Primeiro dia de aulas no novo campus da USP em Santos

“Faltava a ida da USP ao mar”, declarou o reitor João Grandino Rodas aos alunos, docentes e autoridades presentes à cerimônia de instalação do curso de Engenharia de Petróleo no mais novo campus da USP.

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A cerimônia de instalação do curso de Engenharia de Petróleo contou com a presença de dirigentes da Universidade e autoridades políticas

“Faltava a ida da USP ao mar”, declarou o reitor João Grandino Rodas aos alunos, docentes e autoridades presentes à cerimônia de instalação do curso de Engenharia de Petróleo, da Escola Politécnica (EP), realizada no dia 29 de fevereiro, no novo campus da USP na cidade de Santos.

Com a participação do diretor da EP , José Roberto Cardoso, do vice-reitor da Universidade, Hélio Nogueira da Cruz, e da pró-reitora de Graduação, Telma Maria Tenório Zorn, além de autoridades políticas, como o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Paulo Alexandre Barbosa, o reitor ressaltou a importância do novo campus “que não nasce do zero, mas com base na experiência consagrada da Escola Politécnica”.

Assim como a Escola Politécnica, fundada em 1893 após uma tentativa infrutífera de se estabelecer uma faculdade de engenharia em São Paulo, a Escola já havia buscado sua implantação na Baixada Santista na década de 1980, como explica o diretor José Roberto Cardoso. Entretanto, foi a partir de 2010, com a experiência adquirida, que o plano de trazer a Escola para Santos finalmente entrou em vias de concretização. “O objetivo agora é se arraigar à região, participando de seu desenvolvimento, mantendo o espírito inovador e empreendedor”, declarou o professor.

Recordando-se do esforço da Escola ao construir o primeiro computador brasileiro em 1972, Cardoso apresentou aos alunos a tradição de uma carreira que, recentemente, volta suas atenções ao recurso natural que movimenta economias internacionais, o petróleo. Com cerca de 4500 horas de curso, os 10 estudantes selecionados pelo vestibular da Fuvest “têm pela frente uma árdua tarefa, tornando-se parte da história não apenas da Universidade, como também da profissão”, destacou o diretor.

O curso forma profissionais para uma área que possui demandas particulares. O engenheiro de petróleo formado pela EP será capacitado para atuar em diversos segmentos da cadeia produtiva do petróleo, desde a pesquisa de novas jazidas até a produção de petróleo e gás natural. Caberá a ele, entre outras atribuições, a tarefa de fazer análises econômicas e avaliação de reservatórios, auxiliando em projetos de construção de plataformas e poços de petróleo.

Os alunos "pioneiros" com o diretor da EP, José Roberto Cardoso, e o reitor João Grandino Rodas

No trilha do pioneirismo

Com uma concorrência considerada alta – 42,8 candidatos por vaga – a graduação em Engenharia de Petróleo reúne um pequeno contingente de estudantes de diversas regiões do país. Vinda de fora do Estado, a caloura Laura de Macedo Costa trocou Belo Horizonte pelo litoral santista motivada pela admiração pela química e física, matérias essenciais na formação de um engenheiro. Apoiada pela família, a estudante optou pelo curso de Engenharia de Petróleo após ter visitado uma mostra em sua cidade sobre o assunto.

Comprometido a subir e descer a Serra nos primeiros meses de curso, o aluno paulistano Erik Shimabukuro, estreante no vestibular, não teve dúvidas ao escolher a carreira. “Foi minha primeira opção desde sempre”, afirma.

Considerados, nas palavras do prefeito João Paulo Tavares Papa, como parte de um projeto de transformação da região, os alunos serão os participantes iniciais de um plano que prevê a expansão da Universidade de São Paulo na região nos próximos 50 anos.

Apesar de estarem vivenciando um princípio diferente das outras recepções de calouros que ocorrem nesta semana nos demais campi da USP, a turma se mostrou empolgada ao ser recepcionada com pompa de desbravadores. “A história de São Paulo se inicia com o descer do planalto”, relembrou o reitor ao se referir ao movimento das bandeiras paulistas, comparando a iniciativa passada com os eventos do presente. Mesmo não sendo legítimos bandeirantes, os primeiros alunos da Poli de Santos aceitaram a tarefa de se reunirem com docentes e a Reitoria em agosto  próximo para explorarem juntos as demandas do novo curso.

Infraestrutura

A USP em Santos está instalada em prédio tombado no bairro de Vila Mathias, no centro da cidade; trata-se de um prédio histórico, projetado por Ramos de Azevedo

A USP em Santos está instalada em prédio tombado no bairro de Vila Mathias, no centro da cidade. Trata-se de um prédio histórico, projetado por Ramos de Azevedo, tombado pelos órgãos de preservação do patrimônio. O superintendente do Espaço Físico da Universidade, Antonio Marcos de Aguirra Massola, explica que enquanto não se tiver autorização oficial de tais órgãos, não se pode efetuar reformas na edificação. Há necessidade, também, que o prédio seja oficialmente cedido à USP pela Secretaria Estadual de Educação.

Foram cedidas inicialmente no segundo andar do prédio seis salas de aulas para acomodar o primeiro semestre do curso. Foram realizadas adaptações possíveis para que as aulas pudessem ter início e o currículo acadêmico do primeiro semestre fosse plenamente atendido, com laboratório de informática para atender aos alunos e monitorias, biblioteca equipada para atender ao início do curso, sala de administração e sala comum para os professores. Para que seja possível atender às necessidades curriculares do segundo semestre deste ano,  a USP necessitará de  mais seis salas de aulas.

O mar como fronteira

Segundo o reitor, embora o projeto de implementação do novo campus em terreno a ser cedido pela Prefeitura de Santos esteja em fase de finalização, a USP reservou R$ 100 milhões para sua efetivação, no menor tempo possível.

“O campus de Santos possui desde seu início uma particularidade, que fará com que se estabeleça e se corporifique mais rápida e seguramente: várias das Unidades da USP, tanto da Capital quanto do Interior, estão interessadas em possuir nele um locus avançado. Tal é positivo, pois além de possibilitar a interdisciplinaridade, fará com que se maximize os acertos e minimize os erros. O interesse tem sido tão grande que a Reitoria nem tem tido necessidade de fomentar o processo. Contudo, está disposta a ajudar em tudo o que for possível, pois o mar é a próxima fronteira da USP”, afirmou o reitor.

(Com informações do USP Online / Fotos: Ernani Coimbra)

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