Cátedra José Bonifácio estudará os desafios da democracia

Laura Chinchilla assume a Cátedra e define como tema os desafios da liderança e da democracia na América Latina

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A nova titular da Cátedra José Bonifácio, Laura Chinchilla – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, tomou posse como a nova titular da Cátedra José Bonifácio. A cerimônia foi realizada no dia 16 de abril e contou com a presença de dirigentes, pesquisadores, intelectuais e representantes do corpo diplomático do México e da Costa Rica.

“Desde o seu início, o objetivo da Cátedra José Bonifácio foi o de proporcionar o contato de grandes personalidades da política, da economia e da cultura da Ibero-América com a comunidade acadêmica, agregando a vivência teórica de nossos alunos com a experiência. Estamos iniciando o sexto ano de projetos consecutivos de atividades da Cátedra, e o aporte que essas grandes personalidades dão à formação de nossos alunos complementa a excelência do padrão acadêmico da USP”, afirmou o coordenador do Centro Ibero-Americano (Ciba), Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari.

Em seu discurso, o reitor Vahan Agopyan também ressaltou a importância das Cátedras na Universidade. Segundo ele, “nas últimas décadas, perdemos a capacidade de estudar temas amplos, abordando suas diversas facetas. As Cátedras vieram suprir essa deficiência, e a Cátedra José Bonifácio foi a primeira criada nesses moldes. Em cinco anos de atividade, cada catedrático enriqueceu as discussões na Universidade. Beatriz Paredes, por exemplo, foi mais do que uma catedrática, foi uma verdadeira embaixadora do México dentro da USP, trazendo a cultura daquele país para os nossos estudantes e pesquisadores. Agora, temos a honra de contar com o conhecimento da ex-presidente Laura Chinchilla para ampliar as discussões sobre a Ibero-América”.

A diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Maria Arminda do Nascimento Arruda, fez o discurso de saudação à nova catedrática.

A cerimônia foi realizada no Auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os desafios da democracia latino-americana

Socióloga formada pela Universidade da Costa Rica, em 1982, com mestrado em políticas públicas pela Universidade de Georgetown, Laura Chinchilla foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Costa Rica, entre os anos de 2010 e 2014, depois de ter sido vice-presidente e secretária da Justiça daquele país. Atualmente, é a presidente da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Havana.

Introduzindo os temas que serão desenvolvidos pela Cátedra neste ano, Laura falou sobre os desafios da liderança e da democracia na América Latina. Segundo ela, o boom econômico do início dos anos 2000 levou a uma importante revolução social em toda a região e foi capaz de diminuir a pobreza e expandir a classe média. No entanto, com a estagnação econômica do início desta década, problemas como desemprego e queda no comércio deterioraram parte dessas conquistas sociais.

“Observamos que os ciclos econômicos explicam, em grande parte, a satisfação ou a insatisfação das pessoas em relação à democracia. O cenário de descontentamento com a democracia está associado ao desenvolvimento da economia. Ou seja, não basta analisar a democracia do ponto de vista de suas convicções próprias – como o respeito pelos direitos humanos, pela liberdade de expressão, pelo equilíbrio de poderes –; o que se espera é que a democracia seja eficaz e solucione os problemas e as demandas dos cidadãos”, explicou a catedrática.

O mundo indígena na América Latina

Após a cerimônia de posse, foi realizado o lançamento do livro O Mundo Indígena na América Latina: Olhares e Perspectivas, publicação da Edusp que reúne o resultado das pesquisas realizadas pela Cátedra José Bonifácio em 2017.

A obra marca a despedida da embaixadora do México no Brasil, Beatriz Paredes, à frente da Cátedra. “Quando aceitei o convite para comandar esta Cátedra, a intenção era unir a força da USP com a reflexão sobre o mundo indígena não só do Brasil e do México, mas de toda a América Latina. Para minha grata surpresa, houve grande interesse dos pesquisadores que, inclusive, tinham experiência na vida cotidiana das diversas comunidades indígenas do Brasil”.

Beatriz também faz questão de lembrar que “o grande aprendizado é a aproximação com o mundo indígena e o aprendizado de que o outro é diferente, mas é igual. Que ser distinto não é ser inferior e que muitos de seus valores e cosmogonias estão entre a mais alta hierarquia do conhecimento chamado universal”.

Laura Chinchilla (à direita) e sua antecessora, Beatriz Paredes – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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