Humor reforçou políticas de branqueamento nos anos 1920 no Rio de Janeiro

Em entrevista aos “Novos Cientistas” desta quinta-feira (28), a historiadora Maria Margarete dos Santos Benedicto falou sobre sua pesquisa de doutorado defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O estudo tem como objetivo contribuir para o melhor entendimento das relações entre o humor e o racismo

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Humor reforçou políticas de branqueamento nos anos 1920 no Rio de Janeiro
Novos Cientistas

 
 
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Afinal, quem riu? A questão é parte do título da pesquisa de doutorado da historiadora Maria Margarete dos Santos Benedicto realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Sob a orientação do professor Elisa Thome Saliba, Margarete mostra em seu estudo como a ideologia do branqueamento influenciou nas representações dos negros e de seus descendentes, nos textos, poesias satíricas e nas ilustrações de revistas humorísticas daquele período, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Em entrevista aos Novos Cientistas, a autora da pesquisa Quaquaraquaquá quem riu? Os negros que não foram… : A representação humorística sobre os negros e a questão do branqueamento da belle époque aos anos 1920 no Rio de Janeiro, falou de algumas de suas motivações para realizar o estudo. “Comecei a questionar: se uma das funções do humor é a crítica à sociedade vigente, ele também produziu reforços de estereótipos e de racismo”, relatou. “Ao retomar o tema em meu doutorado novos questionamentos surgiram. Devemos rir de tudo, inclusive de piadas racistas? O humor pode contribuir para a formação e manutenção do racismo na sociedade?”. Devido à sua formação de historiadora, Maria Margarete decidiu então revisitar a formação da República, que foi marcada pela política de branqueamento, utilizando o viés dos humoristas daquele período.

O estudo tem como objetivo contribuir para o melhor entendimento das relações entre o humor e o racismo. “A análise daquela sociedade pelo riso proporcionou uma leitura mais elucidativa”, descreveu a pesquisadora. Pelas publicações foi possível verificar como os preconceitos inspiraram a produção daqueles humoristas. “O humor faz parte de uma reflexão sobre a estrutura social a qual ele habita”, refletiu a historiadora, ressaltando que “o riso causa o enfraquecimento de uma possível indignação”. O estudo foi realizado a partir da investigação dos trabalhos de Antônio Torres, Emílio de Menezes e da revista humorística D. Quixote, de propriedade e direção de Manoel Bastos Tigre.

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