Minuto Saúde Mental #40: A duração de um tratamento psiquiátrico depende de muitos fatores

Algumas pessoas se dão muito bem com a medicação e ficam surpresas com a melhora na qualidade de vida que ela pode trazer; outras, porém, não têm uma boa resposta e não sentem grandes benefícios

Jornal da USP
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Minuto Saúde Mental #40: A duração de um tratamento psiquiátrico depende de muitos fatores
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No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Macho de Sousa fala sobre o uso prolongado de medicamentos psiquiátricos e a possibilidade de dependência desses fármacos. “Para muitas pessoas, já é difícil procurar ajuda quando acreditam que estão sofrendo de algum problema de saúde mental e, depois que conseguem buscar um profissional, é comum que surjam dúvidas como essa.”

O fato é, diz o professor, que não há uma resposta definitiva para essa pergunta e o tempo que cada pessoa vai precisar usar uma medicação psiquiátrica depende de muitos fatores. Para começarmos sem ilusões, é importante saber que o mais provável é que seu tratamento seja mesmo longo, indo de vários meses a alguns anos, pelo menos.

Os transtornos mentais que demandam tratamento com medicamentos variam em termos de gravidade e do quanto eles afetam a vida cotidiana da pessoa. Existem transtornos que exigem tratamento contínuo pela vida toda e, embora isso não seja uma perspectiva agradável, é semelhante ao que acontece em certos casos de diabete ou hipertensão, por exemplo.

A duração do tratamento também vai depender da resposta individual de cada paciente. Algumas pessoas se dão muito bem com a medicação e ficam surpresas com a melhora na qualidade de vida que ela pode trazer; outras, porém, não têm uma boa resposta e não sentem grandes benefícios. Além da melhora ou ausência de melhora nos sintomas, também é importante avaliar o impacto dos efeitos colaterais da medicação, que podem acabar impedindo a continuidade do tratamento mesmo que a pessoa sinta benefícios. Essa variação na resposta de cada pessoa às medicações psiquiátricas tem a ver com diferenças genéticas, fisiológicas e psicológicas entre as pessoas.

Nunca é demais destacar que os tratamentos com medicações psiquiátricas devem ser sempre supervisionados por um médico e que existem riscos sérios quando usamos estes remédios por conta própria. Além disso, nunca se deve aumentar ou diminuir doses ou, principalmente, interromper o tratamento por decisão própria porque os sintomas diminuíram ou a medicação não parece estar ajudando. Estes remédios provocam mudanças no funcionamento do cérebro e sua interrupção repentina pode causar efeitos graves como vertigens ou convulsões, por exemplo.

Resumindo, a resposta para sua pergunta sobre a duração do tratamento vai depender do quadro que precisa ser tratado e de sua resposta individual às medicações receitadas, mas não há dúvidas de que as medicações psiquiátricas ajudam muita gente a levar uma vida melhor e com menos sofrimento.


Minuto Saúde Mental

Apresentação: João Paulo Machado de Souza

Produção: João Paulo Machado de Souza e Jaime Hallak

Coprodução e edição: Rádio USP Ribeirão

Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp

 

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