USP lança projeto voltado para a arte urbana

Projeto USP_Urbana tem como objetivo ampliar o diálogo da Universidade com a sociedade por meio da arte

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O Mural da Escuta foi idealizado pelo grafiteiro Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A USP inaugura, no dia 13 de novembro, o Mural da Escuta, grafite que ocupará a parede externa do Espaço das Artes, antigo prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC), localizado na Cidade Universitária, no campus de São Paulo. O mural faz parte do projeto USP_Urbana, que tem como objetivo ampliar o diálogo da Universidade com a sociedade por meio da arte.

O projeto é uma iniciativa da Reitoria, por meio das Pró-Reitorias de Graduação e de Cultura e Extensão Universitária, com a parceria da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e do MAC, e abrange uma série de atividades que irão culminar no Primeiro Seminário de Arte Urbana, promovido em abril de 2018.

Além do grafite, as próximas ações do projeto ocorrerão em dezembro com o lançamento de um edital voltado à comunidade universitária para a promoção de intervenções artísticas no campus e a projeção mapeada na fachada lateral do prédio atual do MAC, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

“Pela primeira vez, a USP se abre para o tema da arte urbana, em um esforço multidisciplinar que envolve diversas áreas do conhecimento, como arte, arquitetura, urbanismo, economia, turismo, história, entre outras. Faculdades, professores e alunos estão sendo engajados no processo de reconhecimento da importância da arte urbana para a cidade de São Paulo e da sua história para a arte. Com essa iniciativa, a USP se conecta ainda mais com seu entorno e conecta São Paulo com uma rede internacional de cidades criativas por meio do intercâmbio com as universidades que as representam”, destaca o reitor da USP, Marco Antonio Zago. “É a USP derrubando os muros que a separavam da sociedade”, complementa.

Mural-grafite

O Mural da Escuta foi idealizado pelo grafiteiro Daniel Melim, em colaboração com as artistas Simone Siss e Laura Guimarães, para ocupar temporariamente a parede externa do prédio do Espaço das Artes, localizado em frente à Praça do Relógio, local de encontro no campus da USP, em São Paulo. Pintado com tinta acrílica e spray, principalmente por meio da técnica do estêncil, comum aos três artistas, o mural-grafite mede cerca de 60 metros de comprimento por cinco metros de altura.

A obra evoca a importância da escuta para a valorização da voz feminina no mundo e, especificamente, no ambiente universitário. O coletivo de artistas aborda a temática a partir das experiências em seus trabalhos, nos quais a mulher é sempre a protagonista.

Pintado com tinta acrílica e spray, o mural-grafite mede cerca de 60 metros de comprimento por cinco metros de altura – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Melim discute a questão da imagem estereotipada da mulher na propaganda, desconstruindo na paisagem urbana espaços que eram dedicados à exploração dos estereótipos femininos pela publicidade. Simone Siss discute explicitamente as questões da insubmissão e dignificação da mulher, através das imagens e poesias que imprime em seus grafites. Já Laura Guimarães discute o protagonismo feminino por meio da palavra escrita, em poemas e microtextos impressos em cartazes e paredes da cidade.

Na obra instalada na USP, Melim compõe as áreas de cor sobre as quais se acomodam as imagens figurativas e textos poéticos que formam o conjunto do painel. As formas geométricas que se insinuam ao longo do mural foram inspiradas nas sombras geradas pelos Bichos, esculturas cambiantes de Lígia Clark. As faixas verticais, de diferentes alturas e cores, que aparecem no centro do mural, representam alguns dos índices de pesquisa sobre os vários tipos de violência contra a mulher no ambiente universitário.

Simone Siss usa a máscara para simbolizar a situação de permanente discriminação a que se sujeita a mulher nos diferentes ambientes em que está determinada a conquistar espaços. A principal figura retratada pela artista no mural é a atriz americana Merle Oberon, que interpretou George Sand, pseudônimo da romancista Amandine Aurore Lucile, no filme “À Noite Sonhamos”, de 1945. 

Laura Guimarães mantém uma permanente pesquisa sobre a condição feminina na sociedade contemporânea, transformando os relatos em poemas. Para o Mural da Escuta, a artista focou sua pesquisa em depoimentos de alunas que estudam e moram no campus, buscando mapear aflições e alegrias, conquistas e decepções, situações e expectativas que marcam a mulher no ambiente universitário (veja, a seguir, mais imagens da obra).

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Fotos: Marcos Santos / USP Imagens
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