Minuto Saúde Mental #5: É importante distinguir tristeza de depressão

O critério principal que devemos usar para diferenciar as duas coisas é a existência de um evento que justifique o sentimento, além da duração dos sintomas e dos problemas que eles trazem para a pessoa, diz o professor João Paulo Machado de Sousa

Jornal da USP
Minuto Saúde Mental #5: É importante distinguir tristeza de depressão
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Tenho me sentido muito triste e desanimado nestes tempos de isolamento. Será que estou ficando deprimido? Depressão é o tema do Minuto Saúde Mental desta semana, com o professor João Paulo Machado de Sousa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. 

Segundo o professor, é muito importante fazermos uma distinção clara entre tristeza e depressão. “A tristeza é uma emoção humana desagradável, mas natural, que tem a ver com o contexto que estamos vivendo em um determinado momento. Já a depressão é um transtorno mental com características próprias, que vão muito além da tristeza.”

Saiba diferenciar tristeza de depressão

O critério principal que devemos usar para diferenciar as duas coisas, diz o professor, é a existência de um evento que justifique o sentimento, além da duração dos sintomas e dos problemas que eles trazem para a pessoa.  “No caso da perda de alguém importante, por exemplo, é natural que a pessoa sinta uma tristeza muito profunda, que vai acabar afetando seu dia a dia e atrapalhando suas atividades e relacionamentos. Se tudo correr de forma saudável, essa tristeza vai passar progressivamente e a pessoa vai retomar suas atividades normais, conforme isso acontece.”

O professor alerta que, na depressão, que também pode ser disparada por um evento muito triste, a tristeza não reage de forma normal ao longo do tempo e outros sintomas importantes aparecem, como a perda de interesse ou prazer em atividades importantes para a pessoa, alterações de sono e de apetite, irritabilidade e sentimentos de culpa e desespero, chegando até a vontade de acabar com a própria vida. “Para o diagnóstico de depressão, os sintomas devem durar pelo menos duas semanas contínuas e estar presentes a maior parte do tempo.”

Em função do período específico e de grande incerteza que estamos vivendo, segundo Sousa, é natural que a gente se sinta triste e sem esperança em alguns momentos. “No entanto, se os seus sentimentos negativos estiverem tomando a maior parte do seu dia, atrapalhando a realização das suas atividades rotineiras e tirando totalmente o seu interesse ou prazer em coisas que sempre gostou de fazer, é hora de acender o sinal amarelo, observar com cuidado e procurar ajuda, se necessário”, conclui.

O Minuto Saúde Mental tem apresentação do professor João Paulo Machado de Sousa, produção dos professores Sousa e Jaime Hallak, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa do CNPq e Fapesp.


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