Minuto Saúde Mental #8: É comum transtorno de ansiedade provocar sintomas físicos

Sensações de que há algo de errado com o coração ou com a respiração e dores na barriga, náusea e sensação de formigamento são alguns sintomas comuns que acompanham os transtornos de ansiedade

Jornal da USP
Minuto Saúde Mental #8: É comum transtorno de ansiedade provocar sintomas físicos
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No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre as pessoas que vão ao pronto-socorro repetidas vezes, com dor no peito e o coração acelerado, e o médico lhes diz que é “emocional”, mas dizem que sentem dores de verdade e questionam: “Isso pode ser coisa da minha cabeça?”.

Segundo o professor, dizer que algo é “coisa da sua cabeça” não precisa ser o mesmo que dizer que não existe ou não é importante. “Na verdade, isso que está acontecendo com você acontece com muitas pessoas que sofrem de transtornos de ansiedade e só são diagnosticadas depois de várias visitas aos serviços de emergência.”

É muito comum que os transtornos de ansiedade provoquem sintomas físicos, principalmente com sensações de que há algo de errado com o coração ou com a respiração. “Dores na barriga, náusea e sensação de formigamento são mais alguns sintomas comuns que acompanham os transtornos de ansiedade.”

Sousa diz que hoje em dia ouvimos falar muito de síndrome do pânico ou transtorno do pânico, mas muita gente ainda não sabe direito o que é isso. Para começar, um ataque de pânico é uma sensação repentina de medo ou forte desconforto físico e mental, que atinge grande intensidade em poucos minutos e que é frequentemente acompanhada de palpitação, taquicardia e sensação de sufocamento. Por causa desses sintomas, é comum que a pessoa que está tendo uma crise de pânico pense que está sofrendo um infarto ou algo grave desse tipo e procure um serviço de emergência médica. É como se a ansiedade e o desconforto fossem “de 0 a 100” em uns poucos minutos. Quando esses ataques se repetem, dizemos que a pessoa sofre de transtorno do pânico.

Além disso, explica, pessoas com transtorno do pânico podem desenvolver medos que atrapalham a vida cotidiana, como o de estar em lugares fechados ou desconhecidos ou em situações de onde pode parecer difícil sair, caso ela sinta a chegada dos sintomas de uma crise de pânico, como filas ou no transporte público, por exemplo. “O nome desses medos desproporcionais em situações comuns da vida é agorafobia.”

O professor finaliza dizendo que “felizmente, embora o transtorno de pânico e a agorafobia causem muito desconforto e prejuízos para a vida da pessoa, eles costumam responder bem ao tratamento com psicoterapia e com os remédios que temos disponíveis hoje”.

Minuto Saúde Mental tem apresentação do professor João Paulo Machado de Sousa, produção dos professores Sousa e Jaime Hallak, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa do CNPq e Fapesp.


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