USP homenageia pioneiros da Pós-Graduação

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Os homenageados durante a sessão do Conselho de Pós-Graduação, com a reitora da USP, Suely Vilela (de vermelho), o vice-reitor da Universidade, Franco Maria Lajolo (à direita, de gravata azul), e o pró-reitor de Pós-Graduação, Armando Corbani Ferraz (à direita, de terno azul) Como parte das comemorações dos 75 anos da USP e dos 20 anos de criação das Pró-Reitorias, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, na reunião de seu Conselho, realizada no dia 10 de dezembro, prestou uma homenagem aos doutores pioneiros das Unidades Constituintes da Universidade. Foram homenageados Ada Pelegrini Grinover, Francisco Gomes de Alcântara, Mendel Abramovicz, Riva Moscovici da Cruz, Rubens Molinari, Michel Pinkus Rabinovitch, Warwick Estevam Kerr e Jandyra França, a primeira doutora da Universidade (leia, abaixo, uma breve biografia dos homenageados). “Os doutores pioneiros das Unidades fundadoras de nossa Universidade romperam barreiras. É nesse contexto que o Conselho de Pós-Graduação se sente honrado em hoje homenageá-los, de modo singelo, mas com o simbolismo que traduz a importância que representaram e representam para a Instituição”, ressaltou o pró-reitor de Pós-Graduação, Armando Corbani Ferraz.Corbani destacou que, desde sua implantação, a Pós-Graduação na USP é a principal responsável pela formação de mestres e doutores no Brasil e na América Latina. Mais de 50 mil mestres e mais de 30 mil doutores foram titulados nos quase 40 anos de existência da Pós-Graduação.  “Embora a Pós-Graduação stricto sensu tenha sido formalmente implantada em 1969, com o estabelecimento de normas para organização, funcionamento e credenciamento de cursos de Mestrado e Doutorado, já, no início da década de 40, foram titulados os primeiros doutores da USP”, completou.Para a reitora Suely Vilela, “no momento em que comemoramos os 75 anos da criação da USP é de grande relevância o reconhecimento às personalidades que, pelo seu idealismo, fizeram e fazem a diferença no âmbito das atividades que a Instituição desenvolve com o padrão de qualidade que estabeleceu desde o seu nascimento”. E acrescentou: “A esses bravos pesquisadores, que se formaram nas Unidades históricas responsáveis pela fundação de nossa Universidade, se deve a abertura do caminho, assumido por aqueles que os sucederam, rumo ao desenvolvimento da Instituição e do país”.Os homenageadosAda Pellegrini Grinover graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da USP, em 1958. Primeira doutora formal da Faculdade de Direito, com a tese “Ação declaratória incidental”, defendida em 15 de maio de 1970. Tornou-se professora livre-Docente, em 1973. É professora titular de Direito Processual Penal e professora de Mestrado e de Doutorado. Foi pró-reitora de Graduação da USP no período de 1997 a 2001.É presidente do Instituto Brasileiro de Direito Processual e vice-presidente da International Association of Procedural Law e do Instituto Iberoamericano de Derecho Procesal.Atuou como chefe da Consultoria Jurídica da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo e como procuradora do Estado.Publicou quase duas centenas de artigos, 87 livros e cerca de 100 capítulos de livros nacionais e estrangeiros na área do Direito. Foi agraciada, na Itália, com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Milão, e com o prêmio da Fundação Redenti, da cidade de Bolonha, em 2007. É membro da Academia Paulista de Letras.

Francisco Gomes de Alcântara nasceu na cidade de São Benedito, Estado do Ceará. Graduou-se em 1952 pela Faculdade de Medicina Veterinária da USP. Em 21 de setembro de 1959, obteve o doutoramento ao defender a tese “Estudo quantitativo dos neurônios cardíacos no rato normal e no infectado experimentalmente pelo Trypanosama Cruzi”, na mesma Faculdade. Sua livre-docência foi na área de Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

Professor catedrático de Parasitologia na USP e professor emérito da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Francisco Gomes de Alcântara é graduado também em Medicina e Direito e autor de numerosos trabalhos científicos, publicados e apresentados em revistas e congressos nacionais e internacionais, incluindo capítulos de livros especializados. Foi presidente de vários colegiados e recebeu inúmeras homenagens ao longo de sua carreira universitária. Atualmente, é professor titular na Faculdade de Medicina de Jundiaí.

 

Jandyra França nasceu na cidade paulista de São Luiz de Paraitinga e entrou na USP literalmente nos primeiros momentos da Universidade, em fevereiro de 1934. Desta forma, constituiu-se aluna da primeira turma da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Prestou, a título de vestibular, exame oral aos professores alemães Heinrich Rheinboldt e Heinrich Hauptman, sendo admitida na área de Química da Faculdade recém-criada. Em 23 de março de 1942, defendeu a tese "Sobre o cafesterol e alguns de seus derivados", orientada pelo mesmo Heinrich Hauptman, o professor alemão que lhe aplicara o teste vestibular oito anos antes. Continuou na USP até 1951, ano em que deixou a vida acadêmica para se dedicar à família.Jandyra obteve um dos primeiros títulos de doutorado na USP e é a primeira mulher a obter este título na Universidade.

"Os professores alemães que aplicaram os exames para entrarmos na USP não falavam português. Nesse dia famoso para mim, quando tive oportunidade de entrar na Faculdade, os professores Rheinboldt e o professor Hauptman, juntos, aplicaram-me o exame oral auxiliados por um brasileiro chamado Saldanha. Rheinboldt e Hauptman falavam em francês e eu entendia perfeitamente", conta Jandyra.

Mendel Abramowicz nasceu na cidade de São Paulo. Formou-se como Cirurgião Dentista pela então Faculdade de Farmácia e Odontologia, em 1956.Antes mesmo de terminar o curso, começou a freqüentar a Cadeira de Higiene e Odontologia Legal, a convite do professor João Sampaio Dória, nela permanecendo como estagiário até 1959, ano em que foi contratado para exercer a função de assistente. Foi desse modo que se deu, oficialmente, o início de sua carreira universitária.Em 1963, Abramowicz tornou-se o primeiro doutor da Faculdade de Odontologia da USP, defendendo a tese “Contribuição para o estudo da cronologia da erupção dos dentes permanentes em judeus do grupo étnico Ashkena-Zim, de níveis socioeconômicos elevados. Sua aplicação na estimativa da idade”. Depois, em 1968, obteve o título de livre docente. Pouco mais tarde, em 1972, obteve o título de professor adjunto, chegando a professor titular em 1978. Dirigiu a Faculdade de Odontologia da USP entre 1989 e 1993.

É também formado em Direito, tendo realizado cursos de especialização em Genética Humana e Bioestatística, e, atualmente, é professor titular da Universidade Paulista.

Michel Pinkus Rabinovitch nasceu na cidade de São Paulo. Graduou-se, em 1949, na Faculdade de Medicina da USP; nesse ano, tinha já seis publicações em seu nome. Em março de 1950, foi nomeado professor assistente de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina. Em 23 de novembro de 1951, defendeu a tese de doutoramento “Influência da ligadura de ducto da glândula submaxilar do camundongo Musmusculos sobre seu teor de fósforo ribo e desoxiribonucleico”. Em 1953, tornou-se professor livre docente e, em 1959, professor adjunto.Entre 1955 e 1961, tutorou um grupo de estudantes de Medicina, sendo que três deles tornaram-se membros da Academia de Ciências dos Estados Unidos. Em 1963, apresentou-se como voluntário à Universidade de Brasília. Em abril de 1964, foi nomeado professor de Biologia, mas não chegou a tomar posse. Em julho de 1964, na reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Ribeirão Preto, apresentou uma comunicação de Thomas Maack, que já se encontrava preso pelo regime militar. Em seguida, Rabinovitch, por motivos políticos, mudou-se para os Estados Unidos.Nos anos de 1964 a 1969 trabalhou em fagocitose por macrófagos e outras células na Universidade Rockfeller, em Nova York, no laboratório dirigido por James Hirsch e Zanvil Cohn. Recrutado em 1969, pela Escola de Medicina da Universidade de Nova York, como professor associado de Biologia Celular, passou a professor titular em 1973. A partir de 1980, trabalhou em infecção por Leishmania sp., e mais tarde com outros patógenos intracelulares.Em 1984, foi nomeado Maitre de Recherches, no CNRS. Ficou, inicialmente, na Unidade de Imunofisiologia Celular do Instituto Pasteur de Paris, passando depois a dirigir a Unidade de Imunoparasitologia do Departamento de Imunologia. Aposentado no CNRS voltou, como investigador visitante, ao Laboratório de Fisiologia Celular e Imunologia da Universidade Rockfeller, a partir de 1994.Desde que voltou o Brasil, em 1997, trabalha como pesquisador colaborador, no Departamento de Micro, Imuno e Parasitologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Orientou, no Brasil e no exterior, várias teses de doutorado e supervisionou diversos pós-doutoramentos. 

 

Riva Moscovici da Cruz nasceu na Rumânia e é naturalizada brasileira. Graduou-se em 1947 na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP. Defendeu tese de doutoramento em 9 de dezembro de 1963, com o título “Obtenção e estudo de α-pironas 6-substituídas”, na Faculdade de Farmácia. “Lembro da ansiedade e do nervosismo sempre presentes nesse desafio: a primeira mulher a fazer tese de doutoramento na Faculdade de Farmácia, tendo, em seguida, passado a trabalhar na cadeira de Química Orgânica do Instituto de Química”, conta Riva.Com bolsas da CAPES e do CNPq, estagiou, em 1952, na Universidade de Genebra, para adquirir conhecimento das técnicas microanalíticas junto ao professor Paul Wenger, pioneiro nesse campo. “Aprendi as técnicas de microanálise, assunto ainda desconhecido no Brasil. Retornando ao país, foi a partir da minha divulgação, que essas técnicas se espalharam em vários setores universitários. Na época, havia muito interesse e curiosidade, o que se refletia na intensa pesquisa química da rica flora brasileira, para o conhecimento de novas substâncias potencialmente utilizáveis na área médica. As numerosas teses que se apresentaram em seguida atestam a grande atividade desse período”, afirma.Sempre na especialidade de microanálise, fez estágios na Universidade de Stanford, na Califórnia, e na Universidade de Urbana, em Illinois, dessa vez com apoio da Fapesp.Publicou inúmeros trabalhos de pesquisa, premiados em revistas nacionais e estrangeiras. Introduziu a microanálise quantitativa, primeiro no Instituto de Química, atendendo a diversas Unidades, e em outras instituições brasileiras, realizando análises de substâncias novas, provindas da flora brasileira ou obtidas por síntese, para a respectiva elucidação das estruturas.

 

Rubens Molinari nasceu em Bragança Paulista, no Estado de São Paulo.Engenheiro Químico pela Escola Politécnica da USP, em 1951, e doutor em Engenharia na mesma Escola, em 29 de outubro de 1958, defendendo a tese “Estudos sobre a Oxidação do Lactato por Preparação de Propionibacterium Pentosaceum”.Foi assistente-doutor, por nove anos, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP; research associate entre 1959 e 1960 no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets; livre-docente pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, em 1976; professor adjunto pelo Instituto de Química de Araraquara da UNESP, em 1977; professor titular de Bioquímica Geral e de Biotecnologia do Instituto de Química da UNESP em Araraquara até sua aposentadoria e vice-diretor do mesmo instituto entre 1980 e 1984.Orientou vários mestrados e doutoramentos no Instituto de Química em Araraquara e na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto. Tem inúmeros trabalhos publicados em revistas especializadas, no Brasil e no exterior, incluindo capítulos em livros sobre antibióticos e biotecnologia.

 

Warwick Estevam Kerr nasceu em Santana do Parnaíba, no Estado de São Paulo.Em 1942, prestou os exames vestibulares e ingressou na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba.Obteve o diploma de Engenheiro Agrônomo  em 1945. Doutorou-se em Genética Animal em 9 de abril de 1948, defendendo tese com o título “Estudos sobre o gênero Melipona”, na ESALQ. Defendeu tese para o concurso de livre-docente da Cadeira de Genética e Citologia Geral, na ESALQ, em junho de 1950, com o título “Estudos sobre a genética de populações dos himenópteros em geral e sobre os apídeos sociais em particular” e tornou-se professor titular em 1965.Foi professor visitante nas Universidades de Columbia e da Califórnia entre 1951 e 1952. Organizou o Departamento de Biologia Geral da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, a partir de 1957 e o Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a partir de 1964. Atualmente, é professor colaborador do Instituto de Genética e Bioquímica da Universidade Federal de Uberlândia.Orientou mais de uma dezena de teses de doutoramento e ministrou diversos cursos no Brasil e no exterior. Foi contemplado, também, com várias bolsas de estudo, tanto para atividades no Brasil como em outros países. Participou de inúmeros congressos, reuniões científicas, conferências e palestras.(Crédito das fotos: Francisco Emolo)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail