Pesquisadores da USP coordenam 11 dos 17 novos Cepids da Fapesp

Além do investimento de R$ 760 milhões feito pela Fapesp, os Cepids também receberão R$ 640 milhões de recursos provenientes de suas instituições-sede.

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A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) investirá, ao longo dos próximos 11 anos, R$ 760 milhões em 17 novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids). Além da verba da Fapesp, os novos centros também receberão aproximadamente R$ 640 milhões das instituições-sede, totalizando investimento de R$ 1,4 bilhão em pesquisa de ponta

Criados para fomentar a pesquisa de ponta em áreas estratégicas do conhecimento, como biodiversidade, materiais funcionais, alimentos, neurociência, ciências matemáticas, obesidade, células-tronco, estudos metropolitanos e física atômica, os Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) priorizam a pesquisa voltada para aplicações nos setores industrial e governamental e a difusão do conhecimento científico para a sociedade. O primeiro edital do programa, lançado em 1999, selecionou 11 Cepids que receberam, ao todo, R$ 260 milhões durante o período de 2000 a 2012. Desses 11, oito centros foram aprovados para essa segunda fase e poderão prosseguir suas pesquisas.

Os novos Cepids foram apresentados no dia 6 de junho, no Palácio dos Bandeirantes, em uma cerimônia que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin; do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Garcia; e do reitor, João Grandino Rodas

Os novos Cepids foram apresentados no dia 6 de junho, no Palácio dos Bandeirantes, em uma cerimônia que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin; do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Garcia; do presidente da Fapesp, Celso Lafer; do diretor científico da entidade, Carlos Henrique de Brito Cruz; o reitor da USP, João Grandino Rodas; entre outras autoridades.

O presidente da Fapesp, Celso Lafer, lembrou que, na cerimônia de lançamento da primeira leva dos Cepids, o então governador Mário Covas qualificou os pesquisadores do projeto como “bandeirantes do conhecimento” e defendeu que o desenvolvimento da economia e da sociedade do Estado de São Paulo só seria possível com base no desenvolvimento tecnológico. “A pesquisa e a geração do conhecimento têm seu próprio ritmo e a Fapesp tem o objetivo de lidar com essas cadências. A consolidação dos Cepids é uma prova disso”, afirmou Lafer.

Ao apresentar cada um 17 novos centros, o diretor científico da Fundação, Carlos Henrique de Brito Cruz, ressaltou a importância da ênfase em pesquisas competitivas, conectadas com a aplicação no setor produtivo ou no Governo, e que trabalhem para difundir a ciência para a sociedade. “Diferentemente do que acontece no resto do país, aqui, boa parte da pesquisa acontece por financiamento de empresas. Isso porque é uma região muito industrializada e há mão de obra qualificada, formada pelas próprias empresas”, explicou.

O governador Geraldo Alckmin lembrou que a vitalidade e a força do setor acadêmico paulista são fundamentais para o sucesso do projeto. Segundo ele, “se existe um orgulho justo, um deles são as nossas universidades – USP, Unesp e Unicamp –, e a Fapesp, que é um paradigma para as instituições similares existentes em todo o país”.

Além do investimento de R$ 760 milhões feito pela Fapesp, os Cepids também receberão R$ 640 milhões de recursos provenientes de suas instituições-sede. Na condição de sede de 11 dos 17 centros, a USP será responsável por uma parte considerável desse investimento, paga, por exemplo, em salários de pesquisadores e técnicos que atuarão nos centros, pela infraestrutura necessária e por despesas com divulgação e atividades de difusão.

Cepids e NAPs

O sucesso obtido pelos Cepids inspirou a criação de outros programas de pesquisa semelhantes, como os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), criados em 2008 pelo CNPq, e Programa de Incentivo à Pesquisa da USP, criado em 2010, e que representa o terceiro maior programa de pesquisa interdisciplinar do país. Como explica o pró-reitor de Pesquisa da USP, Marco Antonio Zago, “os INCTs, os Cepids e o Programa de Incentivo à Pesquisa são três programas que diferem grandemente em sua abrangência, duração e volume de recursos empregados, mas têm várias características em comum. São ‘programas’ de pesquisa – não simples ‘projetos’ que se esgotam em si – que visam a reorganizar o trabalho de um grupo de pesquisadores e dar mais força e coerência, fazendo com que a cooperação de competência diferentes se associem para levar à produção de resultados que possam ser mais relevantes, ter mais impacto na ciência e na sociedade”.

Lançado em 2010, o Programa de Incentivo à Pesquisa representa iniciativa inédita dentro do panorama das universidades brasileiras, no qual foram aplicados cerca de R$ 219 milhões de recursos oriundos da própria USP. As duas primeiras chamadas (2010-2011 e 2011-2012) envolveram um total de recursos da ordem de R$ 146 milhões. Uma característica essencial exigida para a submissão das propostas era a participação de pesquisadores de pelo menos duas unidades diferentes da universidade, procurando promover sua natureza interdisciplinar, garantindo aos selecionados a transformação do grupo de pesquisa em um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP).  Como explica o pró-reitor, “as propostas exigiam que os pesquisadores pertencessem a pelo menos duas Unidades diferentes da Universidade. A exigência da interdisciplinaridade e de pesquisadores de diferentes entidades era também uma exigência do Programa dos INCTs, do CNPq, e uma forte recomendação no caso dos Cepids, da Fapesp”.

Em 2011, foram criados os primeiros 43 NAPs. Em 2012, esse número foi ampliado para 118 núcleos, com mais um investimento de igual valor. No final de abril desse ano, a Pró-Reitoria divulgou o resultado do terceiro edital, no qual investirá mais R$ 73 milhões em projetos que melhorem a infraestrutura dos laboratórios e de outros espaços utilizados pelos pesquisadores da Universidade.

“Há que se ressaltar que o primeiro programa de apoio à pesquisa que nós organizamos, em 2010-2011, e que deu origem aos 43 NAPs da primeira fase, teve um forte impacto nos Cepids: vários grupos de pesquisa se organizaram e foram contemplados com o financiamento da USP para os NAPS, e essa experiência serviu de base para o projeto que apresentaram, em seguida, para a Fapesp. Assim, o Programa de Incentivo à Pesquisa e os NAPs contribuíram em parte para o sucesso da USP no programa dos Cepids”, avalia Zago.

Relação dos Cepids, seus coordenadores e instituições vinculadas

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(Foto: Ernani Coimbra)

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