Novo coordenador da Agência USP de Inovação concede entrevista a jornal

O novo coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato, fala de seus planos à frente do órgão responsável pelo

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O novo coordenador da Agência USP de Inovação, Vanderlei Bagnato, fala de seus planos à frente do órgão responsável pelo aumento do número de patentes na USP – que em alguns setores passou de três para 18 por ano

A Agência USP de Inovação está com novo coordenador. O professor Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, assume a coordenação entusiasmado com a missão de tornar a inovação tecnológica na Universidade uma das consequências mais importantes das atividades dos professores e pesquisadores, além de dar continuidade ao trabalho já realizado pelas gestões anteriores.

Para Bagnato, a inovação é uma das formas mais diretas de levar toda a capacitação em pesquisa e formação de recursos humanos para a sociedade. Como projeto geral, o coordenador pensa em dar continuidade às melhorias de organização interna da Agência, tornandoa ainda mais eficiente e ágil, aproximando-as das atividades de graduação, pós-graduação e pesquisa. “A Agência USP de Inovação deve trabalhar para a USP, não para si própria. É dentro das unidades da Universidade onde ocorre a inovação, portanto, é perto delas que teremos que estar, para melhor promover esse tema. Para isso, deveremos fortalecer os vários polos nos campi, dando a eles condições de realizarem com eficiência suas tarefas”, explica.

O coordenador também pretende promover as atividades de inovação. Para isso, a equipe da Agência está elaborando um projeto mais ousado com o objetivo de valorizar a cultura da inovação, em colaboração com as Pró-Reitorias de Graduação e Pós-Graduação, “com quem estamos começando uma aproximação e cooperação”, ressalta Bagnato. Por não ser apenas uma agência de serviços, as ações da Agência USP de Inovação até
hoje desenvolvidas estão sendo avaliadas pela nova coordenação para definição do que terá continuidade e o que precisará ser fortalecido. Bagnato afirma que buscará promover a inovação, facilitando a vida dos pesquisadores inovadores, ao mesmo tempo em que proporá diversas alternativas a toda a comunidade uspiana.

Metas

São três grandes metas globais a serem atingidas, explica o coordenador. As ações de interesses internos à USP, ações externas junto ao setor produtivo e as de interesse do Estado. As de interesse interno envolvem metas que terminarão instituindo a cultura da inovação, auxílio ao registro de propriedade intelectual, identificação de áreas tecnológicas com necessidade de investimento e o despertar do espírito empreendedor dos alunos, como a olimpíada de inovação.

Nas ações externas, serão pensadas as metas que visam à aproximação com o setor produtivo e a identificação de interesses comuns. O coordenador deixa claro que é preciso entender que as universidades estaduais devem
ser vistas como um “cartão de apresentação” a ser usado pelo Estado e pela nação para atrair novos investimentos em ciência e tecnologia. “Dentro dessa perspectiva, estamos preparando um pacote que permita mostrar de forma clara e inequívoca o quanto temos feito e podemos fazer em inovação tecnológica”, ressalta.

A agência também está procurando traçar diversas metas que coloquem a inovação tecnológica a serviço da solução dos problemas da sociedade. Bagnato comenta que a agência está enfrentado algumas dificuldades jurídicas nos convênios envolvendo o setor produtivo. “Entender essas limitações e estudar a forma de vencê-las é uma das metas importantes que estamos nos colocando para os próximos meses”, afirma o coordenador.
Questionado sobre o que irá manter e o que não terá continuidade, Bagnato diz que não irá desativar o que funciona e tem gerado bons resultados.

No entanto, ele ressalta a importância de se entender que a agência tem que “inovar na inovação”, isto é, “manter-se constantemente procurando novas formas de atingir a comunidade uspiana e conectá-la com o mundo externo”.

Maturidade

O coordenador vê o papel da Agência como um processo dinâmico, que muda nos diferentes estágios. “O tema já tem maturidade suficiente para que seja parte integrante de quase tudo o que se desenvolve dentro da USP. Não há área onde a inovação não esteja presente. Mesmo a administração tem que procurar ser empreendedora e inovadora em suas atividades.” Os desafios da agência são diários. Bagnato ressalta que cada processo de inovação tem características próprias. Ele cita o caso dos convênios em parceria, que têm apresentado atualmente alguns entraves e precisam ser enfrentados de perto. Defende a criação e fortalecimento das características de inovação de cada campus, a fim de fortalecer o papel da Agência e da Universidade como um todo. “O principal alvo das ações será na USP Leste. Já estamos conversando para uma atuação conjunta. Queremos atrair a comunidade local ao redor dos temas de inovação a serem abordados”, ressalta.

O papel das novas tecnologias tem influenciado na questão da propriedade intelectual? Bagnato explica que, com as ações da Agência, a USP passou de um nível de patentes anuais desprezível para um número expressivo. Em alguns lugares, a média anual de três patentes por ano passou a quase 18. “Com isso, comprova-se a afirmação de que inovação como uma das importantes vertentes da ciência tem tomado corpo dentro da USP. Hoje se fala em patentear com a mesma natureza com que se fala em publicar. Os pesquisadores falam com orgulho nas patentes que possuem.”

Além disso, os pesquisadores e alunos têm se preocupado com direitos autorais, em ter ideias que possam virar produtos. Bagnato afirma que essa realidade tem mudado devido ao trabalho da Agência USP de Inovação e que por isso é muito importante dar continuidade e intensificar essas ações.

Quanto às patentes na Universidade, a Agência tem procurado facilitar o processo e isso levou a uma rápida mudança de cultura entre professores e alunos. Segundo o coordenador, essa é uma notícia positiva, pois é possível criar um grande elenco de propriedades industriais capazes de atender de imediato a uma crescente demanda. “Nem toda patente serve para ser produzida. Muitas vezes ela apenas assegura os direitos inventivos ao autor. Mas isso também é parte da cultura de inovação. Basta uma vingar para compensar todas as outras.”

Olimpíada contemplará novos projetos

Uma iniciativa conjunta da Agência USP de Inovação e da Pró-Reitoria de Pesquisa procura dar oportunidade para a exploração do potencial mercadológico e do impacto social de grandes inovações. Trata-se da Olimpíada USP de Inovação, cujas inscrições estão abertas até o dia 16 de junho.

A olimpíada, que está em sua segunda edição, é voltada para tecnologias produzidas por alunos, docentes e funcionários da USP. O objetivo é proporcionar aos pesquisadores a possibilidade de concretizar resultados científicos e tecnológicos em produtos e serviços, seja para fins lucrativos ou sociais.

A competição será dividida em duas categorias e em duas etapas. A Categoria Livre é destinada sobretudo aos alunos de graduação. A outra será realizada sob responsabilidade dos projetos nos denominados Centros de Inovação: unidades de ensino e pesquisa, Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs), Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – em todos os casos, há necessidade de vinculação com a USP.

As inscrições podem ser feitas individualmente ou em equipes de até quatro pessoas pelo site www.inovacao.usp.br/olimpiada2011/html/inscricao.html No mesmo endereço também se encontra o regulamento completo.

(Matéria publicada no Jornal da USP, edição de 16 a 22 de maio de 2011)

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