FFLCH concede título de Professora Emérita a Eva Blay

Eva é socióloga e uma das pioneiras e principais estudiosas na área de direitos humanos e relações sociais de gênero

  • 122
  •  
  •  
  •  
  •  
O reitor Vahan Agopyan; a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda; e a Professora Emérita Eva Alterman Blay – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) outorgou, no dia 19 de outubro, o título de Professora Emérita à professora Eva Alterman Blay. A cerimônia foi realizada no Salão Nobre do prédio da Administração da faculdade e contou com a presença do reitor da Universidade, Vahan Agopyan.

Eva é socióloga e uma das pioneiras e principais estudiosas na área de direitos humanos e relações sociais de gênero. Desde 2016, coordena o Escritório USP Mulheres, iniciativa criada pela Universidade para integrar o movimento “ElesPorElas” [HeForShe], desenvolvido pela ONU Mulheres, instituição das Nações Unidas dedicada a projetos na área de igualdade de gêneros e empoderamento das mulheres. A USP foi uma das dez universidades mundiais escolhidas para fazer parte desse movimento, sendo a única universidade latino-americana selecionada.

“A biografia de Eva Blay revela a densidade da sua atuação nas mais diversas áreas, especialmente no âmbito dos estudos sobre a mulher, das relações de gênero, dos direitos e da cidadania. Sua trajetória de socióloga manifesta a aliança entre vida e obra, atributo das vocações mais genuínas no universo das ciências sociais”, afirmou a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda, que fez a saudação à nova Professora Emérita da Faculdade.

Em seguida, emocionada, Eva contou um pouco sobre sua trajetória de mais de 50 anos como professora e pesquisadora na Universidade. “Quando comecei a estudar, há 50 anos, quanto à questão dos direitos das mulheres, que, na verdade, diz respeito aos direitos humanos, havia um desconhecimento. Nós mexíamos com relações de poder, com a hierarquia e com a ignorância. Mas, hoje, por que é temeroso discutir a questão de gênero? Porque gênero é sinônimo de democracia e liberdade”, considerou.

O reitor Vahan Agopyan avaliou a apresentação de Eva como uma “verdadeira aula”. “O trabalho da professora Eva Blay continua sendo extremamente necessário nos dias de hoje. Parabenizo a Congregação da FFLCH por essa iniciativa. Trata-se do reconhecimento a pessoas que forjaram a nossa Universidade e são os alicerces de nossa instituição”, afirmou.

Também participaram da cerimônia a pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária, Margarida Maria Krohling Kunsch; o vice-diretor da FFLCH, Paulo Martins; e o chefe do Departamento de Sociologia da FFLCH, Ruy Gomes Braga Neto.

Eva Blay contou um pouco de sua trajetória de mais de 50 anos de serviços na Universidade – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A homenageada

Eva Blay tem graduação, especialização, mestrado e doutorado em Sociologia, todos pela FFLCH, e fez pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França.

Ingressou como docente do Departamento de Sociologia da faculdade em 1963, no qual foi chefe, no período de 1988 a 1991, e, em 1989, tornou-se a primeira mulher a obter o título de professora titular.

Eva criou os primeiros cursos de graduação e pós-graduação sobre a mulher na USP. Foi fundadora e presidente do Centro de Estudos Rurais e Urbanos (Ceru) na década de 1980. Fundou e foi coordenadora científica do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero (Nemge).

Suas linhas de pesquisa concentram-se em relações sociais de gênero: sexualidade, democracia, identidade, juventude, participação política, relações internacionais, violência contra a mulher, participação política e gênero, trabalho feminino, habitação popular, planejamento urbano, imigração e imigração judaica.

Ela publicou diversos livros e artigos sobre essas questões. Sua última publicação foi o livro 50 Anos de Feminismo: Argentina, Brasil e Chile, lançado em 2017, do qual Eva é uma das organizadoras.

Aposentou-se em 2007, mas continua atuante como professora sênior na Pós-Graduação do Departamento de Sociologia da FFLCH e na Faculdade de Direito, no curso multidisciplinar de Direitos Humanos. Além da atuação acadêmica, foi a primeira presidenta do Conselho Estadual da Condição Feminina do Estado de São Paulo (1983-1985) e senadora da República (1992-1995).

Professores de destaque

O título de Professor Emérito é uma distinção concedida, segundo o artigo 93 do Estatuto da USP, a professores aposentados que se destacaram por atividades didáticas e de pesquisa ou contribuíram, de modo notável, para o progresso da Universidade.

A concessão pode ser feita pela Universidade ou por suas unidades e depende de aprovação de dois terços, respectivamente, dos componentes do Conselho Universitário ou das Congregações. No caso das Unidades de Ensino e Pesquisa, a indicação dos nomes é feita pelo departamento ao qual o docente é vinculado.

A outorga foi aprovada na FFLCH em reunião da Congregação, realizada em 1º de junho de 2017. Na ocasião, além de Eva, foi aprovada a concessão de título de Professor Emérito aos docentes: Diana Luz Pessoa de Barros, José Jobson de Andrade Arruda, Marilena de Souza Chauí, Raquel Glezer e Reginaldo Prandi.

(Da esq. p/ dir.) O chefe do Departamento de Sociologia, Ruy Gomes Braga Neto; o vice-diretor da FFLCH, Paulo Martins; a pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária, Margarida Maria Krohling Kusnch; o reitor Vahan Agopyan; a diretora da FFLCH, Maria Arminda do Nascimento Arruda; e a professora Eva Blay – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
  • 122
  •  
  •  
  •  
  •  

Textos relacionados