Foi lançada na terça-feira, dia 3 de setembro, no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, a Cátedra Inova HC/FMUSP de Pesquisa, Inovação e Implementação em Políticas Públicas de Saúde, que será implantada no Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas, o Inova HC.
A proposta tem como objetivo contribuir para o pensamento, concepção, execução e estratégias para o apoio ao desenvolvimento e aprimoramento de políticas de saúde. A iniciativa, que congrega pesquisadores, profissionais, gestores de saúde e membros da sociedade civil, já nasce com 15 projetos em andamento, todos com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em diversas áreas: Informações de Saúde; Violência e Mortalidade; Estratégias de Acesso a Tecnologia no SUS; e Formação e Capacitação para a Implantação e Desenvolvimentos de Políticas Públicas.
No âmbito da nova cátedra, os participantes de todos os projetos poderão discutir estratégias e utilizar a estrutura acadêmica e científica como ferramenta de apoio ao processo de acompanhamento e melhorias das políticas públicas. A ideia é que, desta forma, haja melhor aproveitamento de dados, informações e mensuração de resultados para uma aplicação eficaz de recursos e ampliação do acesso ao atendimento.
“Com esta cátedra, passamos a ter um hub de inovação em saúde com forte estímulo ao empreendedorismo em projetos que promovam a melhoria do acesso à saúde, que é uma das principais vocações do HC. A inovação nas áreas sociais pode consolidar a redução das desigualdades”, afirmou o presidente do conselho do Inova HC, Giovanni Guido Cerri, lembrando que, hoje em dia, o complexo desenvolve forte atuação na área digital, como uma estratégia pós-pandemia: “O uso da tecnologia e da inteligência artificial tem se mostrado uma ferramenta altamente eficaz para alcançar populações hoje excluídas do atendimento à saúde”, disse.
O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, ressaltou como as cátedras têm contribuído para a Universidade: “Esse tipo de estrutura tem funcionado muito bem na USP, trazendo ainda uma possibilidade interessante, que é a de ter catedráticos convidados, que agregam novos conhecimentos”. Carlotti também salientou a importância da inovação: “A atual gestão da Universidade tem se preocupado muito com este tema e adotado uma política de estímulo em relação a isso. A inovação permite uma transferência rápida de conhecimento para benefício da sociedade, com a participação também de empresas, sociedade civil e governos. Em São Paulo, temos um sistema robusto de pesquisa que poderá ser muito bem integrado com essa iniciativa, que é estruturante para a Faculdade de Medicina da USP e para o HC”.
Para a diretora da Faculdade de Medicina (FM) da USP, Eloisa Bonfá, a cátedra é uma oportunidade para a interação com a sociedade: “Este é um momento de grande importância porque trata-se de uma efetiva prestação de contas e uma demonstração da nossa preocupação para com a comunidade. A cátedra foi uma ideia brilhante, pois congrega projetos que já possuem financiamento, promovendo sua interação e, consequentemente, seu fortalecimento. Juntos, somos mais fortes e poderemos devolver de forma ainda mais efetiva o grande investimento que é feito pela população”.
O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, destacou o trabalho conjunto que tem sido realizado com a USP: “Gostaria de agradecer à Universidade de São Paulo pelo apoio que tem dado ao Governo de São Paulo no grande desafio que enfrentamos para o período pós-covid, em que precisamos descolapsar a rede de saúde e trazer uma melhora significativa de qualidade”. Ele também comentou sobre a importância das políticas públicas para um atendimento eficiente na área da saúde: “Programas de saúde são políticas de Estado, e não de governo. As propostas que integram essa nova cátedra vêm ao encontro de um trabalho que já temos feito, de buscar, além da digitalização, a regionalização das políticas em um Estado que é extremamente desigual, com áreas muito diferentes das outras em termos de acesso à saúde e níveis de desenvolvimento”.
A estrutura de governança da Cátedra será composta por um Conselho Superior de 12 componentes, sendo seis oriundos do sistema HC, três agentes públicos e três representantes da sociedade civil, além de um grupo executivo, formado por 4 membros.
Os projetos iniciais, em andamento no lançamento da iniciativa, estão divididos em três blocos temáticos agrupados por similaridades e potencial de integração. O primeiro bloco agrupa pesquisas em Informações de Saúde, Violência e Mortalidade e o Desenvolvimento de Políticas Públicas; o segundo congrega o assunto Estratégias de Acesso a Tecnologias no Sistema Único de Saúde; e o último trata de Formação e Capacitação para a Implantação e Desenvolvimento de Políticas Públicas.
Participaram também da solenidade de lançamento da cátedra a assessora dos Programas de Políticas Públicas e Educação da Fapesp, Vanessa Elias de Oliveira; a representante do Conselho Federal de Medicina, Cibele Carvalho; a presidente da Academia Nacional de Medicina, Eliete Bouskela; o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Daniel Almeida Filho; a secretária municipal de Gestão de São Paulo, Marcela Arruda; e o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado Elton de Carvalho Junior; além dos professores da FM, Paulo Saldiva e Linamara Rizzo Battistella.