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USP cria rede ibero-americana de pesquisa e reúne mais de 60 reitores de importantes instituições de ensino superior de 12 países

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Reitores de 65 universidades ibero-americanas assinaram documento que formalizou a criação da rede de pesquisa RIDUP

O conceito da internacionalização das atividades acadêmicas foi colocado em prática nos dias 21, 22 e 23 de setembro na Universidade. Nessas datas, dezenas de reitores e autoridades acadêmicas de diversas instituições de ensino superior estiveram na USP para participar da criação de uma nova rede de pesquisa e de reuniões de organismos e associações internacionais. Ter a USP como sede e palco desses encontros fez parte dos eventos comemorativos dos 75 anos da Universidade.

As personalidades do ambiente universitário que vieram à USP puderam assistir à implantação da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa (RIDUP), à primeira reunião formal dessa nova Rede, ao encontro “USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia”, à reunião anual da Rede Universitária Ibero-americana de Incubação de Empresas (RedEmprendia) e, ainda, à VI Reunião do Comitê Acadêmico Executivo da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe.

O início das atividades foi no dia 21, quando foi realizado o encontro “USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia”, leitmotiv do grande momento do dia: a criação da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa (RIDUP), firmada oficialmente com a presença de 65 reitores de 12 países, recepcionados pela reitora Suely Vilela.

A reitora observou a condição da Ciência neste século, a qual rompe com certos paradigmas e barreiras e assume um perfil transdisciplinar, afinado com a própria natureza, da mesma forma que busca respostas a questões que só fazem aumentar sua complexidade.

“As redes temáticas de investigação surgem como instrumento desta nova Ciência”, ponderou a reitora. “Por meio delas, há convergência de temas estratégicos comuns, o que, de fato, contribui, de uma forma ou de outra, para o aperfeiçoamento da qualidade de vida do homem”.

Suely destacou que o lançamento da RIDUP encaminha-se nesta mesma direção, “com o desafio transdisciplinar de desenvolver investigações de caráter internacional na fronteira do conhecimento, agregando, especialmente, estudantes de pós-graduação, de modo que se culmine com a criação de programas conjuntos de pós-graduação, entre outras iniciativas”, disse a reitora.

Educação, Ciência e Tecnologia

Pouco antes da formalização da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa, ocorreu na Sala do Conselho (Co), o evento “USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia”, com a presença do presidente do Grupo Santander, Emílio Botin, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Celso Lafer, do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Espanholas (CRUE), Federico Gutiérrez-Solana Salcedo, além da reitora da USP, Suely Vilela.

Em seu discurso, o presidente do Grupo Santander lembrou que a origem de empresas da indústria química e da indústria farmacêutica na Europa, a comunicação telegráfica no Reino Unido e a geração de energia elétrica nos Estados Unidos estiveram muito ligadas a professores ou laboratórios universitários.

“O apoio à pesquisa científica, geradora de conhecimentos novos e promotora da inovação tecnológica, deve ser uma parte fundamental das políticas públicas e das estratégias empresariais”, afirmou Emílio Botin.

Para o presidente da FAPESP e professor da USP, Celso Lafer, a enorme velocidade de produção do conhecimento, na atualidade, faz com que o Brasil tenha de responder à altura os desafios desse novo momento. Segundo Lafer, os indicadores da produção de conhecimento, no Brasil, indicam que o número de artigos indexados, publicados em 2008, chegou ao número de 18.783, dos quais 51% vêm do estado de São Paulo, e, dentro da posição do Estado, 26% correspondem à produção da USP.

Suely Vilela, em seu pronunciamento, saudou os participantes do evento: “Com grande satisfação recebemos os ilustres reitores de 64 universidades de 12 países da região ibero-americana, que comemoram conosco os 75 anos de criação da nossa Universidade”. Para ela, o grande desafio é vencer a defasagem entre a capacidade acadêmica e o desenvolvimento de produtos e processos inovadores nas indústrias, “uma estratégia fundamental para o desenvolvimento sustentável do país”, completou.

Primeira reunião

A manhã do dia 22 de setembro foi reservada à primeira reunião formal da recém-criada Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa. Coordenada pelo reitor da Universidade Nacional Autônoma do México, José Narro Robles, a reunião contou, também, com a palestra proferida pelo diretor de gerenciamento de produtos da editora Elsevier, Daniel Calto, com o título Rethinking Research Performance & Strategy.

Além das intervenções da reitora e de José Narro Robles, a reunião inaugural da RIDUP abriu espaço para a mesa redonda As metas da RIDUP para a pesquisa na região ibero-americana e as reflexões dos reitores Ruben Hallu, da Universidade de Buenos Aires, Pedro Pablo Rosso, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, e Federico Gutiérrez-Solana Salcedo, da Universidade espanhola de Cantábria.

“Acredito no êxito da RIDUP porque aqui estão reunidas mais de 60 Universidades de 12 países, e a ideia de formação dessa rede é muito boa, assim como as universidades participantes dela. Portanto, essa é uma iniciativa ‘condenada’ ao êxito”, definiu Robles.

“A Espanha está numa situação intermediária entre os países mais avançados e os que ainda não se iniciaram nesse perfil, no que diz respeito ao processo de transferência de conhecimento até o tecido produtivo e os serviços da administração pública”, avalia Solana Salcedo. “Esse desenvolvimento foi produzido de modo muito forte nos últimos anos e as universidades despertaram para a necessidade de trabalhar conjuntamente e de buscar recursos junto às instituições privadas e às administrações públicas para os processos de inovação e desenvolvimento”.

RedEmprendia

Na tarde do dia 22 de setembro, foi realizada a reunião anual da Rede Universitária Ibero-americana de Incubação de Empresas (RedEmprendia), que, de acordo com seu regulamento, “tem como fim essencial e primordial criar um tecido empresarial ibero-americano gerado a partir dos resultados das ações de ‘Inovação mais Desenvolvimento’, além de contribuir para que as Universidades ibero-americanas desempenhem um papel relevante neste processo e se constituam em seu motor”.

Essa reunião, comandada pelo presidente da entidade, Senén Barro Ameneiro, reitor da Universidade de Santiago de Compostela, tratou-se do primeiro encontro de seus componentes após sua criação, ocorrida em maio de 2008.

Faziam parte desse grupo 12 instituições ibero-americanas de ensino superior. Após a reunião dia 22, foi deliberada a inclusão de três novos membros: a Universidade Complutense de Madri, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e o Instituto Politécnico Nacional do México.

Complementando a relação dos atuais 15 membros da RedEmprendia, encontram-se a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Tecnológico de Estudos de Monterrey (ITEM), a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), a Pontifícia Universidade Católica do Chile, Universidade de Santiago de Compostela, Universidade de Cantábria, Universidade de Barcelona, Universidade de Buenos Aires, Universidade de Valência, Universidade de Coimbra, Universidade Autônoma Metropolitana do México (UAM) e a Universidade Politécnica da Catalunha.

“O objetivo é que as 15 universidades que, neste momento, formam a Rede cooperem para que, mutuamente, se ajudem a facilitar os processos de transferência de conhecimento e de desenvolvimento tecnológico que se produzem em nossas universidades, por meio de licenças de patentes e, de modo original, na criação de empresas derivadas dessas iniciativas”, disse Ameneiro.

Rede de macrouniversidades

Concluindo a maratona de eventos, foi realizada, no dia 23 de setembro, a VI Reunião do Comitê Acadêmico Executivo da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe.

Criada nos dias 13 e 14 de junho de 2002, a Rede de Macrouniversidades é presidida pela reitora Suely Vilela. Nesta reunião, os representantes das universidades-membros debateram projetos de grande relevância, segundo a presidente da Rede.

“Um desses projetos é o programa de mobilidade estudantil, para o qual nós ampliamos o número de bolsas de 100 para 200 durante a minha gestão” comemora Suely Vilela, que depois de quase dois anos presidindo a instituição deixa essa função nos próximos meses.

Um projeto novo foi apresentado, discutido e praticamente consolidado durante a VI Reunião do Comitê Acadêmico Executivo. Trata-se da criação de um Colégio Doutoral, previsto para funcionar entre os membros da Rede de Macrouniversidades.

“Esse Colégio Doutoral prevê a mobilidade dos alunos de pós-graduação para realizar trabalhos acadêmicos em regime de co-orientação e de dupla titulação”, explica Suely.

A reitora avalia que sua gestão à frente da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe será lembrada pela expansão em 100% do número de bolsas disponíveis para o programa de mobilidade estudantil e a criação do Colégio Doutoral.

(Matéria publicada na edição nº 873, do Jornal da USP /Foto: Ernani Coimbra)

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