Momento Odontologia #130: Fendas labiopalatinas acometem cerca de uma a cada 700 crianças nascidas vivas e exigem tratamento multidisciplinar

A causa da condição não é bem definida, mas em grande parte é por uma falha de emenda de processos da face entre a quarta e a décima semana de gestação e algumas vezes pode estar relacionada a alguma síndrome, mas na imensa maioria das vezes a fenda labiopalatina não tem uma causa definida

Momento Odontologia - USP
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Momento Odontologia #130: Fendas labiopalatinas acometem cerca de uma a cada 700 crianças nascidas vivas e exigem tratamento multidisciplinar
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No Momento Odontologia desta semana o médico Cristiano Tonello, professor do curso de Medicina da USP em Bauru e chefe técnico do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) fala sobre fissuras ou fendas labiopalatinas, popularmente conhecidas como lábio leporino, atendendo pedido de ouvinte do Rio Grande do Norte.

O professor diz que algumas crianças já nascem com essa condição, uma descontinuidade da região do lábio e muitas vezes do céu da boca. A condição pode ser identificada por meio de ultrassom, ainda durante o pré-natal da grávida, e acomete em média uma a cada 700 crianças nascidas vivas, o que pode comprometer, por exemplo, a fala e a estética. 

O professor afirma que, em grande parte das vezes, a condição não tem um componente de hereditariedade ou seja, ela não é herdada dos pais e as orientações para as gestantes são as mesmas que servem para toda grávida: evitar a o uso de álcool e de tabaco, fazer a suplementação com ácido fólico. “A causa não é bem definida, mas em grande parte é por uma falha de fusão, ou seja, uma falha de emenda de processos da face num momento muito precoce ainda na gravidez, entre a quarta e a décima semana de gestação. Algumas vezes pode estar relacionada a alguma síndrome, mas na imensa maioria das vezes a fenda labiopalatina não tem uma causa definida.”

Sobre as consequências na vida da pessoa, Tonello diz que além da questão estética, a abertura na região do lábio traz comprometimento, já no primeiro momento, para o aleitamento materno, com consequências ao longo do tempo relacionadas, principalmente, à fala, à oclusão dos dentes e, algumas vezes, relacionadas também ao crescimento da maxila. “O tratamento é cirúrgico, obviamente, mas todas essas as condições, de comprometimento e consequências, podem ser tratadas e devem ser acompanhadas por uma equipe experiente e multiprofissional.”

Tonello informa que, além da USP em Bauru, por meio do HRAC, que tem quase 60 anos de história no tratamento dessas condições, vários centros no País fazem a cirurgia de reparação e o tratamento para portadores da fenda labiopalatina. Cita, ainda, a Smile Train, instituição filantrópica internacional, com representantes no Brasil, que possibilita a cirurgia reparadora para esses casos e o tratamento multidisciplinar.

Produção e Apresentação Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
 
 

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