“A EEL tem vocação para ser um centro de excelência internacional”, afirmam novos diretores

Silvio Silvério da Silva e Durval Rodrigues Junior assumem Diretoria da Escola de Engenharia de Lorena para o quadriênio 2020-2024

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Fachada do prédio da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) – Foto: Divulgação

A Escola de Engenharia de Lorena (EEL) tornou-se uma nova Unidade de Ensino e Pesquisa da USP em maio de 2006. Antes disso, era conhecida como Faculdade de Engenharia Química de Lorena (Faenquil), instituição fundada em 1969. A Diretoria que assumiu a administração da unidade no último dia 25 de julho traz, pela primeira vez, dois docentes que pertenceram à sua instituição de origem, a Faenquil.

Tanto o diretor eleito, Silvio Silvério da Silva, quanto o vice-diretor, Durval Rodrigues Junior, professores titulares da USP, atuam na instituição há mais de 30 anos e já ocuparam diversos cargos junto aos órgãos administrativos da Universidade.

Depois da incorporação da Faenquil à USP, as administrações foram encabeçadas por docentes de outras unidades, com a missão de formatar e promover a institucionalização plena da escola na estrutura da Universidade, tarefa que ainda está em andamento.

Agora, a EEL vivenciará uma nova era. A prerrogativa de ambos os diretores estarem familiarizados com as distinções estruturais, pessoais e técnicas da escola é um fator preponderante para superar as dificuldades que se avizinham.

“Sempre destaco o comprometimento de nossos docentes com a Universidade ao assumirem cargos de gestão. Em especial, neste momento de desafios pelo qual passamos, essa tarefa ganha contornos ainda mais relevantes, em que deveremos tomar decisões e conduzir a USP, e sua reconhecida excelência, mesmo diante de tantas adversidades. Desejo aos novos diretores da EEL muito sucesso rumo à modernização de nossa unidade e ressaltar que estamos trabalhando juntos para superar os obstáculos que se apresentarem”, afirma o reitor da USP, Vahan Agopyan.

A nova realidade imposta pela pandemia da covid-19 também foi um dos temas abordados pelos novos diretores na entrevista concedida ao Jornal da USP, respondida em conjunto e por escrito, sobre as perspectivas da nova gestão. Confira a seguir.

Silvio Silvério da Silva, o novo diretor da Escola de Engenharia de Lorena – Foto: Assessoria de Imprensa / EEL

Qual a primeira ação da nova gestão a ser tomada para a melhoria da escola?

A EEL está precisando de melhorias estruturais, como salas de aula e laboratórios didáticos mais modernos e com melhor usabilidade, por exemplo. Precisa também modernizar a infraestrutura de pesquisa, de TI e aquelas indispensáveis à extensão universitária, problema que a maioria das universidades brasileiras enfrenta.

A crise econômica pela qual o País vem passando pode ter contribuído para agravar as dificuldades da escola. Por outro lado, a pandemia criou outro problema sério para a gestão: a obrigatoriedade do distanciamento. Várias decisões de gestão são facilitadas quando presenciais.

Uma das primeiras ações que pretendemos tomar é nos reunirmos com a Reitoria para discutir o plano de recuperação da escola. A partir desse plano, pretendemos buscar o auxílio da Administração Central e de diferentes órgãos de fomento, organizações e empresas para sua viabilização no prazo mais curto possível.

O que essa administração terá de diferente das demais?

Por sermos oriundos da unidade e estarmos aqui há mais de 30 anos, conhecemos a EEL, sua cultura e sua história. Já vivenciamos diversas crises e dificuldades: a conquista pela estadualização da Faenquil, seu vínculo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e sua incorporação à USP.

Compreender e ter vivido essa história nos fazem conhecedores de suas forças e fragilidades. A escola tem uma vocação: ser um centro de excelência internacional no ensino e na pesquisa. A marca que pretendemos deixar em nossa gestão é a capacidade de mobilizar toda a comunidade da EEL, aproveitando nossa diversidade, em prol de um projeto comum de vanguarda acadêmica.

Quais os principais pontos fracos da EEL a serem trabalhados?

Os principais pontos estão relacionados à defasagem que ainda temos em nossos métodos didáticos; o baixo aproveitamento da capacidade de nossos professores e técnicos, principalmente os contratados mais recentemente; a infraestrutura geral, como já destacamos; e, ainda, a administração da escola, que precisa urgentemente ser modernizada e ágil. Outro ponto frágil é a extensão, a falta de capacidade para levar, de forma mais eficiente, a excelência da USP para nosso entorno.

Na questão de servidores, como pretendem promover engajamento e motivação entre os quadros distintos?

Há um ditado popular muito apropriado que diz: “uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco”. Não podemos nos dar ao luxo de ter elos fracos. Precisamos valorizar mais os servidores técnicos e administrativos, oferecer capacitações e demonstrar de maneira inequívoca que a unidade somente será forte se todos os segmentos forem fortes.

O novo vice-diretor da escola, Durval Rodrigues Junior – Foto: Assessoria de Imprensa / EEL

No quesito de infraestrutura, quais as melhorias e prioridades planejadas? Pretendem ativar o Centro de Vivência?

A prioridade número um deve ser focada na infraestrutura voltada para as atividades didáticas. Nossos alunos têm se tornado excelentes profissionais, que se destacam no mercado de trabalho, em condições de infraestrutura não totalmente adequadas. Estes são os desafios sobre os quais precisamos despender nossos primeiros esforços.

Um dos fatores muito importantes no desenvolvimento do estudante é a formação de liderança, que se assenta, principalmente, nas experiências vivenciais no campus universitário. O Centro de Vivência tem que ser a extensão das repúblicas. Mais que isso, tem que ser a extensão dos lares desses jovens. É preciso sua urgente ativação para que os alunos encontrem, também, no Centro de Vivência, o lócus de expansão de sua criatividade.

Como a EEL estará daqui a quatro anos?

Queremos que a EEL tenha um papel preponderante no Vale do Paraíba e seja reconhecida como um dos maiores celeiros de formação de lideranças das principais empresas e organizações do País. Essa tarefa exige uma presença cada vez mais marcante de nossa comunidade na pesquisa e na extensão.

Precisamos de muito apoio da comunidade interna e externa. A crise econômica, agravada pela pandemia, reduziu de maneira drástica o orçamento da Universidade, afetando, por consequência, a EEL. Criatividade é a palavra-chave nesse momento.

Gostariam de deixar uma mensagem final para a comunidade universitária?

Os alpinistas só conseguem alcançar os cumes mais íngremes e desafiadores porque contam com um grupo forte e coeso, onde há respeito à diversidade e se tem a capacidade de alocar nos lugares certos as pessoas com competências adequadas. Dessa forma, sempre nos pautamos na gestão de nossos grupos de pesquisa.

Assim, pretendemos gerir a EEL com a capacidade de reconhecer nossas fragilidades e de nos apoiarmos, com intensidade, nas nossas fortalezas. A Faenquil foi a escola que formou os principais quadros das maiores empresas do Vale do Paraíba. Nossa capacidade científica e nossas publicações nos trouxeram para a USP.

Sempre enfrentamos as condições mais adversas e desafiadoras, e com dificuldades orçamentárias, e sempre nos saímos bem. Fazemos parte de uma das melhores universidades do mundo e temos um quadro de pessoas muito competentes. Não há por que a escola não ampliar sua posição de destaque.

Entretanto, é importante reforçar o quadro econômico atual que afeta os recursos disponíveis para administrar a escola. Precisamos buscar, juntos, os meios para reduzir os custos de gestão e buscar fontes alternativas de recursos. Pretendemos criar um grupo de trabalho visando avaliar os procedimentos administrativos para encontrar os possíveis gargalos que podem estar drenando recursos. Esta forma de gestão colaborativa e presente, valorizando as competências e experiências de nosso pessoal, deverá ser um dos marcos de nossa gestão.

Por fim, queremos tranquilizar a comunidade da EEL. Não faremos nenhuma mudança imediata na administração da escola. Todas as mudanças serão resultado de estudo e ponderação, após discussões setoriais. Neste momento, pedimos que todos continuem exercendo suas atividades com o costumeiro empenho, sem interrupção ou alteração.

Simone Colombo, especial para o Jornal da USP

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