Momento Cidade #16: Você sabe o que é poluição luminosa?

Para especialistas da USP, a iluminação artificial excessiva traz gastos desnecessários para as cidades, além de impactar negativamente na saúde da sua população

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Momento Cidade #16: Você sabe o que é poluição luminosa?
Momento Cidade - USP

 
 
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Como uma das maiores cidades do mundo, São Paulo é também uma das mais iluminadas. De acordo com dados do site do Departamento de Iluminação Pública, a capital tem cerca de 560 mil lâmpadas, distribuídas por uma rede que cobre uma extensão de aproximadamente 17 mil km.

No entanto, nem sempre essa vasta estrutura de iluminação é positiva para a cidade e para seus habitantes. Por isso, o Momento Cidade desta semana buscou responder a pergunta: você sabe o que é poluição luminosa?

A poluição luminosa é toda iluminação artificial utilizada inadequadamente, utilizada de uma maneira outra que não para o seu objetivo principal”, explica Tania Dominici, astrofísica formada na USP e, atualmente, pesquisadora do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A especialista é autora de um blog dedicado ao assunto.

Em entrevista, ela comenta pesquisas que apontam os malefícios da quantidade excessiva de iluminação artificial nas grandes cidades. “As pesquisas científicas sobre o impacto da iluminação na vida humana têm crescido de maneira considerável”, revela. Esses impactos afetam “desde a saúde humana, a saúde dos animais, o período de floração de plantas, a produção de alimentos e até a perda de contato com a observação do céu noturno”, lista ela.

Não por acaso, uma pesquisa publicada em 2017 no periódico científico Science Advances, revelou que o excesso de luz noturna pode confundir nosso ritmo circadiano – que é o nosso ciclo biológico natural, influenciado pelo dia e pela noite  -, aumentando o risco de câncer, diabete e depressão.

Planejar de forma mais consciente a iluminação pública das cidades pode atenuar esse impacto. Por isso, Italo Fernandes, arquiteto e doutorando da USP, se dedicou a investigar a ciência por trás desse planejamento. “Precisamos ter em mente que os espaços públicos no Brasil têm uma característica muito particular em comparação com outros espaços, por exemplo, na Europa e nos Estados Unidos. Temos uma tônica muito forte aqui que quanto mais luz, melhor, ou quanto mais luz, mais seguro, sendo que isso, não necessariamente, vai coibir o crime”, esclarece.

Tanto para Fernandes quanto para Tania, o objetivo das cidades deveria ser compreender qual é a “iluminação ideal” para cada espaço. “A iluminação ideal é justamente entendermos que a iluminação faz diferença significativa na paisagem da cidade, ela comunica como é que a cidade ser apresentada perante a população que vive e que a visita”, defende o arquiteto.

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Ficha técnica

Reportagem: Denis Pacheco
Edição: Guilherme Fiorentini

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