Fake News Não Pod #8: Vacinas são feitas de fetos abortados?

Vacinas contêm vírus cultivados em células fetais humanas, mas essas células não fazem parte da composição da vacina

Jornal da USP
Fake News Não Pod #8: Vacinas são feitas de fetos abortados?
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Há décadas a desinformação sobre vacinas utilizando preceitos morais e religiosos vem circulando para impedir a vacinação. Uma desinformação que voltou a circular no contexto da pandemia da covid-19 é a de que as vacinas em teste no Brasil contêm células de fetos abortados. No podcast Fake News Não Pod desta semana, a acadêmica Laura Colete Cunha, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, explica que essa informação é falsa.  

Laura diz que vacinas contêm vírus cultivados em células fetais humanas, mas essas células não fazem parte da composição da vacinaAs células humanas fetais são muito utilizadas na pesquisa, como a linhagem HEK-293, que provém de células embrionárias renais, isoladas em 1973. Hoje, as células usadas na produção de vacinas não são as mesmas das originais. As células atuais são imortalizadas, ou seja, incapazes de sofrerem um processo de morte celular, e são úteis para produzir vetores virais de vacinas, como adenovírus modificados, sem as alterações que uma célula diferenciada, ou “madura”, realiza. Além do mais, essas células são utilizadas no desenvolvimento de terapias gênicas e contra o câncer. 

Tal boato, diz Laura, relacionando aborto e vacinação, explora uma dimensão absurda e um tabu da nossa sociedade. “O aborto, ao ser vinculado à propagação da “antivacina” gera desconforto, chama a atenção e pode gerar uma reação absurda e desproporcional. Caso a pessoa não tenha os recursos necessários para julgar tal notícia com 100% de segurança, ela automaticamente irá considerar a vacinação um procedimento pautado em práticas socialmente reprováveis.”


Fake News não Pod
Produção: Vydia Academics, Pretty Much Science (PMScience),
Projeto: João Fake News (bit.ly/JoaoFakeNews).
Roteirista e apresentadora: Laura Colete Cunha
Edição: Rádio USP Ribeirão Preto
Coordenação geral: Rosemeire Talamone e Cinderela Caldeira 

 

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