Carta da reitora à comunidade universitária

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A Reitoria não está usando de força policial para conter os manifestantes, nem favorecendo os conflitos, como alguns pronunciamentos deixam transparecer. Vale a pena ouvir as duas partes da questão.

Desde o começo das negociações, entendemos que o diálogo era a única forma de comunicação com a nossa comunidade, como deve ser no ambiente universitário. Entretanto, grupos que, lamentavelmente, existem na USP há décadas e que se valem da força para conseguir os seus objetivos, como mostraram em várias ocasiões, não entendem dessa forma.

Como responsável por uma instituição pública como a USP, tenho a obrigação de zelar, principalmente, pelas pessoas e, também, pelo patrimônio da Universidade. A reintegração de posse foi a forma legal que utilizamos para impedir os piquetes. Estes bloqueavam a entrada para aqueles que não estavam a favor da greve nos vários locais fechados pelos manifestantes.

A greve é um direito. No entanto, em uma democracia, que, supostamente esses grupos defendem, embora oprimam aqueles que não concordam com suas idéias, ela não deve interferir com os direitos de ir e vir das pessoas.

Como não houve o respeito à determinação da justiça e os piquetes e barreiras físicas continuaram, a polícia militar usou de seu dever de fazer cumprir o mandado judicial e permaneceu nesses locais. Ocorre que os mesmos grupos radicais, aos quais se somaram outros da mesma linha, resolveram enfrentar as forças policiais não entendendo o caráter preventivo de sua presença. Lamento o confronto, provocado por grupos isolados, e as cenas inadmissíveis em um ambiente universitário.

Reforço o nosso dever de manter o direito daqueles que não concordam com a greve ou com os meios utilizados pelos grupos manifestantes. Devemos responder com serenidade, mas com determinação, às forças minoritárias, que querem desestabilizar nossa Universidade.

Reconheço que, muitos de vocês, mesmo constrangidos pela situação, continuaram a trabalhar. Agradeço pelo seu empenho em manter as atividades da USP, compreendendo seu papel nos destinos da Instituição.

Reafirmo o meu compromisso de conduzir a gestão até o prazo regimental, pois devo corresponder à confiança em mim depositada pela maioria da comunidade da USP e ao apoio manifestado por diretores de 37 das 40 Unidades de Ensino e Pesquisa, por meio de documento elaborado em reunião especificamente realizada com esse objetivo.

Quero, ao final, reiterar a nossa disposição em manter o diálogo, informando que o CRUESP já agendou reunião com representantes do Fórum das Seis para discutir a reabertura das negociações.

São Paulo, 15 de Junho de 2009.

Suely Vilela

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