Encontro de novos docentes discute as oportunidades da carreira acadêmica

Na reunião com os dirigentes, também foram apresentados os projetos da atual gestão

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O evento foi realizado no dia 6 de julho, no auditório do Centro de Difusão Internacional (CDI) – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

No dia 6 de julho, os docentes da USP nos últimos dez anos participaram de um encontro de integração com os dirigentes da Universidade no auditório do Centro de Difusão Internacional, na Cidade Universitária.

“Nos últimos anos, a Universidade aumentou o número de professores que não se formaram pela USP, inclusive de estrangeiros, o que tem tornado seu quadro docente mais diversificado, enriquecendo nossos trabalhos. Com isso, é interessante mostrar aos novos docentes quais são os nossos pontos de vista, nossos principais objetivos, discutir nossas atividades, apresentar as metas da gestão e as pessoas que a representam”, disse o reitor Vahan Agopyan na abertura do evento.

O dirigente explicou que a gestão da USP está embasada em três princípios: “a excelência acadêmica, que é o nosso ponto indiscutível e uma busca contínua da Universidade. Nesse sentido, a insatisfação, a autocrítica, a vontade de sempre fazer melhor do que fazemos hoje é o nosso segredo. O segundo aspecto é a interação com a sociedade que nos sustenta: devemos mostrar que o que fazemos tem um resultado imprescindível para o desenvolvimento do País e não pode ser mensurado. O terceiro aspecto é a valorização dos nossos recursos humanos. Um dos pontos da nossa excelência é que temos docentes com currículos maravilhosos, alunos que nos orgulham e se destacam e excelentes profissionais de apoio”.

Agopyan também lembrou que, embora desde a sua fundação, em 1934, a USP se defina como uma universidade de pesquisa cujo grande diferencial é desenvolver as atividades de ensino, cultura e extensão em um ambiente de pesquisa, o novo estatuto do docente reconhece e valoriza as atividades de ensino para a carreira acadêmica.

O vice-reitor Antonio Carlos Hernandes falou um pouco sobre as atribuições da Vice-Reitoria, que incluem a administração da Universidade e o processo de avaliação institucional. “Em termos populacionais, a USP seria o equivalente a uma cidade de 120 mil habitantes. É um desafio grande. Temos que cuidar desde a zeladoria até a gestão financeira e de recursos humanos. Neste momento, nossos esforços estão concentrados em melhorar os nossos processos, tornando-os mais eficientes, e na busca por fontes de recursos adicionais para compor o orçamento da Universidade”, afirmou Hernandes.

Na sequência, a programação incluiu a apresentação das Pró-Reitorias, da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), da Agência USP de Inovação (Auspin) e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho (Cert).

Durante o encontro, a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Denise Morais da Fonseca, assinou o contrato e se tornou a mais nova docente da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Carreira acadêmica

Após o intervalo para almoço, a professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), Tania Casado, apresentou uma palestra sobre as possibilidades e os desafios oferecidos pela carreira acadêmica e as diversas atividades que podem ser desenvolvidas na Universidade por aqueles que escolheram esse caminho.

Para encerrar o evento, o professor emérito da USP e atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, foi chamado ao palco para prestar um depoimento sobre sua carreira na Universidade.

“Eu desenvolvi toda a minha carreira na USP e estou satisfeito por isso. Sou de meados do século passado, tive colegas como Antonio Candido e Antônio Delfim Netto, e o que eu aprendi ao longo desses 60 anos é que a USP é uma das boas universidades do mundo. Ponto final. Qualquer que seja a maneira de avaliar a qualidade das mais de 10 mil instituições que existem no mundo, a USP está sempre entre o 1% ou os 2% das melhores”, declarou o professor.

Aos 90 anos, Goldemberg ressaltou que a Universidade ganhou muito com a autonomia financeira conquistada durante a sua gestão como reitor, no final da década de 1980, e que a instituição se transformou ao longo dos anos, tornando-se mais interdisciplinar e internacional. “O que a USP oferece são as condições para que os pesquisadores possam desempenhar o seu papel adequadamente. Nenhuma faculdade particular tem as condições laboratoriais, as condições de pesquisa ou as oportunidades de cooperação internacional que temos aqui. E conhecer o mundo é muito importante, não só para observarmos onde está a fronteira da ciência, mas também para vermos onde nós estamos nessa fronteira. Porque a fronteira da ciência não está toda lá fora, parte dela está aqui. Qualquer cientista de qualquer área precisa saber disso e identificar localmente as áreas de pesquisa que não estão sendo desenvolvidas lá fora. As pessoas precisam aproveitar essas magníficas oportunidades que a USP oferece e fazer bom uso delas”, explicou.

Goldemberg também enfatizou o papel da Universidade e o que ela retribui para a sociedade em troca do investimento nela depositado: “Podemos dar respostas mais sofisticadas, mas há um argumento irrefutável: 300 mil pessoas passaram pelos bancos da USP e se tornaram o sustentáculo da atividade econômica, política e social não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil. Pessoas que foram nossos alunos e hoje são grandes líderes, presidentes de importantes organizações”.

“Nós conseguimos criar aqui uma instituição permanente – o que não é comum no Brasil – e que melhorou consideravelmente em relação ao passado. Ainda temos problemas, mas os docentes que entram na USP continuam tendo excelentes perspectivas pela frente”, concluiu o ex-reitor.

O ex-reitor da USP e atual presidente da Fapesp, José Goldemberg, fechou o evento falando sobre sua carreira de seis décadas na Universidade – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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