USP celebra os direitos humanos com entrega de prêmio

A cerimônia de entrega do Prêmio USP de Direitos Humanos foi realizada no dia 10 de dezembro, na nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Ibirapuera, com homenagens a duas mulheres, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Sabine Lovatelli, na categoria individual; e ao Mozarteum Brasileiro, na categoria institucional.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Entrega do prêmio aconteceu na mesma data em que são comemorados os 64 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A cerimônia de entrega do Prêmio USP de Direitos Humanos foi realizada no dia 10 de dezembro, na nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Ibirapuera, com homenagens a duas mulheres, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Sabine Lovatelli, na categoria individual; e ao Mozarteum Brasileiro, na categoria institucional.

(da esq. p/ a dir.) O presidente da Comissão de Direitos Humanos da USP, José Gregori; o filho de Aracy, Eduardo Tess; e o reitor João Grandino Rodas

“A sociedade teve que caminhar muito para distinguir um dia em homenagem aos direitos humanos. E a USP destaca este dia instituindo o prêmio de Direitos Humanos”, disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos, José Gregori, referindo-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos, instituída na mesma data desta cerimônia no ano de 1948.

O presidente comentou sobre a escolha das ganhadoras do prêmio, dizendo que “a universalização da presença da mulher é uma das melhores formas de buscar e alcançar os direitos humanos sem derramamento de sangue. Aracy estava lá [no Consulado Geral do Brasil em Hamburgo, Alemanha] para servir a humanidade, indo além das atividades burocráticas e, Sabine visava os seus esforços no Mozarteum Brasileiro para algo além da música”, lembrou Gregori.

Em seguida, Ruy Martins Altenfelder Silva, um dos membros da Comissão de Direitos Humanos e presidente voluntário do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), falou sobre o trabalho do grupo, além de ressaltar as ações realizadas pelas mulheres homenageadas e pela Instituição premiada.

Ação humanitária

A trajetória da primeira agraciada na categoria individual, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, foi lembrada por René Decol em sua saudação. “Uma mulher que enfrentou três ditaduras brasileiras sem desanimar, foi casada com Guimarães Rosa e atuou no Consulado Geral do Brasil. Não sabemos tudo que Aracy fez para ajudar os judeus, mas sabe-se que sua contribuição para àqueles que interviu foi fundamental para preservação da vida. Ela não fazia para ser reconhecida, fazia porque achava justo”.

O diploma do Prêmio foi entregue ao filho de Aracy, Eduardo Tess, que é ex-aluno da USP. “Inegavelmente, [minha mãe] foi uma batalhadora enfrentando o regime nazista para salvar a vida dos judeus”, disse Tess, após agradecer o reconhecimento da Universidade à ação humanitária de sua mãe.

Geraldo Forbes foi o encarregado de fazer a saudação à Sabine Lovatelli e ao Mozarteum Brasileiro. Em sua fala, ele destacou que a USP, por meio da Faculdade de Direito, sempre lutou a favor da liberdade e dos direitos humanos em diversos momentos da história, com Castro Alves, ex-aluno desta Faculdade; contra a ditadura do Estado Novo, para a implantação da Constituinte; e no movimento das Diretas Já, por exemplo.

Direito à educação e à cultura

Forbes explicou que a entrega desta condecoração é merecida, porque “depois da liberdade, igualdade e fraternidade, vem o direito à educação e à cultura, que são promovidas por Sabine e pelo Mozarteum, quando repartem este tesouro [a música] de graça com muitas pessoas. Por isso, digo, parabéns por semear a cultura musical, que tem o seu merecido reconhecimento expresso por este prêmio”.

Sabine Lovatelli está à frente do Mozarteum Brasileiro desde a sua criação, em 1981, e o transformou em referência nacional na difusão e incentivo à música clássica

“É muito importante receber esta homenagem da maior universidade do país. Estou honrada e feliz por este prêmio no Brasil, que adotei como segunda pátria”, agradeceu Sabine, que nasceu na Alemanha. Sabine falou ainda de sua vinda para o país, mesmo sem conhecer a cultura do país e falar português, nomeou alguns músicos brasileiros, que considera “gênios da música”, como Pixinguinha, Villa-Lobos, João Gilberto, Tom Jobim, e lembrou-se do objetivo inicial de seu trabalho no Mozarteum Brasileiro que é o de “levar a música não só para os pagantes, mas também a todos em geral”.

“A Comissão de Direitos Humanos é um dos pontos altos da USP”, disse o reitor João Grandino Rodas, ressaltando que a escolha dos agraciados é feita exclusivamente pela Comissão, sem interferência da Reitoria. “A USP, ao saber distinguir nestas duas mulheres exemplos para a sociedade, engrandece a Universidade, que cumpre a sua função de agradecer expressa na virtude da gratidão desta Comissão”, finalizou o reitor.

Para encerrar a solenidade, em um evento que a música também foi homenageada, o grupo de câmara da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) apresentou três obras.

(Fotos: Ernani Coimbra)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no Google+Tweet about this on TwitterImprimir esta páginaEnviar por e-mail

Textos relacionados