Minuto Saúde Mental #24: Depressão é um transtorno que afeta, sim, crianças e adolescentes

A depressão nos anos iniciais de vida é menos comum antes da puberdade, mas sua frequência aumenta muito e chega a taxas elevadas depois deste período do desenvolvimento

Jornal da USP
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Minuto Saúde Mental #24: Depressão é um transtorno que afeta, sim, crianças e adolescentes
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O tema do podcast Minuto Saúde Mental desta semana vem preocupando muitos pais e profissionais da saúde e da educação, e para comentar sobre ele o professor João Paulo Machado de Sousa convidou a psiquiatra da infância e adolescência Luciana Rabelo de Lima Hallak.

Segundo Luciana, hoje não há mais dúvidas entre os profissionais de saúde da que, infelizmente, a depressão é um transtorno que afeta, sim, crianças e adolescentes. A depressão nos anos iniciais de vida é menos comum antes da puberdade, mas sua frequência aumenta muito e chega a taxas elevadas depois deste período do desenvolvimento. Além disso, ela tende a afetar mais as meninas, em uma proporção de dois para um com relação aos meninos, como visto nos adultos.

É importante destacar que a depressão é uma doença e, portanto, não se trata de uma falha da pessoa ou da família. Crianças e adolescentes podem apresentar um único episódio depressivo que não será seguido por outros, mas o curso da doença também pode ser crônico, com vários episódios seguidos ao longo da vida. Quanto mais cedo ela aparece, maior a chance de recidivas, que é o nome que damos aos episódios sucessivos.

A profissional explica que o diagnóstico de depressão em crianças e adolescentes é baseado nos mesmos sintomas que são observados em adultos, mas que algumas adaptações podem ser necessárias. O principal exemplo disso é que, em pacientes mais jovens, a tristeza frequentemente descrita pelos adultos pode ser substituída pela irritabilidade. Além disso, podem estar presentes pensamentos negativos, falta de energia e mudanças no apetite ou no sono (que podem aumentar ou diminuir). Como pacientes mais jovens tendem a ter menor capacidade de descrever seus sentimentos, devemos ficar atentos a sinais como irritação exagerada, queda no rendimento escolar e retraimento social.

Quanto ao tratamento, a Luciana lembra que ele deve ser feito de acordo com um plano individualizado que leve em conta as necessidades específicas de cada paciente e de cada família. Muito mais do que no caso dos adultos, o envolvimento da família é crucial quando a depressão atinge pessoas mais jovens.

É interessante destacar que, em casos mais leves, a primeira medida do tratamento pode ser a “espera atenta”, um período que pode variar entre duas e quatro semanas e durante o qual o profissional irá observar se a criança e a família conseguem arrumar um jeito próprio de mudar o quadro.

Para casos moderados e graves, as recomendações são iguais àquelas do tratamento para adultos, combinando psicoterapia e tratamento medicamentoso. Por último, a psicoeducação também é um recurso importante. Ela consiste na transmissão de informações pelo profissional que ajuda o paciente e sua família a entender o que está acontecendo, como são os sintomas e o que precisa ser feito para buscar a melhora.


Minuto Saúde Mental

Apresentação: João Paulo Machado de Souza

Produção: João Paulo Machado de Souza e Jaime Hallak

Coprodução e edição: Rádio USP Ribeirão

Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp

 

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