Professor António Nóvoa, da Universidade de Lisboa, recebe título de Doutor Honoris Causa da USP

A proposta de concessão do título foi apresentada pela Faculdade de Educação da USP e aprovada pelo Conselho Universitário em setembro do ano passado

 30/08/2021 - Publicado há 3 meses
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O reitor da USP, Vahan Agopyan (à esquerda), e o professor António Manuel Sampaio da Nóvoa, que recebeu o título de Doutor Honoris Causa, em cerimônia transmitida da Sala do Conselho Universitário – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

 

O catedrático do Instituto de Educação e reitor honorário da Universidade de Lisboa, António Manuel Sampaio da Nóvoa, considerado um dos maiores especialistas internacionais no campo da História da Educação, é o mais novo Doutor Honoris Causa da USP. A cerimônia de outorga do título foi realizada no dia 30 de agosto.

A proposta de concessão do título foi apresentada pela Faculdade de Educação (FE) e aprovada pelo Conselho Universitário em setembro do ano passado.

De acordo com o Estatuto da Universidade, o título de Doutor Honoris Causa é concedido “a personalidades nacionais ou estrangeiras que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso das ciências, letras ou artes; e aos que tenham beneficiado de forma excepcional a humanidade, o País, ou prestado relevantes serviços à Universidade”.

Nóvoa é o 118º homenageado com o título concedido pela USP em toda a sua história. Em 2008, o geneticista britânico Oliver Smithies, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2007, recebeu o título como parte das comemorações dos 75 anos da Universidade.

António Manuel Sampaio da Nóvoa é professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, instituição na qual leciona desde 1986. É reitor honorário da Universidade de Lisboa, onde ocupou a Reitoria entre 2006 e 2013. Nessa oportunidade, António Nóvoa liderou o processo de fusão da Universidade de Lisboa com a Universidade Técnica de Lisboa, duas importantes universidades públicas que, unidas, contribuíram para fortalecer o cenário acadêmico português.

Em 2014, recebeu o prêmio Universidade de Coimbra por sua “notável carreira e trabalho no campo da educação”. Desempenhou funções públicas de relevo, como a de consultor de educação do presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. Hoje é embaixador de Portugal na Unesco, nomeado pelo primeiro-ministro e pelo presidente da República Portuguesa.

Um dos maiores especialistas internacionais no campo da História da Educação, António Nóvoa também se notabilizou no campo da Educação Comparada e da formação docente. É autor de referência nos estudos sobre as políticas educativas, especialmente as desenvolvidas pela União Europeia.

Construção do conhecimento

A saudação ao homenageado foi feita pela professora titular da Faculdade de Educação (FE), Denice Barbara Catani, que fez um breve retrospecto da trajetória e da produção acadêmica do homenageado e destacou o trabalho cooperativo que Nóvoa desenvolve com a faculdade há trinta anos. “Exprimo meu votos pela continuidade e pelo fortalecimento de sua atuação em nosso país. Tenho certeza que o reconhecimento que a USP lhe confere hoje continuará frutificando em muitos sentidos e lugares brasileiros”, afirmou a docente.

Em seu discurso de agradecimento, Nóvoa também ressaltou seu comprometimento com o Brasil. “É uma honra receber este título da USP, que reconhecidamente é a mais importante universidade do espaço ibero-americano. A partir de agora, pertenço a esta Universidade. Em 1994, eram frágeis as relações acadêmicas entre Portugal e Brasil. Tudo mudou no último quarto de século. Sei que, ao receber este prêmio, o faço em nome de uma geração acadêmica de portugueses e brasileiros que conseguiu esta notável mudança”, afirmou.

António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa, homenageado com o título da USP – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

 

O homenageado falou sobre o impacto da pandemia na vida das pessoas e o papel da educação nesse novo cenário. “Queremos regressar às rotinas do dia a dia, dos nossos encontros, mas temos que o fazer de maneira diferente, compreendendo os desafios de um mundo mais do que humano, um humanismo que combata o racismo, o patriarcado e todas as formas de discriminação e respeite a diversidade da vida e o futuro do nosso planeta comum. Construir as bases desse nosso humanismo é o grande programa da educação nas próximas décadas. As universidades podem o que mais ninguém pode: construir um conhecimento diferente num tempo mais longo que o presente imediato, um conhecimento útil, porque inútil, que abra imaginários e não se limite a reproduzir as obviedades da novilíngua da empregabilidade, da excelência, da eficiência, do empreendedorismo e por aí adiante”, salientou.

O reitor Vahan Agopyan destacou que “neste momento que vivemos um período de negacionismo no País, em que o conhecimento é desprezado, esta homenagem é uma resposta que damos à sociedade. Mostramos, com essa outorga, que a educação é a nossa missão mais importante. Lembro uma frase de Nóvoa que me marcou muito: ‘O professor se forma na escola’, que mostra sua dedicação em colocar a universidade cada vez mais próxima da sociedade. A universidade se afastou da sociedade e, hoje, nosso maior desafio é mostrar que fazemos parte da solução dos problemas sociais”.

Assista, a seguir, à integra da cerimônia, que foi transmitida da Sala do Conselho Universitário, localizada no prédio da Reitoria, e contou com a presença do diretor da FE, Marcos Garcia Meira; do vice-diretor da unidade, Vinício de Macedo Santos; e do secretário-geral da Universidade, Pedro Vitoriano de Oliveira.


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