Minuto Saúde Mental #9: É mito que as taxas de suicídio são maiores nos países nórdicos

As taxas registradas ficam abaixo até mesmo da média europeia, com 15,4 por 100 mil habilitantes, com exceção da Finlândia, 15,9 por 100 mil, que mesmo assim ainda fica bem abaixo da Lituânia, 31,9, ou da Rússia, 31

Jornal da USP
Minuto Saúde Mental #9: É mito que as taxas de suicídio são maiores nos países nórdicos
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Existe um mito de longa data de que as taxas de suicídio nos países nórdicos, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, são as mais altas do mundo.

No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa diz que esse mito talvez tenha se iniciado provavelmente a partir de um discurso do presidente norte-americano Eisenhower, na década de 1960, no qual listava os malefícios derivados do Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) e sugeria (sem nomear) a Suécia como um exemplo de país onde a população era a que mais cometia suicídio no mundo. A fama desse discurso, e talvez seu recorrente uso político posterior, cristalizou essa como mais uma das ideias fantasiosas associadas ao povo sueco e, por extensão, aos seus irmãos geográfico-culturais. 

O professor lembra que, na verdade, embora nos chamados países nórdicos haja problemas como em qualquer lugar do mundo, segundo o último relatório produzido pela Organização Mundial da Saúde (2016) sobre o assunto, nenhum deles se encontra nem mesmo entre os dez primeiros no ranking mundial das taxas de suicídio por 100 mil habitantes. As taxas registradas ficam abaixo – Suécia 14,8; Islândia 14; Dinamarca 12,8 e Noruega 12,2 – até mesmo da média europeia, com 15,4 por 100 mil habilitantes, com exceção da Finlândia, 15,9 por 100 mil, que mesmo assim ainda fica bem abaixo da Lituânia (31,9) ou da Rússia (31), por exemplo.

“Assim conclui-se que não se comete mais suicídio nos países nórdicos que em qualquer outro dos países ocidentais industrializados. A triste dianteira desse problema cabe hoje mais aos países da Europa Oriental, sobretudo do antigo bloco soviético, e aos países do Oriente, como a Coreia do Sul e o Japão. O Brasil, segundo o mesmo relatório, apresenta uma taxa de 6,5 por 100 mil.”

Para finalizar, o professor diz que “o suicídio é um fenômeno social multifatorial, que sofre flutuação temporal, se relaciona ao estado de saúde mental do indivíduo, mas também pode se associar às variações nas condições históricas, socioeconômicas e nos costumes de uma população, merecendo por isso ser frequentemente estudado para que se criem estratégias visando à sua minimização no mundo”.

Texto: Ildebrando Moraes de Souza

Minuto Saúde Mental tem apresentação do professor João Paulo Machado de Sousa, produção dos professores Sousa e Jaime Hallak, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa do CNPq e Fapesp.


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