Pílula Farmacêutica #34: Coágulos que se formam em trombose podem ser fatais

Com a covid-19, casos da doença encontrada, principalmente, nos pulmões e coração das vítimas, têm preocupado autoridades

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Pílula Farmacêutica #34: Coágulos que se formam em trombose podem ser fatais
Pílula Farmacêutica

 
 
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O Pílula Farmacêutica desta semana trata de um tema que vem preocupando as autoridades de saúde por causa da covid-19, a trombose. É que os estudos, a maioria pós-morte, têm mostrado presença de pequenos coágulos (microtrombos) no pulmão e coração das vítimas.

Mas em um trabalho recente, realizado na USP em Ribeirão Preto, os pesquisadores conseguiram identificar esses microcoágulos embaixo da língua de doentes logo no primeiro dia de internação no Hospital das Clínicas. Segundo informa a acadêmica Giovanna Bingre, orientanda da professora Regina Andrade, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, assim como coágulos maiores, os microcoágulos “podem se deslocar e ir para regiões mais delicadas do corpo”.

O novo coronavírus pode até intensificar as ocorrências de trombose, mas só acrescenta maior morbidade a um conjunto de doenças que são a primeira causa de mortes em todo o mundo, as doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada ano, morrem cerca de 17 milhões de pessoas por essas condições. E a trombose integra esse conjunto de doenças.

Giovanna conta que a trombose ocorre, geralmente, pela formação de um coágulo de sangue (trombo) nas veias das pernas, podendo bloquear o fluxo de sangue e ainda se deslocar para outras partes do corpo, como os pulmões (embolia pulmonar) ou o cérebro (Acidente Vascular Cerebral – AVC), o que pode ser fatal.

Na embolia pulmonar, os sintomas são respiração curta, tosse com sangue e desmaios. Já no AVC pode ocorrer formigamento, paralisação, dificuldade de falar, de enxergar, de se movimentar, tontura e confusão mental. Porém, às vezes, a trombose pode ser completamente assintomática.

Quanto às causas da trombose, Giovanna adianta que diversos fatores podem aumentar os riscos da doença; entre eles, a obesidade, gravidez, insuficiência cardíaca, problemas circulatórios, tabagismo e idade avançada. Uso de anticoncepcionais e tratamentos hormonais também aumentam as chances de trombos, assim como longas viagens aéreas ou passar muito tempo sentado, como os caminhoneiros e trabalhadores de escritórios.

O tratamento da trombose, alerta a acadêmica, deve ser rápido para evitar os casos mais sérios (embolia e AVC) e complicações como a síndrome pós-trombótica (comprometimento do fluxo sanguíneo pode ocasionar dermatites e úlceras na pele). O tratamento, quando diagnosticado, é realizado através de medicamentos, com a recomendação de uso de meias elásticas de compressão.

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