Editorial do “Estadão” destaca novo perfil socioeconômico dos ingressantes na USP

Em 2020, a USP alcançou a meta de inclusão social e tem mais alunos de escolas públicas

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Em editorial publicado no dia 3 de agosto, o jornal O Estado de S. Paulo destacou o novo perfil dos estudantes que têm ingressado nos cursos de graduação da USP nos últimos anos. Em 2020, a USP registrou o índice de 47,8% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas em seus cursos de graduação, e, dentre eles, 44,1% autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI), e alcançou a meta estabelecida pelo Conselho Universitário para a reserva de vagas destinadas a esses estudantes.

Leia, a seguir, a íntegra do texto.

O novo perfil socioeconômico da USP

Quatro anos após ter adotado o primeiro plano de cotas sociais e raciais de sua história, a Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, atingiu em 2020 as metas de inclusão social previstas, com um corpo discente integrado mais por estudantes oriundos de escolas públicas do que do ensino privado. Além disso, a instituição vem aumentando significativamente o número de alunos autodeclarados pretos, pardos e indígenas em seus cursos de graduação.

Aprovado pelo Conselho Universitário, o plano de inclusão previa, para o vestibular de 2018, uma reserva de 37% das vagas de cada unidade de ensino e pesquisa para alunos vindos de escolas públicas e não brancos. Em 2019, a reserva foi de 40% e, em 2020, subiu para 45%. Para o próximo vestibular e para os anos subsequentes, a reserva atingirá os 50% tanto por curso como por turno. Ao mesmo tempo, a USP também criou uma comissão de acompanhamento para apoiar a Pró-Reitoria de Graduação e informar o Conselho Universitário sobre a sustentabilidade orçamentária da Política de Permanência e Formação Estudantil, implementada com o objetivo de evitar que graduandos abandonem os estudos no meio do curso.

Além disso, em 2015 a USP já havia tomado uma iniciativa inédita, abrindo outra porta de ingresso, ao lado do vestibular tradicional – o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), com base no qual as instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O perfil socioeconômico dos calouros da USP – até então considerada uma instituição para os filhos da alta burguesia – mudou consideravelmente

Em 2018, quando essa medida entrou em vigor, a maior universidade brasileira abriu 11.147 vagas, das quais 8.402 foram reservadas para candidatos aprovados pela seção da Fuvest e 2.745 para os candidatos oriundos do Sisu. Estas vagas foram distribuídas em três modalidades – 423 para ampla concorrência; 1.312 para estudantes que cursaram o ensino médio integralmente em escolas públicas; e 1.010 para alunos da rede pública e autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Com essas medidas, o perfil socioeconômico dos calouros da USP – até então considerada uma instituição para os filhos da alta burguesia e da classe média alta – mudou consideravelmente.

Das famílias dos ingressantes em 2020, 47,5% tinham renda familiar bruta entre um e cinco salários – em 2019, o porcentual foi de 45%. Os cursos de Medicina da USP, os mais disputados do País, tiveram, entre os matriculados, 46,8% de alunos pretos, pardos e indígenas vindos de escolas públicas, em São Paulo; 44,4% no campus de Ribeirão Preto; e 40,7% no campus de Bauru. Nos três cursos de Engenharia – São Paulo, São Carlos e Lorena, todos também muito concorridos – a média foi de 40,5%.

Além disso, para estimular maior participação de estudantes de escolas públicas em seus processos seletivos, a USP criou um programa que, a partir de uma prova realizada pela internet com 18 questões de múltipla escolha sobre ciências humanas, ciências da natureza, matemática e português, permite aos alunos com maior desempenho frequentar o ambiente acadêmico, ter acesso aos conteúdos abordados na graduação e conhecer as possibilidades de auxílio para que os mais necessitados possam se manter até a conclusão da graduação e recebam auxílio caso tenham necessidade econômica. Em 2019, concorreram 140 mil estudantes de ensino médio oriundos de 3.710 escolas do Estado de São Paulo, localizadas em 602 municípios.

Apesar das críticas de movimentos sociais, de que essas medidas seriam insuficientes para promover a inclusão e de que foram criadas apenas para contornar as determinações da legislação sobre cotas étnico-raciais aprovadas em 2012, a USP parece estar trilhando o caminho certo. Desde o início, o objetivo foi evitar o assistencialismo inerente à política de cotas, por um lado, e afastar o risco de queda no nível de qualidade de ensino e de aumento da taxa de evasão escolar, por outro. Os números da Pró-Reitoria de Graduação mostram que este objetivo está sendo atingido.

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