Momento Cidade #13: Como combater o calor em São Paulo?

Planejamento urbano que inclui uso de pavimentos permeáveis, ampliação dos espaços com vegetação e uma maior presença de corpos d’água são recomendações de especialistas em conforto ambiental

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Momento Cidade #13: Como combater o calor em São Paulo?
Momento Cidade - USP

 
 
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Em setembro deste ano, uma onda de calor atingiu o Estado de São Paulo e a sua capital em pleno inverno. A temperatura chegou em 38ºC e a defesa civil emitiu um alerta.

Cada vez mais comuns, as ondas de calor são um período prolongado de tempo excessivamente quente. A definição depende da temperatura considerada normal em cada zona. Por exemplo, em um país tropical como o Brasil, 15 °C pode ser considerada uma temperatura de inverno. Entretanto, em países em que a temperatura dificilmente chega ao calor do nosso verão, 15 °C pode ser sinônimo de um dia quente.

Em vista disso, especialistas e autoridades estão atentos ao termômetro, já que o calor excessivo, quando atinge grandes cidades, pode ter consequências letais.

Para entender melhor esse problema, o Momento Cidade desta semana procurou especialistas para responder: como combater o calor em São Paulo?

De acordo com Kelen Almeida Dornelles, professora e pesquisadora no Laboratório de Conforto Ambiental do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP, o que se pode fazer pra minimizar os impactos do calor excessivo nas cidades é “em primeiro lugar, evitar a impermeabilização das superfícies, dos pavimentos principalmente”. De acordo com ela, o uso de pavimentos que não são permeáveis dificulta a absorção da água pelo solo e isso impacta bastante nas temperaturas superficiais.

Além disso, quando o assunto é controlar a temperatura nos espaços urbanos, a recomendação é investir em planejamento. Para a professora Denise Duarte, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e especialista nos estudos envolvendo adaptação das cidades aos fenômenos de aquecimento urbano, é possível “ajudar a mitigação do aquecimento global diminuindo emissões de transportes, por exemplo, de aparelhos de ar condicionado, e produzindo energia de fontes de limpas”.

Conforme a especialista, isso é trabalho tanto da gestão pública quanto de profissionais que atuam na área da arquitetura e do urbanismo. “Eu acho que a partir do momento em que você é um profissional capacitado, você tem em sua responsabilidade, seja atuando onde for”, defende ela. 

Para ambas as professoras, para enfrentar o calor nas cidades, levando em conta as atuais circunstâncias das mudanças climáticas no planeta, é preciso investir em espaços com presença significativa de vegetação, em uma combinação de áreas sombreadas e que recebam insolação. Além disso, a presença de corpos d’água como rios, lagos e até mesmo fontes com chafariz melhoram consideravelmente condições de conforto ambiental, ajudando na regulação da temperatura.

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Quer saber mais sobre como as mudanças climáticas irão impactar a vida nas cidades? Ouça no décimo sexto episódio Ciência USP uma entrevista com Henrique Barbosa, cientista do clima e professor do Instituto de Física (IF) da USP, que comenta os resultados de um estudo suíço que estimou como poderá ser o clima em 2050 em um conjunto de mais de 500 grandes cidades no mundo. 

Ficha técnica

Reportagem: Denis Pacheco
Edição: Beatriz Juska

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