USP e Embaixada da França promovem debate sobre biografia de Lévi-Strauss

Livro é considerado a mais completa obra sobre o antropólogo que revolucionou os estudos sobre os povos indígenas

Por - Editorias: Institucional
(Da esq. p/ dir.) A autora do livro, Emmanuelle Loyer, e as professoras Fernanda Arêas Peixoto e Manuela Carneiro da Cunha – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A USP e a Embaixada da França no Brasil promoveram, no dia 8 de maio, um bate-papo sobre o livro Lévi-Strauss, a mais completa obra sobre o antropólogo belga que revolucionou os estudos sobre os povos indígenas, escrito pela historiadora francesa Emmanuelle Loyer. O livro foi publicado pelas Edições Sesc São Paulo.

Além da autora da obra, participaram do debate as professoras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Manuela Carneiro da Cunha e Fernanda Arêas Peixoto.

O evento foi realizado no Sesc Paulista e, em sua abertura, contou com a presença do reitor da Universidade, Vahan Agopyan; do diretor do Departamento Regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda; e da adida de Cooperação Cultural do Consulado-Geral da França em São Paulo, Perrine Warme-Janville.

O livro perpassa os 100 anos de vida de Claude Lévi-Strauss (1908-2009), período que coincide com os grandes eventos ocorridos durante século 20 até a virada para o século 21.

Emmanuelle baseou sua pesquisa em depoimentos, documentos reunidos no Brasil, Estados Unidos e Europa, e também nas fichas do acervo pessoal do antropólogo. A partir dessas fontes, a autora pôde concluir que “Lévi-Strauss foi um não conformista clássico, um anticonservador e, ao mesmo tempo, um moralista próximo de Montainge, reivindicando o seu distanciamento observador e colocando sobre a nossa época um olhar subversivo”.

A história de Lévi-Strauss passa ainda por uma experiência íntima com o desenvolvimento das ciências sociais no Brasil e da interpretação de culturas autóctones (povos e nações que mantiveram uma continuidade histórica distinta das sociedades colonialistas).

Um dos momentos mais importantes de sua carreira, ainda nos anos 1930, foi marcado pelas expedições em busca de povos indígenas da Amazônia e também pela participação na criação da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, junto a outros intelectuais franceses e brasileiros, entre os quais sua esposa à época, Dina Dreyfus.

“Em 1934, para a formação da Universidade, foi necessária a vinda de jovens intelectuais e cientistas da Europa. Essa missão estrangeira foi importante não só para a USP, mas para a instalação do ensino superior moderno em nosso país. Lévi-Strauss criou uma escola brasileira na área de sociologia e antropologia”, destacou Agopyan.

O reitor Vahan Agopyan no bate-papo sobre o livro Lévi-Strauss, no Sesc Paulista – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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