Minuto Saúde Mental #19: É verdade que alguém pode ser viciado em sexo?

O transtorno de comportamento sexual compulsivo é caracterizado como um “padrão persistente de falha no controle de impulsos ou urgências sexuais intensos e frequentes que resultam em comportamento sexual repetitivo”

Jornal da USP
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Minuto Saúde Mental #19: É verdade que alguém pode ser viciado em sexo?
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Segundo o professor João Paulo Machado de Sousa, para responder a essa pergunta, primeiro é necessário definir o significado de vício. E vício em sexo é o tema do Minuto Saúde Mental desta semana. Segundo Sousa, um vício é a necessidade incontrolável de ceder a um impulso que só perde força através do contato, consumo, ou uso de um determinado meio de satisfação. Como a natureza humana é muito complexa e faz com que as fontes de satisfação variem de um indivíduo para outro, elas podem trazer a possibilidade de se tornarem disfuncionais.

Álcool, drogas, comida e mesmo coisas consideradas pela maioria das pessoas como positivas, incluindo exercícios físicos, trabalho e sexo, fazem parte da longa lista de fontes de satisfação humana e são exemplos com potencial de se tornarem coisas boas ou ruins para as pessoas, dependendo da relação que estabelecemos com elas. 

Se falamos em termos de um diagnóstico propriamente dito, é importante mencionar que o tema causou bastante polêmica na última década, quando foram publicadas as versões atualizadas dos dois principais manuais diagnósticos usados por profissionais de saúde mental.

Enquanto o manual diagnóstico (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana, optou por não incluir uma categoria que teria o nome de “transtorno de hipersexualidade”, o CID-11, publicado pela Organização Mundial da Saúde, traz a categoria de “transtorno de comportamento sexual compulsivo”. Em linha com o que dissemos no começo do programa, o transtorno de comportamento sexual compulsivo é caracterizado como um “padrão persistente de falha no controle de impulsos ou urgências sexuais intensos e frequentes que resultam em comportamento sexual repetitivo”.

Nesses casos, as atividades sexuais acabam por ocupar um papel tão significativo na vida da pessoa que faz com que ela deixe de lado atividades importantes, como cuidados pessoais e responsabilidades.

Como é fácil imaginar, a internet pode ser um fator problemático adicional na ocorrência de problemas desse tipo, já que oferece acesso rápido a conteúdo sexual de todos os tipos, de um modo que apela facilmente a indivíduos com problemas de controle de impulso e compulsões.

Se você desconfia que o seu interesse em sexo possa estar prejudicando suas atividades ou relacionamentos, supere a vergonha e procure ajuda.

Colaboração:  Ildebrando Moraes de Souza


Minuto Saúde Mental

Apresentação: João Paulo Machado de Souza

Produção: João Paulo Machado de Souza e Jaime Hallak

Coprodução e edição: Rádio USP Ribeirão

Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp

 

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