Jornal da USP + “A sociedade mudou, e nós não percebemos”

No USP Talks, reitores da três universidades estaduais paulistas enfatizam necessidade de uma maior interação com a sociedade. Cada reitor fez uma apresentação individual de 15 minutos, e na sequência participaram de um debate com a plateia, em que foram levantados diversos temas. Entre eles, o programa Future-se, do governo federal, e a CPI das universidades, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Os vídeos do evento estão disponíveis no canal do USP Talks no YouTube, onde é possível assistir também a todos os eventos anteriores do programa.

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Jornal da USP + “A sociedade mudou, e nós não percebemos”
Jornal da USP +

 
 
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As universidades precisam interagir mais com a sociedade, e se comunicar melhor com ela, reconhecendo que as demandas e a percepção pública dessas instituições estão em constante evolução.

“Esse é o nosso grande desafio”, disse o reitor da USP, Vahan Agopyan. “Não porque a universidade ficou isolada numa torre de marfim”, como se costuma dizer, mas porque “a sociedade mudou, e nós não percebemos”, completou.

Os comentários foram feitos na última edição do USP Talks, que reuniu os reitores das três universidades estaduais paulistas para falar sobre os desafios da educação no Brasil, no último dia 20, em São Paulo.

Segundo Vahan, a sociedade hoje é “mais exigente, mais preparada e tem expectativas maiores” do que antigamente, que precisam ser levadas em conta na maneira como as universidades se relacionam com ela. “Não adianta falar em número de papers ou prestígio do paper, porque não é o que a sociedade deseja”, disse. “Quero que a sociedade entenda que a universidade é onde ela vai conseguir ter as suas discussões e o seu desenvolvimento. Essa é a nossa meta.”

O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel , falou sobre a necessidade de dar mais flexibilidade ao sistema e ampliar a multidisciplinaridade da formação universitária, buscando melhorar a preparação dos alunos para os novos desafios do século 21 — incluindo a capacidade de se adaptar rapidamente a novas carreiras e novas tecnologias que deverão surgir, muitas vezes de forma inesperada.

“Estamos indo na contramão do mundo inteiro no que se refere à maneira de ensinar e ao que ensinamos”, disse Knobel. “Nosso sistema é engessado, extremamente conteudista, rígido e muito, muito complicado. Tudo no sentido contrário do que a tendência mundial indica.”

“Sem dúvida precisamos avançar e começar a educar para o século 21, e não continuar ensinando como no século 19”, destacou, também, o reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sandro Valentini. Ele lembrou da sua origem simples no interior paulista, filho de um funileiro mecânico, e disse que entende a educação como uma forma de emancipação. “Todos os jovens deveriam ter essa oportunidade.”

Valentini destacou também o papel da internacionalização, “não apenas para atingir rankings, mas para transformar os jovens”; e a importância de demonstrar o impacto social das pesquisas feitas nas universidades, “muito importante para recuperar ou fortalecer a nossa legitimidade perante a sociedade”.

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