A universidade pública está viva, afirma editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Artigo destaca as posições alcançadas pela USP e pelas universidades brasileiras nos mais recentes rankings internacionais

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Em editorial publicado no dia 11 de julho, A universidade pública está viva, o jornal O Estado de S. Paulo destaca as posições alcançadas pela USP e pelas universidades brasileiras nos mais recentes rankings internacionais de instituições de ensino superior, divulgados pelas consultorias Shanghai Ranking e Times Higher Education.

Leia, a seguir, a íntegra do texto.

A universidade pública está viva

Meses após ter sido acusada por grupos bolsonaristas de estar alinhada a posições de esquerda e de ser objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta na Assembleia Legislativa por iniciativa de deputados próximos de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, e que resultou num relatório pífio, a Universidade de São Paulo (USP) obteve duas láureas internacionais. Elas não apenas calam os críticos da USP e das demais universidades públicas do País, como dão a medida de seu despreparo e desonestidade intelectual.

A primeira láurea foi divulgada pela consultoria chinesa Shanghai Ranking, que publicou um ranking comparativo de mais de 4 mil universidades de todo o mundo em 54 áreas de concentração. O levantamento, que vem sendo feito desde 2003, por iniciativa da Shanghai Jiao Tong University, analisou a produção bibliográfica constante de dois importantes bancos de dados, a Web of Science e a InCites, levando em conta o número de artigos publicados, o impacto dos artigos no Science Citation Index, extensão da colaboração internacional e o número de professores premiados internacionalmente.

No levantamento, a USP figurou entre as 50 melhores instituições de ensino superior do mundo em quatro áreas de concentração: engenharia de alimentos, odontologia, ciências agrícolas e veterinária. Além disso, nas áreas de biologia e matemática ela ficou entre o 51º e o 75º lugar e em ciências atmosféricas e ecologia, entre as 76 e 100 melhores universidades. As primeiras posições foram ocupadas por universidades americanas, seguidas por universidades europeias e chinesas. Das 54 áreas do conhecimento avaliadas, as instituições americanas ficaram na primeira posição em 31 áreas.

Nela prevalece o que carece ao governo: competência, rigor e honestidade intelectual

A segunda láurea foi divulgada durante o Fórum Latino-Americano pela consultoria britânica Times Higher Education (THE), que avaliou 166 universidades de 13 países da América Latina. O objetivo do encontro foi discutir a contribuição das universidades da região ao combate à pandemia de covid-19. A THE utilizou os mesmos critérios que aplica em seus levantamentos comparativos mundiais, mas com pequenas alterações para captar com maior precisão as especificidades das instituições latino-americanas de ensino superior. A avaliação foi feita em cinco áreas de concentração e levou em conta o ambiente de aprendizagem, o desempenho dos alunos, o número de pesquisas efetuadas e a rentabilidade por elas propiciadas, o número de citações de artigos científicos em revistas acadêmicas, a transferência do conhecimento e a reputação e o nível de internacionalização de cada instituição.

O Brasil com 61 e o Chile com 30 universidades no ranking, respectivamente, foram os países com o maior número de universidades avaliadas. E, apesar de o primeiro lugar ter sido ocupado por uma instituição confessional, a Pontifícia Universidade Católica do Chile, das dez melhores, sete foram universidades brasileiras – seis públicas, lideradas pela USP, que ficou em 2º lugar, e uma instituição confessional, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Além da USP, as duas outras universidades públicas estaduais paulistas – a Unicamp e a Unesp, que também foram objeto da CPI da Assembleia – integraram a lista das dez melhores. Já as instituições mantidas pela União foram as universidades federais de Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina.

As colocações obtidas por essas universidades, a começar pela USP, não deixam margem a dúvidas. Enquanto a área educacional do governo Bolsonaro continua paralisada por um jogo de vetos recíprocos entre uma ala ideológica, uma ala militar, uma ala evangélica e por políticos do Centrão, o que explica por que o Ministério da Educação esteve acéfalo por mais de três semanas, a universidade brasileira permanece viva e imune ao patrulhamento bolsonarista. Como mostram os dois levantamentos comparativos, nela prevalece o que carece ao governo: competência, rigor e honestidade intelectual.

(Artigo publicado na editoria Opinião, jornal O Estado de S. Paulo, em 11/07/20)

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