Momento Odontologia #76: Quatro a cada dez crianças apresentam algum tipo de malformação no esmalte dentário 

As causas vão desde doenças sistêmicas até mutações genéticas e os defeitos aparecem como manchas esbranquiçadas ou amareladas, fenda ou fossa na sua superfície, que deveria ser brilhante e lisa. Os defeitos do esmalte dentário podem levar a outros problemas e impactar na estética bucal e na qualidade de vida das crianças

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Momento Odontologia #76: Quatro a cada dez crianças apresentam algum tipo de malformação no esmalte dentário 
Momento Odontologia - USP

 
 
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Nossos dentes, quando estão se formando, estão sujeitos a diversos tipos de problemas, desde aqueles causados por doenças sistêmicas e traumas locais até mutações genéticas. Esses problemas podem fazer com que apareçam  defeitos nos dentes, entre eles no desenvolvimento do esmalte, a parte mais visível do dente. No programa Momento Odontologia desta semana, o professor Fabrício Kitazono de Carvalho, do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, fala sobre o esmalte dentário e os defeitos mais comuns na sua formação. 

Carvalho explica que o esmalte dentário é o tecido mais duro de todo o corpo humano, e é a parte visível dos dentes. Enquanto os ossos têm por volta de 70% de conteúdo mineral, no esmalte são mais de 95%. Outra característica do esmalte é o de não se regenerar espontaneamente, ou seja, uma vez formado e consolidado, já não se forma mais. “Em outras palavras, não cicatriza nem se repara, no máximo ganha minerais superficialmente, geralmente da nossa própria saliva.”

Carvalho lembra que esses defeitos podem aparecer na cavidade bucal da criança como manchas esbranquiçadas ou amareladas, ou mesmo com uma fenda ou fossa na sua superfície, que deveria ser brilhante e lisa. “Os defeitos do esmalte dentário podem levar a outros problemas, como aumento da sensibilidade dolorosa, o risco à cárie e de fraturas, impactando na estética bucal e na qualidade de vida das crianças que os possuem.” 

Dados da literatura mostram que ao somar todos os tipos de defeitos de desenvolvimento quatro a cada dez crianças até 12 anos de idade devem apresentar algum tipo de malformação de esmalte dentário visível. Esses defeitos se apresentam em dois grupos: a hipoplasia de esmalte, quando  o dente apresenta alguma fenda, fossa, ranhura ou um “buraco” na superfície do esmalte. E a hipomineralização de esmalte, quando a forma e contorno do dente são normais, mas sua superfície aparece com algum tipo de mancha ou opacidade de cor diferente do normal. 

O mais comum é esses defeitos aparecerem num único dente, mas também podem aparecer em mais de um e muito raramente em todos, tanto nos de leite como nos permanentes. “Existe a amelogênese imperfeita, uma desordem genética-hereditária raríssima, que leva a alterações em todos os dentes, tanto nos de leite como nos permanentes, causando muitos problemas clínicos aos seus portadores.” 

A causa mais comum para defeitos do esmalte dentário em vários dentes ao mesmo tempo é a fluorose dentária, que aparece em vários grupos de dentes permanentes ao mesmo tempo e é resultado da ingestão em quantidade maior que a recomendada de fluoretos durante a infância. Os fluoretos estão presentes na água que bebemos e nas pastas de dente, por isso “os órgãos responsáveis devem dosar e controlar rigorosamente a quantidade de fluoretos na água de abastecimento, e, em casa, devemos tomar bastante cuidado para não usar uma quantidade exagerada de pasta de dente quando vamos escovar os dentes das nossas crianças, e muito menos deixá-las comer pasta de dente, o que pode ser muito mais comum do que imaginamos”.

A Hipomineralização Molar-Incisivo, ou HMI, é um tipo mais específico de hipomineralização, ou seja, um defeito na qualidade do esmalte, que se apresenta com uma deficiência no seu conteúdo mineral, caracterizada por uma mancha bem demarcada, de cor que pode variar entre um branco mais pálido a até um amarelado ou mesmo acastanhado. Essa mancha lembra o aspecto de um giz ou mesmo como se o dente estivesse formado em algum lugar por farinha ou cal. “Na HMI o esmalte pode ficar quebradiço e muito poroso, causando na criança muitas vezes sintomatologia dolorosa e muita facilidade para quebrar e maior risco para aparecimento de cárie. A HMI é bastante comum, com uma média de cerca de 20% de prevalência no Brasil e no mundo. Ou seja, cerca de uma a cada cinco crianças acima de 6 anos de idade pode apresentar este tipo de problema de esmalte.

O professor lembra que as hipoplasias e as hipomineralizações podem ser bastante comuns e afetam muito a qualidade de vida da criança, por isso necessitam sempre serem avaliadas por um cirurgião-dentista ou odontopediatra. 

Ouça este episódio do Momento Odontologia na íntegra no player acima. 

Produção e Apresentação: Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição Sonora: Gabriel Soares
Edição Geral: Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: segunda-feira, às 8h05
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
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