Minuto Saúde Mental #4: Não são as variações de humor que definem a bipolaridade de uma pessoa

A alternância rápida de estados diferentes de humor se chama labilidade emocional e pode ser sintoma de diferentes transtornos mentais, ou mesmo de nenhum, diz o professor João Paulo Machado de Sousa

Jornal da USP
Minuto Saúde Mental #4: Não são as variações de humor que definem a bipolaridade de uma pessoa
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Esta semana, no podcast Minuto Saúde Mental, o professor João Paulo Machado de Sousa, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, fala do humor daquele seu amigo que cada hora está de um jeito. Em um momento está animado e brincalhão e, no momento seguinte, está bravo ou irritado com todo mundo. Segundo o professor, seu amigo pode ser bipolar, mas não são essas variações de humor que definem isso. “A alternância rápida de estados diferentes de humor se chama labilidade emocional e pode ser um sintoma de diferentes transtornos mentais, ou mesmo de nenhum.” 

Diferente do que muita gente pensa, diz o professor, o diagnóstico de transtorno bipolar depende da ocorrência de episódios de agitação mental significativa que recebem o nome de episódios maníacos ou hipomaníacos. “A pessoa que está em um episódio hipomaníaco apresenta pensamento acelerado, menor necessidade de sono, autoestima aumentada, impulsividade e aumento geral da energia, entre outros sintomas. Em um episódio maníaco, a pessoa apresenta essas características de forma mais grave, incluindo ideias de ter habilidades ou dons especiais, desinibição social importante (com comportamentos muitas vezes inadequados) e até psicose, que é a perda de contato com a realidade.”

O transtorno bipolar tem dois tipos. O paciente recebe o diagnóstico de transtorno bipolar do tipo 1 quando apresenta pelo menos um episódio maníaco, que muitas vezes se alterna com episódios depressivos. Já no transtorno bipolar do tipo 2, acontecem pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo.

Sousa informa que, além desses dois, existe o transtorno ciclotímico, diagnosticado quando a pessoa apresenta alguns episódios de hipomania e alguns episódios de depressão, mas sem gravidade suficiente que caracterize transtorno bipolar do tipo 1 ou 2.

“É importante saber que a pessoa que sofre de qualquer um destes transtornos chamados de bipolares tem mudanças significativas e duradouras no seu jeito normal de se comportar e que essas mudanças não podem estar associadas ao uso de álcool, drogas ou medicações. Os transtornos bipolares precisam ser identificados e tratados corretamente, já que afetam a vida da pessoa e atrapalham atividades como o trabalho, relacionamentos e interações pessoais.”

O Minuto Saúde Mental tem apresentação do professor João Paulo Machado de Sousa, produção dos professores Sousa e Jaime Hallak, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa do CNPq e Fapesp.


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