professor diz, ainda, que entre os principais tipos de condição estão a atrição, “que se caracteriza pelo desgaste do contato dente a dente durante a mastigação”, e a abrasão, “uma perda da estrutura dental, devido a um processo mecânico anormal, como escovação muito intensa e excessiva e até hábitos nocivos, como morder tampa de caneta ou grampo de cabelo”.  

Perda de dente pode ser um erro durante o cuidado

Para Ribeiro, não se pode afirmar que os dentes caem só porque o paciente ficou idoso. “Os dentes de leite são projetados para cair em algum momento e serem substituídos por dentes permanentes, que existem para ficar na boca durante toda a vida da pessoa”, destaca o professor, que ainda ressalta que “a perda do dente é um erro que aconteceu durante o cuidado”.

Por isso, alerta, “a gente precisa sempre cuidar da prevenção, manter uma boa higiene bucal e procurar tratamento tão logo a gente perceba qualquer tipo de problema”. O professor explica que a prevenção pode evitar que cáries, que começam muito pequenas, fiquem muito extensas, levando a problemas de canal, gengivite e periodontite, que podem se tornar fator de risco para outras doenças, como osteoporose, diabete, doenças respiratórias e doenças cardíacas, por exemplo.

Além disso, a perda de dentes vai ter efeitos negativos em funções envolvidas na cavidade bucal, como digestão, pronúncia, estética, além de poder causar doenças geriátricas sistêmicas, como arteriosclerose e anemias, por exemplo.

“Se a gente puder evitar que os problemas se instalem, melhor, senão temos que atuar o mais rápido possível”, diz o professor. Segundo ele, pensar na hereditariedade, se cuidar desde pequeno, manter um estilo de vida saudável e ter uma educação referente aos cuidados bucais é essencial.

Envelhecimento precoce dos dentes

O professor ainda alerta para o chamado envelhecimento precoce dos dentes. É porque, antigamente, a cárie e a doença periodontal eram as grandes preocupações da população. Mas, com o passar do tempo, o aparecimento de condições como a atrição, a abrasão ou a hipersensibilidade dos dentes tornou-se comum em pessoas entre 25 e 30 anos de idade.

Para Ribeiro, em casos como esses, é preciso procurar atendimento especializado o mais rápido possível. Isso porque, se o envelhecimento dos dentes se estabelecer, a pessoa vai ter uma aparência envelhecida também, “o que pode trazer até prejuízos psicológicos para o paciente”.

Evitar este envelhecimento precoce requer cuidados com os dentes. Manter a boca limpa e a gengiva saudável “é fundamental”. Além disso, hábitos vistos como inocentes, como morder caneta ou pedra e gelo, também devem ser retirados da rotina, “porque podem causar trincas e fraturas nos dentes”.

Situações comuns da vida moderna, como estresse e ansiedade, podem contribuir para esse envelhecimento precoce dos dentes, alerta Ribeiro. E a pandemia de covid-19 tem agravado essas condições. “O exagero em bebidas, o bruxismo e doenças gástricas, que também podem ter relação com estresse e ansiedade, fazem com que apareçam cada vez mais situações que levam ao aparecimento de lesões não cariosas.”

Produção e Apresentação: Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição Sonora: Gabriel Soares
Edição Geral: Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: segunda-feira, às 8h05
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
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