Jornal da USP no Ar – Medicina #21: USP realizará maior estudo sobre hábitos alimentares

Maria Laura Louzada afirma que é urgente conhecer qual o padrão alimentar dos brasileiros para prevenir doenças crônicas. Em outra frente importante de pesquisa, o professor Mário Scheffer comenta parceria entre USP, Ministério da Saúde e Opas/OMS para identificar demanda de médicos no País

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Jornal da USP no Ar – Medicina #21: USP realizará maior estudo sobre hábitos alimentares
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Estudos sobre padrões alimentares estão sendo cada vez mais usados para identificar a relação com o risco de desenvolvimento de doenças crônicas. Descobrir perfis de alimentação permite o reconhecimento da importância de certos padrões em proteger a população de doenças e promover a saúde. Diante disso, o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP (Nupens-USP) da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP se propôs a realizar um estudo ambicioso com pessoas de todas as regiões do País para identificar características da alimentação brasileira que aumentam ou diminuem o risco de doenças muito frequentes, como obesidade, diabete, hipertensão, doenças do coração e câncer: o Nutrinet Brasil.

“É muito importante estudar qual é o padrão alimentar dos brasileiros. Além de descobrir quais as características desse padrão, que possui variação regional e que vai proteger a saúde dos  brasileiros”, explica Maria Laura Louzada, professora do Departamento de Nutrição da FSP-USP e pesquisadora do Nupens, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

“O Nutrinet se propôs a ser o maior estudo de acompanhamento de pessoas já realizado no Brasil, com o objetivo de acompanhar por dez anos pelo menos 200 mil pessoas.” Sendo totalmente virtual, com cadastro feito no site nutrinetbrasil.fsp.usp.br, qualquer brasileiro acima de 18 anos, residente nas 27 unidades da federação, pode participar, mediante resposta de um questionário que vai coletar informações como alimentação do dia anterior, histórico de doenças e escolaridade. A pesquisadora garante que não é preciso se preocupar com a coleta de dados, pois eles ficarão armazenados sob absoluto sigilo.

E no intuito de melhorar a organização na formação de médicos e de entender a oferta de trabalho da classe médica no País, o projeto Provmed 2030 foi recentemente assinado pelo Ministério da Saúde, Universidade de São Paulo (USP) e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS). O projeto está sendo coordenado pelo professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. Para ele, o objetivo do estudo “é contribuir para a elaboração de um modelo capaz de analisar/projetar a necessidade futura de médicos no Brasil”.

De acordo com o professor, existem mais de 340 escolas médicas pelo Brasil. Essas escolas formarão mais de 35 mil novos médicos por ano a curto prazo. Esse dado é interessante, pois Scheffer comenta que a quantidade de médicos formados há dez anos era de 20 mil médicos por ano. Sendo assim, há uma necessidade de organização dessa nova oferta de trabalho. “Por que um país com tantos médicos convive com falta de médicos em diversas localidades, serviços e especialidades?”, questiona o professor. Além do problema de distribuição geográfica, há um problema de distribuição nos sistemas de saúde. Isso ocorre pois há maior interesse na oferta de trabalho em estruturas privadas do que no Sistema Único de Saúde (SUS).

Há a necessidade de entender as tendências atuais e ter um planejamento de políticas relacionadas à oferta, expansão e distribuição dos serviços. Ele comenta que “há uma demanda por determinados serviços, médicos especialistas e precisamos readequar para melhorar os indicadores de saúde, para atingir metas, aproximando cada vez mais o perfil do médico formado à realidade do sistema de saúde e da população”.

Não se esqueça, essas e outras entrevistas você acompanha de segunda a sexta, das 7h30 a 9h30, na Rádio USP 93,7 em São Paulo, e 107,9 em Ribeirão Preto e streaming. Você pode baixar o podcast e ouvir a qualquer hora, acessando jornal.usp.br  ou utilizar seu agregador de podcast preferido, no Spotify, iTunes e CastBox.

Apresentação e produção: Roxane Ré
Edição de Som: Cido Tavares

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