“Clube do Matão” realiza reunião conjunta de suas congregações

Seis institutos da USP comemoram os 50 anos do decreto que estabeleceu a reforma universitária

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[A partir da esquerda] Marcos Silveira Buckeridge (IB), Manfredo Harri Tabacniks (IF), Paolo Di Mascio (IQ), reitor Vahan Agopyan, vice-reitor Antonio Carlos Hernandes, Luis Carlos de Souza Ferreira (ICB), Pedro Leite da Silva Dias (IAG), Junior Barrera (IME)
Para comemorar os 50 anos do Decreto 52.326, que reestruturou a USP e criou os institutos de ciência básica, seis unidades se juntaram para uma reunião conjunta de suas congregações: o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), o Instituto de Biociências (IB), o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), o Instituto de Física (IF), o Instituto de Química (IQ) e o Instituto de Matemática e Estatística (IME).

“Os diretores desses seis institutos têm se encontrado para discutir diferentes formas de interação e, como todos nós estávamos preparando as comemorações dos 50 anos, surgiu a ideia de organizarmos uma congregação conjunta”, explicou o diretor do Instituto de Biociências, Marcos Silveira Buckeridge, que falou em nome dos diretores.

O grupo se autodenomina informalmente de “Clube do Matão” – uma referência à Rua do Matão, na Cidade Universitária, endereço da maior parte dessas unidades. “O fato de estarmos só seis institutos aqui nessa congregação conjunta não significa que o Instituto de Geociências e o Instituto de Oceanografia também não possam fazer parte do Clube do Matão, eles são muito bem-vindos”, brincou Buckeridge.

Originados pelo desmembramento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em 1969, os seis institutos se desenvolveram, ganharam importância e se tornaram centros de pesquisa em ciência básica reconhecidos internacionalmente. Juntos, eles abrigam mais de 8 mil alunos, mil funcionários e 700 docentes, e publicam, em média, 2.200 trabalhos, com 147 mil citações por ano.

“A excelência desses institutos começou a ser construída há mais de 85 anos, antes mesmo do surgimento da USP, dentro das faculdades profissionais que já existiam no Estado de São Paulo. Em 1934, a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras trouxe o espírito de uma universidade voltada para a pesquisa e o ensino de excelência, mas foi em 1969, com a reforma universitária, que a USP se consolidou e houve uma mudança radical na formação multidisciplinar”, ressaltou o reitor Vahan Agopyan.

A Congregação Conjunta foi realizada na manhã do dia 16 de dezembro, na Sala do Conselho Universitário, e contou com a presença de dirigentes, docentes, pesquisadores e funcionários das seis unidades.

Homenagens

Durante a congregação conjunta, três ex-reitores da USP, oriundos dos institutos, foram homenageados e falaram sobre o passado, o presente e o futuro das unidades: José Goldemberg, professor do Instituto de Física e reitor de 1986 a 1990; Flávio Fava de Moraes, professor do Instituto de Ciências Biomédicas e reitor de 1993 a 1997; e Adolpho José Melfi, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas e reitor de 2001 a 2005.

Também foram homenageados os professores que contribuíram para o desenvolvimento de seus Institutos e para a construção de uma sociedade mais justa, ética e produtiva. O Instituto de Biociências homenageou o professor Paulo Sawaya, primeiro diretor da Unidade; o Instituto de Ciências Biomédicas homenageou o professor Crodowaldo Pavan; o Instituto de Química, o professor Paschoal Senise, primeiro diretor da Unidade; o Instituto de Física, o professor Oscar Sala; o Instituto de Matemática e Estatística, o professor Chaim Samuel Hönig; e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, o professor Abrahão de Morais.

Os ex-reitores Adolpho José Melfi, Flávio Fava de Moraes e José Goldemberg foram homenageados – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do IB a Paulo Sawaya: Paulo Sawaya Filho, a professora Regina Markus e o diretor Marcos Silveira Buckeridge – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do ICB a Crodowaldo Pavan: a professora Glaucia Maria Machado Santelli e o diretor Luis Carlos de Souza Ferreira – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do IQ a Paschoal Senise: o diretor Paolo Di Mascio, o professor Ivano Gebhardt Gutz e José Thomaz Senise, irmão de Paschoal Senise – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do IF a Oscar Sala: a professora Alinka Lepine Szily e o diretor Manfredo Harri Tabacniks – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do IME a Chaim Samuel Hönig: o diretor Junior Barrera, David Hönig (filho de Chaim Hönig) e o professor Paulo Domingos Cordaro – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Homenagem do IAG a Abrahão de Morais: o professor emérito Igor Ivory Gil Pacca e o diretor Pedro Leite da Silva Dias – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Reforma progressista

O Decreto 52.326, assinado pelo então governador Roberto Costa de Abreu Sodré em 16 de dezembro de 1969, aprovou o novo estatuto da Universidade que, entre outras mudanças, determinava a extinção do sistema de Cátedras vitalícias e o desmembramento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), dando origem à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), ao Instituto de Psicologia (IP), à Faculdade de Educação (FE) e aos institutos básicos, encarregados pelo ensino e pesquisa nas matérias básicas.

Apesar de ter encontrado resistência, a reforma universitária acabou introduzindo uma nova estrutura organizacional, curricular e política na USP, dinamizando o ensino e ampliando a capacidade da Universidade.

O ex-reitor José Goldemberg lembrou que “o ambiente em que ocorreu a reforma, há 50 anos, era completamente diferente do que nós temos hoje. Vivíamos em pleno Regime Militar, havia muita inquietação dentro das universidades e era difícil compreender o que significava de fato uma reforma universitária. Para muitos, ela foi vista como uma maneira de enfraquecer a Faculdade de Filosofia, que concentrava o maior número de críticos ao regime. Curiosamente, a reforma acabou se revelando uma mudança progressista, que reorganizou a Universidade, criou os institutos de pesquisa em ciências básicas e possibilitou que a USP se transformasse na universidade que é hoje”.

Goldemberg foi o primeiro diretor do Instituto de Física e ocupou o cargo entre os anos de 1970 e 1974.

“Isso mostra que o conhecimento produzido é líquido e não pode ser fragmentado. Não há como deter o avanço intelectual e da ciência. É com conhecimento e com base científica que podemos ajudar os formadores de políticas públicas a construir um país mais justo e democrático”, afirmou Buckeridge.

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