O Centro de Inovação da USP (Inova USP) ganhou um novo espaço, dedicado a pesquisas de ponta na área de energia.
Trata-se do InnovaPower, um dos programas do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI, na sigla em inglês para Research Centre for Greenhouse Gas Innovation).
O local, inaugurado na última terça-feira, dia 27 de agosto, tem financiamento da empresa TotalEnergies, que anunciou um investimento de R$ 80 milhões para criar um hub voltado ao desenvolvimento de projetos em geração e armazenamento de energia solar, eólica e offshore, entre outros temas ligados à eletrificação.
Atualmente, são 13 projetos já em andamento, com cerca de 220 cientistas atuando nos trabalhos do centro, que é especializado em planos que visam contribuir para o desenvolvimento de novas fontes de energia e tecnologias de transmissão.
“Trata-se de um passo significativo em direção a um futuro de energia mais sustentável e eficiente”, comemorou o diretor do InnovaPower, Maurício Salles, ressaltando a diversidade de conhecimentos abrangidos pelos estudos: “São projetos que envolvem pesquisadores de diversas unidades, de diferentes campi, promovendo um caráter multidisciplinar que é essencial para a criação de soluções inovadoras, para que possamos apoiar de forma significativa a transição energética e inserir o Brasil no seu papel de liderança neste processo”.
O diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, comentou a respeito do obstáculo que o País precisa enfrentar: “Temos uma matriz energética renovável e limpa com proporções consideráveis, mas ainda temos um enorme desafio na área dos transportes, por exemplo, com o uso do diesel, que ainda é uma mancha na nossa matriz energética. Neste caso, apostamos no hidrogênio como solução. Já na área de geração de energia eólica offshore, o potencial brasileiro é de cerca de 700 gigawatts, mais do que suficiente para atender a demanda nacional. Os projetos do InnovaPower contam com uma equipe de pesquisadores altamente qualificada para o desenvolvimento de sistemas que otimizem a produção e a distribuição, endereçando questões ambientais”.
Presente na cerimônia de inauguração, o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, lembrou os últimos eventos climáticos que o Brasil enfrentou: “Tivemos recentemente um grande problema por causa de chuvas maciças no Rio Grande do Sul e agora, aqui no interior de São Paulo, incêndios gravíssimos potencializados pela seca e ventos fortes. Ou tomamos providências ou esse tipo de situação se tornará cada vez mais frequente, até o ponto em que o planeta ficará inabitável. Essas providências passam necessariamente pela transição energética como uma estratégia de sobrevivência e de salvação do planeta”.
Para ele, trata-se de uma oportunidade: “O Brasil tem todas as condições para ser um player com papel de liderança nesta área. A USP está contribuindo fortemente com a priorização da inovação em desenvolvimento sustentável, inclusive contemplando o assunto nos recém-aprovadas Missão, Visão e Valores da Universidade e transformando seus campi em ambientes cada vez mais sustentáveis”.
A diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da TotalEnergies, Isabel Waclawek, anunciou que, além do núcleo de excelência inaugurado na USP, a empresa está celebrando outras duas parcerias com universidades brasileiras em atividades voltadas para a transição energética: a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também abrigarão espaços de pesquisa, totalizando 41 projetos e investimentos de R$ 181 milhões. “São mais de 400 cientistas envolvidos em iniciativas que certamente terão papel importantíssimo na nossa missão de buscar um fornecimento de energia com custos acessíveis, segurança energética e o atendimento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que já estão no nosso escopo de atuação. Contamos com a excelência tecnológica da USP para a construção deste caminho para a transição energética.”
A empresa, que atua nos segmentos de gás, energia renovável, lubrificantes, químicos e postos de abastecimento, está fazendo todos os investimentos por meio de uma cláusula da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que promove o desenvolvimento de pesquisa e novas tecnologias para o setor. A regulamentação determina que as empresas exploradoras de recursos energéticos devem investir 1% da sua receita bruta anual em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área. A ANP é responsável por definir os critérios para a distribuição dos recursos provenientes da cláusula, de acordo com cada contrato específico, sendo responsável pela análise, aprovação, acompanhamento e fiscalização da aplicação destas verbas.
A cerimônia também contou com a participação da assessora de Meio Ambiente da ANP, Daniela Godoy Martins Corrêa, e da diretora do Departamento de Transição Energética do Ministério de Minas e Energia, Karina Araújo Sousa, além do diretor do Inova USP, Marcelo Knörich Zuffo, do pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP, Paulo Nussenzveig, e outras autoridades universitárias.