Museu da USP e Sesc Pinheiros apresentam exposição “Adornos do Brasil Indígena”

A partir de artefatos, fotos e filmes, o “adorno” é apresentado como um elemento singular e representativo de múltiplas formas e expressões de resistências das comunidades indígenas, por meio de interlocuções entre a produção de arte contemporânea. A exposição foi aberta no dia 7 de setembro e ficará em cartaz até o dia 8 de janeiro de 2017, no Sesc Pinheiros.

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Essa mostra é a primeira realizada como parte de um acordo de cooperação entre a USP e o Sesc, assinado no final de julho, em torno da formalização de projetos expositivos e de ação educativo-cultural

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Na exposição, o adorno também pode ser visto como suporte de resistência

Está em cartaz a exposição “Adornos do Brasil Indígena: resistências contemporâneas”, no Sesc Pinheiros, que apresenta conteúdos do acervo de adornos indígenas do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e obras de arte contemporânea pertencentes a acervos privados e outras coleções museológicas, com o intuito de refletir sobre as múltiplas formas e expressões de resistência das sociedades indígenas.

A partir de artefatos, fotos e filmes, o “adorno” é apresentado como um elemento singular e representativo de múltiplas formas e expressões de resistências das comunidades indígenas, por meio de interlocuções entre as expressões culturais dessas sociedades e a produção de arte contemporânea, no contexto dos embates da sociedade nacional. Na exposição, os adornos estão organizados em três módulos: o corpo como suporte de resistência, a representação do corpo ao longo do tempo nas sociedades indígenas e celebrações indígenas como resistência.

Estão representadas na exposição expressões culturais indígenas contemporâneas de várias regiões do território brasileiro, tais como: Waurá (MT), Suyá (MT), Krahô (TO), Rikbaktsa (MT), Bororo (MT), Guarani (SP), Kayapó-Xikrin (PA), Kaxinauá (AC) e Karajá (GO), como também vestígios arqueológicos da Amazônia e São Paulo.

Exibindo obras já existentes – entre icônicas e pouco vistas – e outras inéditas, a mostra conta ainda com a participação de Ailton Krenak, Anna Bella Geiger, Bené Fonteles, Carlos Vergara, Claudia Andujar, Delson Uchôa, Fred Jordão, Lygia Pape, Nunca, Paulo Nazareth e Thiago Martins de Melo.

O projeto conceitual foi elaborado pela equipe do MAE, sob a coordenação da museóloga Maria Cristina Oliveira Bruno e da educadora Carla Gibertoni Carneiro, e do curador Moacir dos Anjos, convidado pelo Sesc para a proposição da interlocução com a arte contemporânea.

Parceria

Essa mostra é o primeiro projeto realizado entre a USP e o Sesc que faz parte de um novo termo de cooperação entre as instituições, assinado no final de julho, em torno da formalização de projetos expositivos e de ação educativo-cultural. “Esse convênio visa a uma maior aproximação e a estabelecer um diálogo com a USP”, afirmou o diretor-regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, na abertura da mostra, realizada no dia 7 de setembro. “Esta exposição é diferenciada, porque trata a questão do adorno de uma maneira original com artistas contemporâneos que dialogam com as informações do mundo indígena”, declarou o dirigente do Sesc.

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O índio Cawcre Gamela, do Maranhão, esteve presente na abertura da exposição

“Esta exposição é uma consolidação da parceria entre a USP e o Sesc, sendo a primeira de muitas que faremos em conjunto”, destacou o reitor Marco Antonio Zago, o qual lembrou que a questão do diálogo está presente na temática da mostra e também na relação entre o meio acadêmico e a cultura, expresso através da associação entre as duas instituições. “Podemos atuar de forma complementar, uma vez que a capacidade do Sesc de replicar e dar visibilidade às infinitas possibilidades de produção cultural pode permitir que a USP atinja de perto um público muito mais amplo”, ressalta Zago.

A diretora do MAE, Maria Cristina Oliveira Bruno, representando a equipe de curadoria do Museu, disse que a realização da mostra é uma oportunidade de apresentar parte do acervo do Museu a um público fora do meio acadêmico. “Precisamos manter o diálogo com a sociedade e, ao mesmo tempo, refletir sobre a importância do processo de resistência indígena”.

O outro curador, Moacir dos Anjos, falou dos significados da palavra adorno no dicionário e lembrou que o diálogo entre o acervo do MAE e a arte contemporânea não tem pretensão de criar hierarquias ou contraposições. “A ideia é sugerir situações em que a copresença de um e de outra em um mesmo espaço de exposição dê evidências do poder de resistência contido naquilo que é usualmente tomado como acessório ou suplemento”.

Acervo MAE

Apesar de significativo, o acervo de etnologia brasileira do MAE não é suficientemente conhecido fora do meio acadêmico. E, a partir desta constatação, foi proposto ao Sesc um programa de colaboração, que convidou a USP a refletir sobre as múltiplas formas e expressões de resistência das sociedades indígenas que são contempladas pela exposição.

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Adereços do bloco carnavalesco “Cacique de Ramos”, originário do subúrbio carioca de Ramos, fundado em 1961

O MAE foi criado há 27 anos para reunir, estudar, ampliar e difundir diferentes coleções que, até então, estavam dispersas por unidades da Universidade. E aprofundou os estudos não só das disciplinas que lhe diziam respeito, mas colocou-se como fórum de reflexão e estudos da área de Museologia, já tendo formado um número expressivo de especialistas e pesquisadores que se espalharam por instituições de todo o País.

A exposição contará também com atividades educativas, formação para professores e outras programações complementares e, pode ser visitada no 2º andar do Sesc Pinheiros, até dia 8 de janeiro de 2017, de terça a sábado, das 10h30 às 21h30, e aos domingos e feriados, das 10h30 às 18h30.

O Sesc Pinheiros fica na Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo (próximo à estação Faria Lima do metrô).

Mais informações pelo telefone (11) 3095-9400.

(Fotos: Ernani Coimbra)

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