Conferência sobre mudanças globais homenageia 90 anos de José Goldemberg

Goldemberg é um dos maiores especialistas em energia no mundo e defensor do uso de novas tecnologias

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José Goldemberg (à esq.) foi homenageado em sessão solene realizada no Auditório Guita e José Mindlin – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Para homenagear os 90 anos do ex-reitor da USP e atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, completados no último dia 27 de maio, foi promovida, nos dias 5 e 6 de junho, a quinta edição da Conferência Regional sobre Mudanças Globais.

Painéis científicos e palestras de especialistas e pesquisadores na área fizeram parte da programação do evento. As atividades foram realizadas no Instituto de Energia e Ambiente (IEE). “O simpósio foi organizado em torno de três eixos em que Goldemberg teve atuação expressiva ao longo da carreira: energias renováveis para o desenvolvimento; florestas tropicais e sustentabilidade; e negociações internacionais para o combate às mudanças climáticas”, explicou o diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e presidente da comissão organizadora do evento, Pedro Leite da Silva Dias.

O encerramento da conferência culminou com uma sessão solene, no Auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na tarde do dia 6 de junho, que contou com apresentações alusivas ao homenageado feitas por dirigentes de Unidades de Ensino e Pesquisa da Universidade, como Instituto de Estudos Avançados (IEA), Instituto de Física (IF) e Escola Politécnica (Poli), além de depoimentos em vídeo de pesquisadores de universidades nacionais e internacionais, autoridades governamentais e representantes de entidades da sociedade civil.

Desenvolvimento sustentável

Goldemberg é doutor em ciências físicas e professor emérito do Instituto de Física (IF) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE). Um dos maiores especialistas em energia no mundo, é conhecido defensor do uso de novas tecnologias para promover o desenvolvimento sustentável e detentor de várias premiações internacionais na área, dentre elas, o Prêmio Zayed de Energia do Futuro na categoria Life Achievement, concedido por uma fundação ligada ao governo dos Emirados Árabes Unidos – grande exportador de petróleo – a profissionais de destaque na área de energia renovável. Pela primeira vez foi premiado um cientista ligado à área de bioenergia.

Reitor da USP entre 1986 e 1990 e diretor do Instituto de Física no período de 1970 a 1974, foi presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ministro da Educação, secretário do Meio Ambiente da Presidência da República e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, entre outros cargos. Ocupa a cadeira nº 25 da Academia Paulista de Letras (APL). Em fevereiro de 2017, recebeu o título de professor emérito da Universidade. Também apresenta uma coluna semanal sobre energia na Rádio USP.

Autonomia universitária

“A experiência na administração pública me permitiu ver com clareza a necessidade de assegurar a autonomia financeira da Universidade, e conquistamos, junto com os reitores da Unicamp e da Unesp, em 1989, essa condição essencial para permitir o mínimo de agilidade e capacidade de planejamento. Com esse atestado de maioridade conferido pelo Governo do Estado de São Paulo às Universidades, foram criadas as condições para o salto de qualidade nos trabalhos científicos”, afirmou Goldemberg em seu discurso.

O reitor da USP, Vahan Agopyan, destacou outras importantes conquistas obtidas durante a gestão de Goldemberg à frente da Universidade, tais como a mudança no Estatuto, que acabou com as cátedras, criou as Pró-Reitorias e modernizou a gestão da Instituição; o empréstimo concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que possibilitou modernizar a infraestrutura dos campi; e a introdução do sistema de avaliação institucional.

“Nunca exigi dos outros nada além do que exigi de mim mesmo”, afirmou Goldemberg durante seu discurso – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

“Goldemberg conseguiu demonstrar que, com força de vontade e dedicação, é possível modificar as estruturas vigentes e melhorar o nosso país. Nós, da USP, agradecemos sua dedicação. Como brasileiro, tenho orgulho de ter um compatriota com sua competência e seu idealismo em acreditar que as coisas podem ser melhores e que temos responsabilidade nisso”, ressaltou o reitor.

Plenitude

Para o professor emérito da USP e ex-presidente da Fapesp, Celso Lafer, o homenageado chega aos 90 anos na “plenitude do vigor de sua personalidade e da multiplicidade das suas competências”. “Uma grande personalidade brasileira que soube captar e exprimir significativas tendências contemporâneas ao inserir o papel da ciência na pauta do país”, considerou.

Para Lafer, as experiências acadêmicas e na gestão da USP permitiram ao ex-reitor exercer cargos no campo governamental, fazendo de Goldemberg um “coringa apto a exercer responsabilidades em funções que exigem a autoridade do conhecimento”.

Lafer lembrou, ainda, a fecundidade da parceria que ambos exerceram durante a Rio 92 para levar adiante a pauta do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. “Essa parceria se adensou no período que me coube presidir a Fapesp e adquiriu contornos adicionais neste momento em que ele preside a Fundação com seu talento, liderança e alto espírito público”, destacou.

Aposentadoria

Além de estar à frente da Fapesp, Goldemberg continua desenvolvendo suas atividades de pesquisa e orientando estudantes de Pós-Graduação no IEE, como contou o diretor do Instituto, Colombo Celso Gaeta Tassinari. “Ele é um dos poucos professores cadastrados em nossos dois programas de pós-graduação. Orienta muitos alunos e participa ativamente das atividades”, contou.

A aposentadoria não está nos planos do professor. “Meu grande projeto no momento é ampliar os investimentos da Fapesp em inovação, as parcerias com empresas e tentar aproximar a Fundação da sociedade. Ela sempre teve a reputação de ser uma organização voltada para a atividade puramente acadêmica, mas agora abrimos o leque, sempre preservando os critérios da boa ciência”, afirmou.

Segundo ele, duas premissas permeiam suas atividades ao longo de todos esses anos: a objetividade e a adoção do mérito alcançado por talento, esforço e competência como critérios de avaliação das ações e das pessoas. “Nunca exigi dos outros nada além do que exigi de mim mesmo. Agradeço a todos que me ajudaram nessa longa jornada”, reverenciou.

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