Ambiente é o Meio #56: Áreas protegidas demandam diferentes ações frente às mudanças climáticas

Ecólogo explica a relação do desmatamento, a emissão de carbono e as mudanças climáticas, a partir de estudo de áreas protegidas em todo o Brasil

Ambiente é o meio - USP
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Ambiente é o Meio #56: Áreas protegidas demandam diferentes ações frente às mudanças climáticas
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Ambiente é o Meio desta semana conversa com o ecólogo David Montenegro Lapola, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Autor contribuinte do sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e autor principal do Painel Científico da Amazônia (SPA), o especialista fala sobre um estudo do Cepagri que avaliou 993 áreas protegidas em todo o território nacional.  

Lapola conta que o estudo começou com uma iniciação científica. O objetivo era “pegar todas as áreas protegidas no Brasil pertencentes ao SNUC, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação”, incluindo também terras indígenas que não são unidades de conservação, e relacionar as projeções de mudanças climáticas que o IPCC estava indicando para essas áreas. 

“Com esse banco de dados feito, a gente partiu para a elaboração de um artigo”, continua Lapola, citando os desdobramentos do estudo ao informar que classificaram essas áreas protegidas com recomendação de tipos de ações para cada uma. A classificação, afirma o pesquisador, foi baseada em duas medidas, a de resiliência, que levava em consideração algumas características da área protegida; e a de dano observado sob a perspectiva de “magnitude de mudança climática que iria ser enfrentada por aquela área protegida”. 

Para as áreas protegidas com resiliência alta e pouco atingidas por mudanças climáticas, os pesquisadores fizeram recomendações de uma estratégia de refúgio. Precisavam de monitoramento sem nenhuma intervenção maior. Já para as áreas protegidas com baixa  resiliência e impacto pequeno das mudanças climáticas, foi recomendada uma estratégia de manutenção do ecossistema. 

Os ecossistemas com resiliência alta, mas com previsão de serem atingidos fortemente por mudanças do clima, o estudo avaliou que o próprio ecossistema se adaptaria, “ principalmente, se ele tivesse boa conectividade”.

No último caso, áreas protegidas com baixa resiliência e previsão de impacto climático alto, os pesquisadores recomendaram as “transições facilitadas, com ações de intervenção mais ativas”, afirma. 


Ambiente é o Meio

Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão 
E-mail: ouvinte@usp.br
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