Os desafios da graduação com ensino presencial, revisão de currículos e criação de métricas

O novo pró-reitor de Graduação, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, e o pró-reitor adjunto, Marcos Neira, iniciaram a gestão à frente da Pró-Reitoria com um desafio

 17/03/2022 - Publicado há 4 meses  Atualizado: 18/03/2022 as 17:56
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O novo pró-reitor de Graduação, Aluísio Augusto Cotrim Segurado, e o pró-reitor adjunto, Marcos Neira, iniciaram a gestão à frente da Pró-Reitoria com um desafio imediato e urgente: retomar as aulas presenciais após dois anos de isolamento social, causado pela pandemia da covid-19, em que as disciplinas dos cursos foram ministradas de modo remoto.

“Este ano, nossa meta é resgatar o convívio acadêmico presencial, que consideramos imprescindível para a formação universitária em uma universidade de ensino, pesquisa, cultura e extensão, como é o caso da nossa. Isso não significa que a USP não se manteve ativa durante o período da pandemia. Foram diversas contribuições significativas que a Universidade aportou para a sociedade nesses dois anos. Mas a situação epidemiológica atual permite que possamos resgatar esse convívio nas salas de aula, nos laboratórios e demais ambientes de ensino”, destaca Segurado.

O pró-reitor conta que o processo de retomada exigiu um planejamento minucioso, que teve início com o mapeamento das condições de cada Unidade de Ensino e Pesquisa para esse retorno. “Fizemos uma pesquisa junto aos presidentes das Comissões de Graduação para levantar as condições e avaliar as possibilidades de retomada no dia 14 de março. Esse levantamento mostrou que a maioria das Unidades estava em  adequadas condições para esse retorno. Surgiram alguns pontos de dúvidas, que foram levados à Comissão Assessora da Reitoria para Assuntos Relacionados à Covid-19 [da qual o pró-reitor faz parte] para se discutir as alternativas para esses temas”, afirma.

A partir daí, foi possível que as Unidades se preparassem, com a reorganização das turmas, aquisição de equipamentos, modificação dos ambientes de ensino e atualização dos programas das disciplinas.

Outra importante ação nesse sentido é o lançamento, nos próximos dias, de um edital para a criação de programas de tutoria com o objetivo de “apoiar atividades de compensação de perdas pedagógicas acumuladas durante o período da pandemia”, diz o pró-reitor.

Segurado explica que a proposta do edital é que os professores apresentem planos para a recuperação pedagógica para as disciplinas que irão ministrar no primeiro semestre de 2022: “Fizemos um mapeamento e serão oferecidas cerca de 5 mil disciplinas neste semestre para 9 mil turmas. Os professores poderão apresentar um plano de atividades complementares, como seminários, discussões e exercícios, para serem ofertadas em horários alternativos para recuperar eventuais perdas de aquisição de conteúdos nos anos precedentes e que permitam que o desenvolvimento de disciplinas possa ser feito com mais sucesso neste semestre”.

Aluísio Augusto Cotrim Segurado, Pró -reitor de Graduação (PRG) – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O edital prevê que alunos de graduação e de pós-graduação e pós-doutorandos poderão se inscrever como tutores para acompanhar o professor responsável pela disciplina no desenvolvimento dessas atividades complementares, no período de abril a julho deste ano.

Esses tutores, cuja seleção será feita ainda no mês de março, receberão uma bolsa, cujo valor será estipulado a partir do número de demandas recebidas. Serão investidos recursos da ordem de R$ 3 milhões no programa.

Em julho, o programa será avaliado, com a possibilidade de extensão para o próximo semestre.

Integração, mobilidade e formação docente

Além da readequação ao ensino presencial, a atuação da Pró-Reitoria tem como base outros quatro eixos principais: atualização e flexibilização curricular, aprimoramento pedagógico, aproximação de cursos e áreas e redução da evasão.

Em relação à atualização e flexibilização curricular e à aproximação de cursos e áreas, Segurado avalia que uma das missões da PRG é incentivar as Unidades a reverem e flexibilizarem seus currículos para aumentarem a interdisciplinaridade e a formação interprofissional.

“As grades curriculares são, por vezes, fragmentadas e estanques entre as Unidades de Ensino e Pesquisa. Queremos desenvolver essa nova plataforma possibilitando uma maior integração interdisciplinar e multiprofissional”, considera o pró-reitor.

Outro projeto é retomar a mobilidade discente, tanto nacional quanto internacional, cerceada pela pandemia. “Além de desenvolver os editais de mobilidade internacional, a proposta é desenvolver também a mobilidade nacional, que inclui parcerias e convênios com instituições estaduais e federais, em parceria com a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional [Aucani]”, afirma.

Em termos de aprimoramento pedagógico, a Pró-Reitoria quer fomentar a criação de grupos de trabalho que se debrucem em oportunidades de capacitação docente e de compartilhamento de experiências de ensino de graduação. “Há várias Unidades que já têm centros de formação docente bem estruturados. Nossa ideia é mapear essas experiências exitosas e fazer essa troca com outras Unidades, de sorte que se possa desenhar programas mais transversais de formação docente”, assevera.

Criação de indicadores

Antes de assumir o novo cargo, o pró-reitor esteve à frente da coordenação do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), criado para melhorar a coleta e análise de dados sobre a Universidade, construir métricas que ajudem a traduzir a atividade acadêmica e ampliar a transparência da gestão universitária. E pretende levar a experiência adquirida para fazer uma gestão orientada pela análise de indicadores na graduação.

“Inicialmente, isso significa identificar indicadores de desempenho na graduação que sejam sinalizadores da necessidade de alguma intervenção e acompanhá-los, com apoio dos chamados visualizadores sintéticos, ou dashboards, em inglês. As novas ferramentas computacionais estão sendo desenvolvidas pela Superintendência de Tecnologia da Informação e nos permitirão acompanhar graficamente  indicadores sensíveis de desempenho acadêmico dos alunos e dos cursos e identificar  necessidades de intervenção visando aprimorar a qualidade do ensino de graduação e até reduzir a evasão”, especifica.

“O ensino de graduação é a vitrine da nossa universidade, um orgulho para a sociedade paulista e brasileira e é muito emblemático, porque a USP, pela sua posição no mundo latino-americano, é sempre vista como uma referência. Propostas de aprimoramento criativas poderão, se bem-sucedidas, servir de inspiração para outras instituições. Estou muito entusiasmado, mas, ao mesmo tempo, com um frio na barriga natural dos novos desafios, o que, por outro lado, também dá energia para enfrentar essa tarefa”, conclui Segurado.


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