Momento Odontologia #79: Condição popularmente chamada de dente de giz pode afetar 20% das crianças e trazer prejuízos em diversas áreas

A condição, tecnicamente chamada de Hipomineralização Molar-Incisivo e popularmente de dente de giz, provoca dores e sensibilidade nas crianças, além de contribuir para a baixa autoestima

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Momento Odontologia #79: Condição popularmente chamada de dente de giz pode afetar 20% das crianças e trazer prejuízos em diversas áreas
Momento Odontologia - USP

 
 
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Uma malformação do esmalte dentário, que provoca o aparecimento de  manchas branco-amareladas ou amarronzadas, é a Hipomineralização Molar-Incisivo, ou, simplesmente, “dente de giz”. Essa condição altera a qualidade e dureza do dente afetado, que fica mais poroso, enfraquecido, dolorido, e mais fácil de ser atingido pela cárie dental, o que prejudica a qualidade de vida, especialmente, de crianças. 

A condição é “a mais comum e prejudicial malformação do esmalte dentário de crianças”, explica Fabrício Kitazono de Carvalho, professor do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, que participa do Momento Odontologia desta semana. “Chamamos de Hipomineralização Molar-Incisivo porque os dentes mais afetados são os molares e incisivos permanentes e porque o problema é a falta de minerais no dente, como, por exemplo, o cálcio da estrutura dental.”

A condição afeta cerca de 20% das crianças, especialmente, entre 5 e 6 anos de idade, porque “nessa idade é muito comum que as crianças tenham autonomia de escovar os próprios dentes, o que pode contribuir para que os pais só percebam essas alterações de cor nos dentes quando as crianças reclamam de dor ou outro sintoma”, explica Carvalho. Ele ainda conta que, quando os pais procuram o tratamento odontológico, muitas vezes os dentes já estão quebrados ou com cárie. Por isso, “é importante que os pais de crianças nessa idade tentem notar pequenas alterações de cor nos dentes, ou levar as crianças ao dentista logo que os dentes aparecem na boca”.

O professor explica que não há uma causa única para o problema. Ele destaca que problemas de saúde nos três primeiros anos de vida da criança podem causar o “dente de giz” e que também podem existir fatores genéticos para a condição. “Ela é mais frequente em crianças nascidas prematuras, com baixo peso, em doentes celíacos e em crianças com infecções recorrentes de ouvido”, destaca. Uma outra dificuldade da doença é a prevenção. “Como não se tem certeza da causa, também não se tem uma fórmula ou medicamento para prevenir.”

A principal consequência da condição é o aumento da sensibilidade dolorosa, diz o professor. Ele ainda explica que o dente que tem essa malformação é muito poroso, então, “estímulos que não geram dor em dentes normais geram dor nos dentes afetados, como tomar um líquido mais frio, mastigar, escovar os dentes e até mesmo respirar pela boca”. A partir disso, surge o termo “dente de giz”, já que o giz é um material quebradiço e o dente com essa malformação também, por ser mais sensível.

A Hipomineralização Molar-Incisivo também atinge os chamados “dentes da frente”, prejudicando a estética, e causando baixa autoestima. “Isso tudo junto gera aumento da ansiedade, estresse familiar e prejuízo na qualidade de vida dessas crianças.”

Se estiver com dúvidas se seu filho ou sua filha está com essa malformação, o professor ressalta que a primeira opção é de consultar um cirurgião-dentista, de preferência o Odontopediatra. “Diagnóstico precoce leva à necessidade de resolução de problemas mais simples, com menor sofrimento por parte das crianças, maior conforto e menos custo para o tratamento”, enfatiza.

Além disso, é “fundamental aumentar o nível de informação de todos e as pessoas que estão em contato com crianças devem conhecer mais sobre problemas como este, que prejudicam a qualidade de vida”.

Para mais informações é só acessar as redes sociais da Odontopediatria USP Ribeirão no Facebook e no Instagram. Por lá, você vai encontrar uma série de imagens e posts educativos sobre este e outros assuntos de saúde bucal.

Ouça este episódio do Momento Odontologia na íntegra no player acima.

Produção e Apresentação: Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição Sonora: Gabriel Soares
Edição Geral: Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: segunda-feira, às 8h05
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
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