Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP promove cursos para professores com a temática indígena

As formações trazem perspectivas indígenas sobre sua cultura, ampliando o conhecimento e tolerância a serem desenvolvidos nas salas de aula

 29/11/2022 - Publicado há 2 meses

O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP está com inscrições abertas até 30 de novembro para o curso para professores intitulado Abordagem da temática indígena em sala de aula com o MAE-USP: enfoque na arqueologia, que será ministrado pelo educador Maurício André da Silva, de 9 a 13 de janeiro, das 13h30 às 17h30. Os encontros terão lugar na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH) da USP. As inscrições para participar devem ser feitas por este link e as formações são livres para todos os docentes, independente da rede em que atuam.

Formação de Professores/as no MAE-USP com as Maquetes Táteis de Arqueologia Brasileira – Foto: Ader Gotardo

 

A iniciativa faz parte do 22º Encontro USP Escola, um programa semestral que acontece durante as férias de janeiro e de julho – para obter melhor aproveitamento dos educadores -, com atividades gratuitas, multiculturais e interdisciplinares, que auxiliam a formação de docentes da educação básica. “Esse diálogo com os sujeitos da escola contribuiu para o aperfeiçoamento das atividades de formação inicial de docentes na Universidade, uma vez que nos permite compreender quais são os temas, desafios e questões que marcam a escola pública contemporânea”, explica Eduardo Girotto, coordenador do Encontro USP Escola.

Suas formações visam a estimular a postura crítico-reflexiva e a construção do pensamento autônomo, a partir da produção de saberes. Desde seu início em 2007, pelo Instituto de Física (IF) da USP, já atendeu mais de dez mil professores. Na 22ª edição, o cronograma contará com mais de 40 palestras, oficinas e debates sobre diversas temáticas em todas as áreas do conhecimento. “Todos os temas dos cursos, palestras e oficinas são escolhidos em diálogo com os sujeitos da educação básica, para que eles possam partilhar suas experiências em sala de aula”, conta Girotto. A programação completa pode ser vista neste link.

Arqueologia brasileira

O curso que será ministrado por Silva busca abordar os estudos da arqueologia brasileira e do patrimônio cultural, com enfoque nas questões indígenas em sala de aula. “A abordagem do curso irá apresentar as principais discussões da arqueologia atual e como ela pode fornecer muitos elementos para que professores/as discutam em sala de aula sobre a presença indígena milenar no território que hoje chamamos de Brasil”, explica o educador.

Maquete Tátil de Arqueologia Brasileira, com o foco na arqueologia amazônica – Foto: Ader Gotardo

 

Em entrevista ao Jornal da USP, Silva conta que seu curso terá uma base teórica, mas também será bastante prático, revisitando materiais educativos que acompanham as novas produções arqueológicas do País. “Cada dia iremos explorar uma temática dialogando com algum material ou alguma exposição em cartaz, como a nossa Reserva Técnica Visitável, que possui uma robusta coleção de arqueologia amazônica e as exposições que estão em cartaz no MAE”, conta o educador.

Já no dia 1º de dezembro, das 9 às 12 horas, o MAE fará uma formação de professores sobre Educação escolar indígena no território Laklãnõ, com a pesquisadora e arqueóloga indígena Walderes Coctá Priprá, Laklãnõ/Xokleng. O objetivo do evento é refletir sobre os desafios da abordagem ética da temática em sala de aula. “O evento é para levar a história e cultura do povo indígena e mostrar que agora é o momento de contarmos nossa trajetória, dizer que pertencemos à história do Brasil e que precisamos ser visibilizados”, afirma Walderes. Para participar, as inscrições devem ser feitas pelo e-mail educativo.mae@usp.br ou telefone: 11 3091-4905.

Kit Educativo de Arqueologia e Etnologia do MAE-USP – Foto: Ader Gotardo

 

O encontro trará debates sobre a inserção da temática indígena na sala de aula, como garantido na Lei nº 11.645, de 10 março de 2008, complementar à Lei 10.639, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras, africanas e indígenas. “Vou falar sobre os desafios que os professores indígenas encontram para conseguir trabalhar de uma forma realmente diferenciada”, conta Walderes. “Trazer fatos que mostram como a sabedoria dos sábios e anciãos tem ajudado e contribuído para recontar a história do povo Laklãnõ”, complementa.

O grupo Laklãnõ é formado por cerca de 2.800 indígenas e se localiza no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Em entrevista ao Jornal da USP, Walderes conta a dificuldade que os Laklãnõ enfrentaram para sobreviver diante de intolerâncias à sua cultura. “Um povo que teve que lutar muito para sobreviver aos ataques dos colonos europeus que chegavam de todos os lados para construir suas colônias”, lamenta a arqueóloga.


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