Novo pró-reitor de Graduação quer a participação da comunidade uspiana nas decisões sobre o ensino na Universidade

Na primeira de uma série de entrevistas com os novos pró-reitores da USP – a ser publicadas nas próximas edições do Jornal da USP –, o pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes, afirma que quer a participação da comunidade uspiana nas decisões sobre o ensino na Universidade

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Na primeira de uma série de entrevistas com os novos pró-reitores da USP – a ser publicadas nas próximas edições do Jornal da USP –, o pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes, afirma que quer a participação da comunidade uspiana nas decisões sobre o ensino na Universidade

O novo pró-reitor de Graduação, Antonio Carlos Hernandes

Promover o diálogo e definir as ações de maneira coletiva, com a participação de todos os integrantes da comunidade uspiana, são as principais metas do novo pró-reitor de Graduação, professor Antonio Carlos Hernandes. Docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), ele tem como foco conversar com diretores e presidentes das Comissões de Graduação das unidades de ensino e pesquisa dos campi de São Paulo e do interior, inclusive visitando as estruturas in loco.

A peregrinação de Hernandes teve início no campus de Ribeirão Preto, onde manteve contato também com alunos, que expuseram suas sugestões e dúvidas. O pró-reitor diz que todo o processo é interativo. “Queremos fazer isso o tempo todo. Vamos às unidades, conversamos com os envolvidos, coletamos as informações e levamos ao Conselho Universitário. Iremos ao Conselho já tendo ouvido todos os seguimentos envolvidos na graduação”, observa Hernandes.

As visitas, segundo o pró-reitor, servirão para coletar uma série de informações sobre grade curricular, evasão, acesso, cotas, inclusão, organização do currículo, progressão na carreira e avaliação dos docentes, entre outros temas. “Vamos reunir tudo num banco de dados para, a partir daí, sabermos como desenvolver as mudanças necessárias”, explica o pró-reitor.

Uma das ideias apontadas em Ribeirão Preto e que já germina como proposta se refere às atividades de cultura e esporte, desenvolvidas pelos alunos. Nesse sentido estão sendo pensadas, com a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP), competições esportivas de diferentes modalidades, além da Olimpíada Esportiva Anual USP, com o objetivo de integrar todos os alunos uspianos. “Queremos formar cidadãos não somente nas questões éticas, morais e técnicas, mas também como cidadãos capazes de interagir com as diferenças e diversidades, próprias do mundo em que vivemos atualmente”, reflete o pró-reitor.

Hernandes reconhece todos os projetos desenvolvidos pela Pró-Reitoria de Graduação anterior e diz que a preocupação principal é construir a partir do que já existe. “São diversas atividades, programas e políticas claras que funcionam muito bem. O que precisa mudar é a forma como as pessoas avaliam, e que ainda está um tanto quanto equivocada.”

Egressos – Questionado sobre o papel que a graduação vem desempenhando nos últimos anos, Hernandes afirma enfaticamente que a graduação da USP é um sucesso, “haja vista os alunos já formados, que ocupam cargos importantes em grandes empresas e em instituições públicas e desempenham funções de destaque na sociedade e no mundo”. Ele complementa, afirmando que vai dar continuidade ao projeto de mapeamento dos alunos egressos para que estes possam trazer para a Universidade propostas que alavanquem ainda mais a função de formar profissionais de alto padrão para o País. “Não quero apenas um banco de dados dos egressos. A ideia é incorporá-los no processo de mudança, contribuindo para uma graduação cada vez melhor.”

Quanto aos problemas de evasão, Hernandes explica que, primeiro, é preciso definir o conceito de evasão. “Se olharmos para a evasão considerando que a USP tem aproximadamente 11 mil vagas e os cursos em média têm cinco anos, deveríamos ter um fluxo contínuo de 55 mil alunos. No entanto, a USP tem 58 mil alunos de graduação, o que mostra um maior número de retenção do que evasão de estudantes.”

Ele ainda esclarece que existem “três ou quatro cursos” que realmente sofrem com uma evasão significativa. Por isso, a ideia da Pró-Reitoria de Graduação é olhar curso a curso e entender o que causa a saída dos estudantes. “Dados mostram que a evasão é pequena. O que existe é a mobilidade de um curso para outro”, explica.

Sobre a valorização do ensino, o importante para Hernandes é olhar a questão com clareza, para definir quais mecanismos implementar com sucesso. Por isso o trabalho será feito com a Comissão Especial de Regimes de Trabalho (Cert), com as unidades e com os Conselhos de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária.

“A graduação da USP é muito boa porque tem uma pesquisa forte”, afirma Hernandes. E complementa: se a pesquisa é de ponta, consequentemente a graduação também é. Para ele, não se fazem cursos inovadores, que formam pessoas que vão contribuir para o País, se não existir pesquisa de ponta. “O que temos que fazer é catalisar as iniciativas, para que isso aconteça de maneira mais efetiva e não mais de maneira segmentada.”

Escolas públicas – Outra questão abordada pelo pró-reitor trata do acesso dos alunos de escolas públicas à universidade pública. Dados mostram que, de maneira geral, nos últimos cinco anos, o acesso vem crescendo. “Isso é reflexo de todo o trabalho que a Universidade vem fazendo durante esses anos todos. Vamos continuar as atividades em cima do que já foi conquistado para aumentar ainda mais essa meta. Com a Fuvest, estamos traçando novas metas e queremos entender como esse aumento se deu nos cursos individualmente. Qual unidade de ensino tem capacidade para absorver mais ou menos alunos?”, questiona.

O pró-reitor considera muito importante a comunicação com o público, através da transmissão de informações que sejam sempre bem dadas e detalhadas, um fator preponderante para que a sociedade saiba o que se faz nos campi da Universidade. Para isso, ele pretende aprimorar o site da Pró-Reitoria de Graduação, para que as informações sobre as carreiras profissionais, mercado de trabalho e demandas do mercado, por exemplo, possam ajudar os jovens, cada vez mais cedo, a optar por sua profissionalização. “Também queremos melhorar o processo de divulgação no ensino público, estimulando os alunos a terem pensamento crítico.”

Quanto à implementação das tecnologias de informação e comunicação nos cursos de graduação, o pró-reitor diz que todas as unidades deverão ter Ambientes Interativos de Aprendizado, como os da Faculdade de Medicina e do Instituto de Física de São Carlos, onde os alunos têm acesso às diferentes tecnologias. A ideia é fazer isso em parceria com as bibliotecas das unidades. “Nada será construído, e sim reaproveitado. Quanto aos equipamentos necessários, só serão comprados quando a questão orçamentária estiver mais bem equalizada”, acrescenta Hernandes. “É preciso que todos entendam que temos um tempo para isso acontecer.”

(Matéria publicada no Jornal da USP edição nº 1023, de 24 de fevereiro a 2 de março de 2014 / Foto: Francisco Emolo)

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