Comissão Permanente de Avaliação da USP apresenta resultados

O trabalho teve duração de mais de dois anos. Foram avaliadas 54 Unidades, em visitas realizadas pela Comissão de Assessores Externos, cujo resultado obtido foi avaliado pela Comissão de Assessores Seniores e, depois, apresentado aos dirigentes da Universidade.

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Dirigentes das USP estiveram presentes no Teatro da Faculdade de Medicina (FM), na tarde do dia 31 de março, para a apresentação do Relatório do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP 2010 a 2014, coordenado pela Comissão Permanente de Avaliação (CPA)

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O vice-reitor e presidente da Comissão Permanente de Avaliação (CPA), Vahan Agopyan, ressaltou a importância de existir avaliações na Universidade

Na abertura da cerimônia, o vice-reitor e presidente da Comissão Permanente de Avaliação (CPA), Vahan Agopyan, ressaltou que, após a realização de quatro ciclos de avaliação enxerga uma mudança de visão sobre o assunto.

“Hoje, a Universidade está ciente da importância da avaliação como instrumento de gestão, que deixou de ser somente um relatório obrigatório a ser entregue para o Conselho Estadual de Educação, e houve uma mudança no patamar de qualidade”, afirmou.

O reitor Marco Antonio Zago agradeceu o empenho de todos os envolvidos na avaliação, destacando a participação do vice-reitor, que presidiu os trabalhos, e a relevância da avaliação para a Universidade. “Esse processo é vital para a Universidade e não deve ser encarado com resistência, porque serve para mostrar os pontos fracos e como corrigi-los. Não é possível fazer planejamento da gestão sem ter uma avaliação”, esclareceu Zago.

Desde 1992

A CPA foi criada em 1992 e, desde então, a cada cinco anos, é realizado o processo que resulta no relatório de avaliação das atividades da Universidade. A exigência de entrega de relatório para o Conselho Estadual de Educação (CEE) surgiu com a deliberação nº 044/2000 – que dispõe sobre o processo de avaliação de Universidade e de Centro Universitário do Sistema Estadual de Ensino.

O professor do Instituto de Química e assessor da Vice-Reitoria, Pedro Vitoriano de Oliveira, explicou o funcionamento do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP de 2010 a 2014.

Oliveira contou que todo o processo, que teve a duração de mais de dois anos, foi feito e coordenado on-line via Sistemas USP na área da Gestão – CPA.

Foram avaliadas 42 de Ensino e Pesquisa, 218 Departamentos, seis Centros e Institutos Especializados, quatro Museus e dois Hospitais, em visitas feitas de junho a outubro de 2015 pela Comissão de Assessores Externos, formada por 61 assessores internacionais e 122 assessores nacionais.

O trabalho deles foi avaliado de dezembro de 2015 a março de 2016 pela Comissão de Assessores Seniores, composta por seis assessores seniores, e apresentado na cerimônia. A análise e interpretação dos resultados será feita de abril a setembro deste ano e depois será entregue ao Conselho de Estadual de Educação.

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O professor do Instituto de Química e assessor da Vice-Reitoria da USP, Pedro Vitoriano de Oliveira, explicou o funcionamento do 4º Ciclo de Avaliação Institucional da USP de 2010 a 2014

Para o próximo ciclo de avaliação, há a proposta de uma nova CPA, que deverá dedicar-se à articulação dos processos de avaliação dos órgãos da USP e à aprovação das diretrizes e do calendário de avaliação.

Seis áreas

Após a explanação sobre a CPA e de como foi realizada a condução do processo, foi a vez das apresentações sobre as seis áreas avaliadas pela Comissão de Assessores Seniores: Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa, Cultura e Extensão, Internacionalização e Gestão.

A Gestão foi avaliada pela professora e vice-reitora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marilza Rudge. Para ela, chamou a atenção o fato de que nem sempre a gestão das Unidades está alinhada à da USP, não levando em conta o atual contexto político e econômico do país e das Universidades Estaduais Paulistas.

Marilza também disse considerar importante a Universidade ter uma política de formação de gestores universitários, para preparar os docentes a lidar com assuntos administrativos complexos. Ao final, disse ser “uma honra ser chamada para avaliar a gestão da maior e melhor Universidade do país”, e deixou uma sugestão: “Há a necessidade de ter uma estrutura administrativa tão forte quanto a acadêmica”.

A apresentação sobre a Cultura e Extensão foi realizada por videoconferência da Europa, pelo professor do Instituto Universitário de Lisboa, António Costa. Ele ressaltou que a área deve ser entendida como uma dimensão que une o ensino e a pesquisa.

Segundo Costa, “muitas vezes é difícil distinguir o que são impactos das atividades de extensão ou das áreas de pesquisa” e fez algumas sugestões. A primeira foi a de que a cultura e extensão devem ser valorizadas em todas as Unidades.

Também sugeriu que deve haver promoção e valorização na carreira docente também para aqueles professores que se dedicam às atividades de cultura e extensão; e as Unidades devem incentivar a realização de mais atividades que envolvam os estudantes.

A área de Graduação da USP foi apreciada pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Bevilacqua. Segundo o professor, os assuntos pelos quais muitas Unidades demonstraram preocupação e lhe despertou a atenção foram: a reforma da grade curricular, a interdisciplinaridade dos cursos; a proposta de se reduzir o número de aulas; a formação do cidadão; e a promoção e valorização na carreira docente para os professores que se dedicam ao ensino, e não somente valorizar a atuação em pesquisa.

Ao final, Bevilacqua propôs que a USP tenha maior participação em problemas e atividades não só no Estado de São Paulo, mas também em todo o Brasil.

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(Da esq. p/ dir.) Os assessores seniores e professores: da Unesp, Marilza Rudge; do Instituto Universitário de Lisboa, Portugal, António Costa; da UFRJ, Luiz Bevilacqua; da UFRGS, Lívio Amaral; da Unifesp, Rui Maciel; e da UFRJ, Sandoval Carneiro

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lívio Amaral, apontou que, na pós-graduação, a USP está entre as 20 instituições de ensino superior com mais de um Programa em todas as atuais 48 áreas de conhecimento e que os seus cursos são superiores aos do Brasil em geral. Mas, por outro lado, teve mais cursos que não mantiveram as melhores notas.

Amaral também falou que a presença dos mestrados profissionais é tímida, comparado ao restante do Brasil e também a oferta não é homogênea entre as áreas. Ele criticou o predomínio da expectativa de que o formado na pós-graduação passe a trabalhar como pesquisador no circuito acadêmico, questão comum no Brasil, o que, segundo ele, não é o objetivo na maioria das instituições do mundo.

A área de pesquisa da USP foi analisada pelo professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Rui Maciel, que separou as Unidades em três categorias: as que têm atividades de pesquisa maduras, avançadas e competitivas internacionalmente; aquelas que também exercem atividades relevantes, mas são menores em pesquisa, pelo tamanho ou por representarem áreas do conhecimento mais restritas ou de curadoria; e outras que estão em fase progressiva de atingir os objetivos de pesquisa, mas ainda não têm maturidade plena e competitividade internacional, e devem ser estimuladas a persistir no rumo perseguido.

A última apresentação foi da área de internacionalização, feita pelo professor da UFRJ, Sandoval Carneiro. O docente citou os critérios considerados nos principais rankings internacionais: Times Higher Education (THE), Academic Ranking of World Universities, SIR World Report e Quacquarelli Symonds Top Universities.

Carneiro alertou sobre o fato de nem sempre as políticas desenvolvidas serem plenas. “Muitas Unidades ainda mantêm a ênfase na assinatura de convênios e acordos e no envio de alunos e docentes-pesquisadores para o exterior. Porém, a posição da USP no cenário internacional é motivo de orgulho”.

Mas, também destacou que as universidades brasileiras estão ainda “na sua infância” em tempo de fundação, concorrendo com instituições centenárias, sendo que muitos rankings têm critérios que favorecem mais as universidades internacionais.

(Fotos: Ernani Coimbra)

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