“Somos guardiões temporários das coleções”, afirma diretor do Museu de Zoologia

Instituição comemora 50 anos de incorporação à USP com premiação a alunos de pós-graduação

 27/11/2019 - Publicado há 2 anos  Atualizado: 10/12/2019 as 14:35
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Laboratório de besouros Coleoptera do Museu Zoologia – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O Museu de Zoologia (MZ) promoveu, no dia 26 de novembro, uma cerimônia para celebrar os 50 anos de incorporação da instituição à Universidade e para marcar a entrega da segunda edição do prêmio Ubirajara Martins para os melhores trabalhos de Mestrado e Doutorado produzidos por alunos na área de Taxonomia Zoológica.

O diretor do MZ, Mário César Cardoso de Pinna, deu início a seu discurso falando sobre a história do Museu, que remonta a 1890. Naquele ano, o banqueiro e empresário Francisco de Paula Mayrink doou ao Governo do Estado de São Paulo uma coleção de história natural, que havia sido reunida por Joaquim Sertório a partir de 1870.

Esse acervo foi, então, organizado junto à Comissão Geográfica e Geológica e, incorporado a outros, fez parte do Museu do Ipiranga.  Em 1939 foi criado o Departamento de Zoologia da Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo. A partir dessa criação, foi projetado um novo prédio para a coleção zoológica. Com o término da construção, em 1941, o acervo zoológico foi transferido para o edifício onde se encontra até hoje. Em 1969, o museu passou a fazer parte da USP.

Atualmente, o Museu de Zoologia é detentor de um dos maiores acervos zoológicos da América Latina, com mais de 10 milhões de exemplares preservados.

“Essas coleções não são nossas. Muitas peças foram coletadas por volta de 1700 e são usadas até hoje para a extração de dados. Além do valor histórico, são peças com valor científico e acadêmico. Somos guardiões temporários dessas coleções, que extrapolam nossa existência”, destacou o diretor.

O diretor do MZ, Mario Pinna, abordou marcos históricos da trajetória do Museu – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Autonomia

Pinna ressaltou, como um dos marcos da trajetória recente do Museu a promulgação da resolução nº 5904, em dezembro de 2010, que garantiu a representação dos museus no Conselho Universitário e sua plena liberdade política de pesquisa, cultura e de integração – elevando-os ao patamar de unidades autônomas ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão –, além da possibilidade de gerir a carreira de docentes por meio de seus próprios Conselhos Deliberativos.

Anteriormente, os museus da USP eram regidos por estatuto pelo qual sua representação se dava por meio da Coordenação dos Museus, hoje extinta, vinculada à Pró–Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU).

Essa autonomia permitiu, segundo o diretor, a criação do primeiro Programa de Pós-Graduação do Museu em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade. “Estamos solidificando a posição do Museu como instituição acadêmica de ensino e pesquisa, definitivamente”, concluiu.

(Da esq. p/ dir.) O reitor Vahan Agopyan; os alunos premiados  Verônica de Barros Slobodian Motta e Vinícius José Carvalho Reis; o diretor do Museu, Mário Pinna; o vice-reitor da Universidade, Antonio Carlos Hernandes; e o vice-diretor do Museu, Marcelo Duarte – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Prêmio

Em seguida, os dois alunos autores das melhores tese e dissertação na área de Taxonomia Zoológica – Vinícius José Carvalho Reis (Mestrado) e Veronica de Barros Slobodian Motta (Doutorado) – foram agraciados com o prêmio Ubirajara Martins. Criado em 2016, a premiação homenageia o ex-docente do Museu reconhecido internacionalmente pela relevância de suas pesquisas na sistemática de besouros da família Cerambycidade e domínio do conhecimento da taxonomia do grupo.

“É importante destacar os trabalhos dos alunos com esse tipo de premiação. Temos de ressaltar a meritocracia. Parabenizo a iniciativa do Museu”, comemorou o reitor da USP, Vahan Agopyan.

Para o reitor, “a incorporação do Museu à USP pode ter sido uma decisão meramente administrativa e burocrática, mas o resultado superou todas as expectativas. Este Museu, de fato, é uma unidade de ensino e pesquisa, que tem uma atividade de extensão muito importante. Comemorar 50 anos de criação é motivo de celebração, mas também é momento de pensar o futuro. Temos o desafio de manter esse elã, esse vigor e essa capacidade de produção científica com qualidade. Tenho certeza que o Museu de Zoologia continuará sendo um dos motivos de orgulho da Universidade”.

A pesquisadora Tamires Andrade no Laboratório Hymenoptera, no qual podem ser encontradas espécies de abelhas, vespas e formigas – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O Museu

O Museu de Zoologia cumpre um papel crucial no desenvolvimento do conhecimento acerca da biodiversidade brasileira e global, tendo sido a primeira instituição nacional a a ser reconhecida como fiel depositária pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Ministério do Meio Ambiente).

Guarda testemunhos únicos sobre espécies e ecossistemas, alguns já extintos. Esse patrimônio é fonte de dados importantes em biologia evolutiva, paleontologia, ecologia e biologia molecular. Por sua vez, essa informação é utilizada em estudos de monitoramento ambiental, mudanças climáticas e bioprospecção, temas de grande relevância no momento atual.

Assista, a seguir, ao vídeo produzido pelo Museu em comemoração ao seu cinquentenário.

 


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